O avanço da atividade mineral também refletiu na arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), que somou cerca de R$ 7,9 bilhões distribuídos entre aproximadamente 2.840 municípios brasileiros.
. “O levantamento reforça o peso da mineração na receita de governos locais, especialmente nas regiões com maior concentração de operações”, avalia Luciana Mourão, consultora econômica da AMIG Brasil.
. Minas mantém liderança
Minas Gerais permaneceu como principal polo minerador do país, com faturamento de R$ 119 bilhões, equivalente a 40% do total nacional. O Pará aparece na sequência, com R$ 103 bilhões (34%), enquanto a Bahia ocupa a terceira posição, com R$ 13 bilhões, o que representa 4% do faturamento da indústria mineral brasileira.
. Dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) indicam que mais de 8 mil empreendedores minerários recolheram CFEM ao longo de 2025. Entre as empresas, a Vale S.A. concentrou 37% do faturamento total do setor, mantendo a liderança nacional. A Salobo Metais S.A., subsidiária da Vale responsável pela maior jazida de cobre do país, respondeu por 7% do faturamento. Anglo American, Kinross Brasil e CSN Mineração aparecem na terceira, quarta e quinta posições, cada uma com participação de 4%.
. Produtos
O minério de ferro continuou sendo o principal produto mineral brasileiro, com faturamento de R$ 152,2 bilhões. Apesar da liderança, o desempenho registrou leve retração de 2,2% na comparação com 2024.
. Outros minerais ganharam relevância ao longo do ano. O ouro registrou faturamento de R$ 39 bilhões, enquanto o cobre alcançou R$ 30 bilhões. Ambos apresentaram crescimento expressivo em relação ao ano anterior, com altas de 65% e 50%, respectivamente.
. “Conforme destacado no Boletim Mineral divulgado pela AMIG Brasil em janeiro, em um contexto de incertezas no mercado global, o ouro tende a se consolidar como ativo de proteção, ampliando sua atratividade. Já o cobre vem sendo impulsionado pelo aumento da demanda internacional, por seu caráter estratégico na transição energética e por ser insumo essencial para a eletrificação, incluindo a produção de veículos elétricos, cabos e equipamentos tecnológicos”, destaca Luciana Mourão.
. Exportações e empregos
No comércio exterior, dados do Ministério da Economia mostram que as exportações brasileiras totalizaram US$ 348,7 bilhões em 2025. A indústria extrativa, incluindo petróleo e gás, respondeu por 23,7% desse valor, o equivalente a US$ 80,4 bilhões.
. Sem considerar petróleo e gás, a indústria extrativa mineral movimentou US$ 35,81 bilhões, o que representa cerca de 10% das exportações totais do país.
As exportações de minério de ferro geraram US$ 28,9 bilhões, com embarques de 416 milhões de toneladas. Em relação a 2024, o valor exportado recuou 3%, apesar do aumento de 7% no volume físico, indicando redução nos preços médios internacionais.
No mercado de trabalho, dados do Novo Caged apontam que a indústria extrativa mineral criou 9.554 vagas formais em 2025. Com isso, o estoque de empregos diretos do setor alcançou aproximadamente 291 mil postos ao final do ano.