Revista Encontro

Desempenho

Parede de 10 cm resiste a quatro horas de incêndio em teste do IPT

Blocos de concreto celular da mineira DVG Sical foram testados sem revestimento e podem ser utilizados em rotas de fuga e compartimentação de edificações

Da redação
Obra do Hospital Mater Dei de Salvador com os blocos CCA da DVG Sical - Foto: Beatriz Fróes/Divulgação
Uma parede de apenas 10 centímetros de espessura resistiu a quatro horas de exposição ao fogo durante testes realizados pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). Desenvolvidos pela mineira DVG Sical, maior fabricante de blocos de concreto celular autoclavado da América Latina, os materiais alcançaram o resultado sem a necessidade de revestimento ou reboco, utilizando apenas argamassa cimentícia no assentamento.

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O desempenho representa um avanço na utilização do concreto celular na construção civil, especialmente em projetos que exigem maior resistência ao fogo. A característica é considerada um dos fatores determinantes na escolha de materiais para edificações, principalmente as de grande porte.
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Segundo o pesquisador sênior do Laboratório de Segurança ao Fogo e a Explosões do IPT, Antonio Fernando Berto, o resultado está relacionado às características específicas dos blocos avaliados. “Os blocos DVG Sical são incombustíveis, inertes em termos de contribuição ao desenvolvimento do incêndio. Não contêm produtos orgânicos e são materiais que não contribuem para o desenvolvimento do incêndio. Nem todo CCA atinge esse TRRF. O desempenho que atestamos é exclusivo do produto da DVG Sical ensaiado, que tem características específicas”, ressaltou.
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Além dos ensaios realizados pelo IPT, os blocos passaram por testes conduzidos pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG). Após a avaliação, o material foi incluído na Instrução Técnica 06 (IT-06), norma que estabelece critérios de segurança estrutural contra incêndios em edificações, revisada e publicada em agosto.
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Com a atualização, os blocos passaram a integrar os sistemas de alvenaria de vedação aprovados para utilização em rotas de fuga e compartimentação de edificações.
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De acordo com a gerente técnica da DVG Sical, Stefane Vitorino, os testes realizados pelo CBMMG envolveram a exposição repetida do material a situações de incêndio. “Ao longo de mais de um ano, um protótipo construído com blocos DVG Sical sem qualquer tipo de revestimento, passou por mais de 30 treinamentos de combate ao fogo e perícia, com pelo menos quatro simulações de incêndio real em cada, no Centro de Treinamento Profissional do CBMMG. Os blocos mantiveram sua integridade estrutural e capacidade de isolamento mesmo sob repetidos ciclos de choque térmico e combate direto com água”, relata a engenheira.
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Impacto na construção civil

A inclusão dos blocos na IT-06 também pode facilitar a especificação dos materiais e a aprovação de projetos de construção civil. Segundo a empresa, a atualização oferece maior segurança técnica aos profissionais responsáveis pelo planejamento de sistemas de proteção contra incêndios.
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"A inclusão na IT-06 tira totalmente a dúvida de qualquer construtor ou engenheiro de incêndio na hora de definir o sistema de alvenaria das rotas de fuga e paredes corta-fogo, além de agilizar a aprovação dos projetos”, acrescenta Vitorino.
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Além da resistência ao fogo, a fabricante destaca benefícios relacionados à produtividade e aos custos das obras. Entre as vantagens apontadas estão o ganho de área útil, a redução do consumo de insumos e da necessidade de mão de obra especializada, além da leveza estrutural dos blocos.

Para o diretor da DVG Sical, Éder Campos Filho, o desempenho alcançado nos testes é resultado dos investimentos da empresa no desenvolvimento do material. “Sempre investimos em tecnologia e na busca de inovações para garantir a qualidade e eficiência. Ao longo do tempo, desenvolvemos e aprimoramos nossa fórmula para chegarmos a esse patamar”, diz.

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