Revista Encontro

Astronomia

Asteroide QV89 pode cair na Terra em setembro deste ano

Com 40 m de diâmetro, seu impacto pode devastar uma área de dois mil km²

João Paulo Martins
- Foto: Freepik

Em 1998 chegava aos cinemas o filme Armagedom, estrelado por Bruce Willis, Ben Affleck, Steve Buscemi, Billy Bob Thornton e Liv Tyler. Na trama hollywoodiana, a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) envia uma nave ao espaço para conseguir destruir um asteroide que está em rota de colisão com a Terra. Apesar de ser uma missão suicida, os astronautas são bem sucedidos e salvam o planeta. Da ficção para a realidade, cientistas da Agência Espacial Europeia (ESA) acreditam que no dia 9 de setembro deste ano existe a possibilidade de um corpo celeste de tamanho médio chocar contra a superfície terrestre.

Descoberto em agosto de 2006 pelo programa Catalina Sky Survey, de monitoramento do espaço, fruto de uma parceria da Nasa com a Universidade do Arizona (EUA), o asteroide QV89 possui 40 m de diâmetro e viaja a uma velocidade de 44 mil km/h.

A informação do possível choque foi confirmada por astrônomos que participaram da conferência ESA NEO & Debris Detection Conference, realizada no Centro Europeu de Operações Espaciais, em Darmstadt, na Alemanha, entre os dias 22 e 24 de janeiro de 2019.

As probabilidades de colisão são de uma em 11.428 e caso ocorra, ela pode gerar os mesmos resultados da queda de um meteororito em 1908 na cidade de Tugunska, na Sibéria, na Rússia, quando o objeto devastou uma área de dois mil km², derrubando nada menos que 80 milhões de árvores.

"Com os dados que temos agora, a probabilidade de impacto é a mesma de ser atropelada por um trem ao passar num cruzamento", comenta o astrônomo Ettore Perozzi, da Agência Espacial Italiana (ASI), em pronunciamento feito na conferência.

Segundo Rüdiger Jehn, diretor do Departamento de Defesa Planetária da ESA, o asteroide 2006 QV89 está muito longe para que se consiga calcular sua órbita com mais precisão, então, só no meio do ano é que serão feitas observações mais precisas, incluindo a avaliação do perigo real do objeto espacial. "A partir de julho o poderemos observar novamente com telescópios de oito metros. Então saberemos se há risco de impacto ou, o que é mais provável, que não apresentará risco algum", diz o cientista no mesmo evento..