Não se sabe ainda o que vai acontecer com a lei de incentivos a obras para Copa do Mundo de 2014, amplamente debatida pelos vereadores, mas uma coisa é certa: Belo Horizonte vai ganhar um moderno centro de referência em oncologia. O projeto vai marcar a reabertura do prédio do Instituto Hilton Rocha, localizado aos pés da Serra do Curral, no Mangabeiras, região centro-sul.
O projeto prevê a utilização da estrutura já existente, ou seja, não haverá construção de mais andares, uma das principais preocupações de moradores e ambientalistas. “Não haverá verticalização”, afirma Flávio Carsalade, responsável pela concepção do projeto. A ideia do especialista é integrar o prédio à paisagem da serra, como mostra a perspectiva obtida por Encontro (foto). “O edifício atual é ultrapassado. Ele foi erguido há 40 anos. Nossa intenção é qualificar a Serra do Curral”, diz Carsalade. Conforme o arquiteto, na reforma serão usadas cores, formas e texturas que se integram ao aspecto da região.
| Roberto Fonseca e Amândio Soares, proprietários da Oncomed: “Nossa proposta é trazer o que há de mais moderno em equipamentos de combate ao câncer”, diz Fonseca |
“Vamos diminuir a presença do prédio e aumentar a da serra.
Além da reforma no prédio, que estava fechado há dois anos, há previsão de um estacionamento ao lado, que ofereceria vagas para aproximadamente 300 veículos – tentativa de reduzir o impacto no trânsito das ruas vizinhas. Melhorias no entorno do prédio, colocando cobertura vegetal em áreas que estariam degradadas, também estão na pauta dos trabalhos.
| Prédio atual do Hilton Rocha, erguido na década de 1970: referência na área de oftalmologia no Brasil. Hoje, uma construção degradada |
O prédio do Instituto Hilton Rocha foi adquirido em 2009, em um leilão, pelo grupo Oncomed, especializado em tratamento de câncer e que mantém uma clínica há 16 anos na capital. De acordo com Roberto Fonseca, diretor do grupo, a ideia de montar um centro referência em tratamento de câncer era um desejo antigo. “Nossa proposta é trazer o que há de mais moderno em equipamentos de combate ao câncer”. A previsão inicial é de que o novo hospital ofereça 120 leitos. Além da oncologia, Fonseca revela que a oftalmologia, carro-chefe do Instituto Hilton Rocha a partir da década de 1970, também será oferecida no novo hospital. Segundo ele, a estimativa é de que o hospital abra as portas até 2014.
O médico Antônio Carlos Correa, de 67 anos, mora há 10 anos no Mangabeiras e se posiciona contra o empreendimento. “A cidade precisa de um hospital oncológico, mas em área hospitalar”, diz. Para o médico, o volume do tráfego iria atrapalhar a principal via de acesso ao parque das Mangabeiras.
Entretanto, a artista plástica e designer de jóias Ângela Abdalla Geo, de 45 anos, que mora bem em frente ao futuro centro oncológico, não enxerga problemas no projeto. “O hospital sempre funcionou aqui e nunca houve transtorno no trânsito”, afirma Ângela, que mora há 30 anos na avenida José do Patrocínio Pontes.
| Marcelo Teixeira, secretário de Saúde de BH: “Déficit de leitos, tanto na saúde pública quanto na suplementar, chega a 700” |
O anúncio agradou também a quem lida diariamente com a saúde.
O secretário municipal de Saúde, Marcelo Teixeira, enxerga com bons olhos o anúncio da transformação do que ele chamou de um passivo urbano. “Há um déficit de leitos em Belo Horizonte, tanto na saúde pública quanto na suplementar, que chega a aproximadamente 700 vagas”, revela o secretário. Quanto às opiniões contrárias ao empreendimento, Teixeira acredita que o hospital não deve gerar dor de cabeça para a vizinhança. “Apesar de a discussão ser natural e saudável, o hospital não será um pronto-socorro ou pronto atendimento; o perfil é outro”. E acrescenta: “não há a intenção de verticalização, e isso nos tranquiliza”.
| Helton Freitas, diretor presidente da Unimed-BH,: “Um hospital deve estar perto das pessoas e, para tratamento de câncer, o lugar é perfeito” |
Helton Freitas, diretor presidente da Unimed-BH, compartilha da opinião do secretário municipal de saúde. Ele destaca a boa localização do futuro centro oncológico. “Um hospital deve estar perto das pessoas e, para tratamento de câncer, o lugar é perfeito. Não se pode fazer um hospital no fim do mundo. Ele deve estar em vias nas quais as pessoas possam acessá-lo com facilidade”.