A vocalista e guitarrista Lúcia Vulcano, da banda Pata, que faz menção à expressão "pata de camelo": "O intuito é mostrar que não existe nada de vergonhoso em nossos corpos" - Foto: Priscila Santos/Divulgação"Hoje é dia de
rock, bebê". Aliás, ontem, amanhã e depois, também. Atemporal, o
estilo musical que surgiu nos
Estados Unidos entre as décadas de 1940 e 1950 nunca foi
exclusividade masculina. E, antes mesmo de a
voz possante de
Janis Joplin arrepiar até os mais experientes
intérpretes e
compositores, outro
ícone feminino foi precursor no
gênero:
Sister Rosetta Tharpe. Foi ela que, nos anos 1940, delineou o que seria a febre do
rock and roll no mundo com o hit
Strange Things Hap-pening Everyday, em uma mistura de
gospel,
folk e
blues. De lá para cá, a potência das
mulheres no rock foi passada de geração para geração, mas nem sempre reconhecida.
A vocalista, guitarrista e compositora Andrea Cópio lidera a banda Ramona & The Red Vipers: "O rock é universal. Independe de gênero" - Foto: Ramona & The Red Vipers/DivulgaçãoEm um cenário protagonizado por
homens, ainda hoje elas vencem as barreiras do
preconceito e lutam para mostrar a que vieram. Quebrando paradigmas, unem força e talento para ter o seu lugar sob os holofotes. Em Belo Horizonte, a vocalista, guitarrista e compositora Andrea Cópio lidera a banda Ramona & The Red Vipers e é categórica: "O rock é universal.
Independe de gênero". Formada em 2013, a banda traz músicas autorais que remetem à mulher e toda a sua versatilidade. Original, o trabalho será mostrado no primeiro disco do grupo, com lançamento previsto para este ano. Andrea comemora e fala sobre os avanços conquistados pelas mulheres no meio musical. Para ela, a área tem aberto espaço para as competências femininas. E as mulheres não deixam a desejar. "Temos de ser livres e não nos intimidar. Existe campo para todos no mercado", diz a cantora.
Cada vez mais, movimentos são criados para fomentar a indústria fonográfica de forma indiscriminada. Em março deste ano, o Festival Psicodália, realizado em Santa Catarina, trouxe uma vivência multicultural independente, em uma celebração à arte e à diversidade. Com o objetivo de prestigiar bandas autorais, o evento promove um ponto de encontro de bandas de rock de todo o país, com forte presença feminina. O Ramona esteve lá. "Foi uma realização participar de algo tão democrático", diz Andrea.
Apesar do preconceito, a cantora Nina Guimarães, da banda Radium Club Rock, não se deixa abater: "Somos tão competentes quanto nossos colegas músicos" - Foto: Radium Club Rock/DivulgaçãoNa capital mineira, a efervescência do rock and roll move outras bandas lideradas por mulheres. Em 2017, a banda Pata nasceu com o lançamento do EP Wild & Cabeluda e a proposta do "faça você mesma".
O nome da banda faz menção à expressão pata de camelo, transformando o que poderia ser degradante em uma representação positiva do corpo feminino. "O intuito é mostrar que não existe nada de vergonhoso ou impuro em nós", diz a vocalista e guitarrista Lúcia Vulcano. O projeto deu certo e a banda, que também conta com a baterista Beatriz Moura, lançou mais um EP em junho deste ano, intitulado Shit & Blood.
Recém-chegada de uma turnê no Nordeste, para divulgação do EP Special Fiend, a cantora e compositora Poliana Marques lançou carreira solo no início de 2018. Desde então, passou a ser conhecida como Polly Terror, a garota que explora sons sombrios e experimentais. Atuante em defesa da valorização da mulher na arte, periodicamente produz o evento Chá das Mina, que reúne várias artistas mineiras. "Essa aproximação é muito enriquecedora. Ainda mais diante do machismo que enfrentamos diariamente", diz. A cantora Nina Guimarães, da banda Radium Club Rock, compartilha da mesma opinião mas, apesar do preconceito, não se deixa abater. "Somos tão competentes quanto nossos colegas músicos", diz. Criada em 2001, a Radium faz releitura de músicas de sucesso e é composta por mais três homens que não se sentem menores por ter à frente a voz potente de uma mulher.
Polly Terror, artista que explora sons sombrios e experimentais atua em defesa da valorização da mulher na arte: "Ainda mais diate do machismo que enfrentamos diariamente" - Foto: Violeta Andrada/EncontroPara ouvir, de fato, o que elas têm a dizer e dar oportunidade para que mostrem o seu talento, alguns canais de interação têm sido criados.
Um deles a plataforma Women’s Music Event, que reúne mulheres da indústria da música, entre cantoras, DJs, empresárias, jornalistas, apresentadoras, radialistas e outras. Já o festival internacional Sonora, criado por brasileiras, busca dar visibilidade e legitimar a presença da mulher compositora. Outra dica é a plataforma online Mulher na Música, organizada pelo projeto Sêla. "Para nós, lugar de mulher é no palco. É nos bastidores. Na cenografia, na produção, na comunicação. Lugar de mulher é na música - e onde mais ela quiser", declaram as organizadoras. Alguém discorda?
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