Revista Encontro

ARTES PLÁSTICAS

Pedro Ton se prepara para sua primeira exposição individual

Obras inéditas do jovem artista poderão ser vistas na recém-inaugurada Galeria Acaiaca, no centro de BH

Daniela Costa
O artista plástico Pedro Tom: "Já experimentei diversas linguagens artísticas, mas é através da pintura que pretendo criar um diálogo intenso com o mundo" - Foto: Geraldo Goulart/Encontro
Um passarinho quando aprende a voar sabe mais sobre coragem que de voo. O instinto latente o leva a abrir as asas e se lançar rumo ao vazio no intuito de conquistar os céus. Em uma de suas séries, o artista e educador Pedro Ton, de 32 anos, traz pinturas em guache de pássaros em lições de voo. Imagens que remetem à sua própria história de vida. "Minha mãe é faxineira e sempre foi uma influência marcante", diz. "Desde minha infância tive seu apoio atencioso e sensível sobre minhas escolhas. Como guerreira, me incentivou a lutar para conquistar os meus sonhos."

Ainda criança, na cidade de Varginha (MG), quando nem se dava conta do que era arte, lembra que a curiosidade por descobrir coisas novas lhe descortinou formas diferentes de perceber o mundo. Construía brincadeiras e desenhava tudo aquilo que observava.
Com o passar do tempo, desenvolveu um olhar atento que o ajudou a explorar sua criatividade e exercitar a sensibilidade. "Eu me lembro de pegar às escondidas batons na bolsa da minha mãe para desenhar nas paredes da casa", diz ele. Na adolescência, passou a frequentar um curso livre de desenho e pintura, período em que também contribuiu com aulas de arte para crianças, em troca de bolsa de estudos.

Pinturas feitas com acrílica sobre tela, tinta a óleo ou guache, trazem o registro de uma paisagem fantástica: para além do que os olhos podem ver - Foto: Geraldo Goulart/EncontroDurante os quatro anos de curso, ele se dedicou a estudar a história da arte, o que lhe trouxe diferentes possibilidades de atuação no mercado de trabalho. "Já experimentei diversas linguagens artísticas, mas é por meio da pintura que pretendo criar um diálogo intenso com o mundo." Formado em artes plásticas pela Escola Guignard da UEMG, passou a fazer produções que brincam com as ideias de estilos na pintura, que para ele compreendem as relações entre o retrato, a paisagem e a casa onde vive. "Com a pandemia e a necessidade do isolamento social, esta experiência se torna muito constante no meu processo artístico, que se desdobrou em novas composições e se voltou para formatos um pouco maiores."

Na pintura, Pedro busca o registro de uma paisagem fantástica, para além do que os olhos podem ver. Dando uma atenção especial aos vazios de cores chapadas e intensas em contraponto a transparências das pinceladas que permeiam os elementos que estruturam a composição, realiza pinturas em acrílico sobre tela, tinta a óleo e guache. Pedro não economiza em suas referências artísticas, com destaque para Ronaldo Fraga e María Eugênia Salcedo Repolês. "São pessoas que me mostraram caminhos para compreender a arte de forma maior e grandiosa." Por meio de suas experiências, ele diz que compreendeu a importância da arte como dispositivo político e social dentro dos vários setores da sociedade, e todo o seu poder de transformação. Atualmente, se prepara para sua primeira exposição individual, que será apresentada com obras inéditas na recém-inaugurada Galeria Acaiaca, no centro de Belo Horizonte.
.