Revista Encontro

MINEIROS DE 2025 - AGRONEGÓCIO

Dario Colares mantém viva dedicação centenária ao mangalarga marchador

Neto de fundador da ABCCMM, criador de terceira geração construiu trajetória entre pistas e fazendas e hoje projeta o futuro da principal raça de marcha do país

Alessandro Duarte
Dario Colares, criador de terceira geração, tem trajetória ligada à história da ABCCMM e ao desenvolvimento da raça no Brasil - Foto: Pádua de Carvalho
Recém-eleito presidente da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM), Dario Colares, o Dario da Catuni, conta com orgulho a história de seu avô materno, Nozinho Colares, que já criava éguas marchadeiras para atender o sul da Bahia nos anos 1920, duas décadas antes da fundação da associação. Seu Nozinho, nome célebre no agronegócio do estado, principalmente no norte de Minas, fez parte da gestão inaugural da ABCCMM, como vice-presidente. “Foi ele quem registrou o primeiro cavalo da raça, o Catuni Oriente”, lembra Dario. Anos depois, seu pai, João Carlos Moreira, também foi eleito para a diretoria da ABCCMM. Essa tradição entre os criadores da raça tipicamente brasileira - conhecida por seu comportamento ágil e vigoroso e o temperamento dócil e ativo - foi o mote de sua vitoriosa campanha para a presidência da associação, em novembro.
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A última eleição foi a primeira em que concorreram três chapas à diretoria da ABCCMM. Também foi a estreia do sistema de votação eletrônica, o que fez a participação de eleitores disparar. No pleito de 2025, participaram 5.385 associados, um número mais de 50% superior ao registrado na eleição de 2021. Apesar de ter sido uma disputa acirrada, Dario, que recebeu o apoio da presidente Cristiana Gutierrez, teve mais votos que a soma de seus adversários: 53,31%, contra 30,82% do ex-presidente Daniel Siriema e 15,87% do advogado Marcelo Tostes. Aos 68 anos, ele confessa que, à princípio, resistiu à indicação de Cristiana para concorrer à sua sucessão. “Eu nunca havia tido essa pretensão, mas, conforme o registro da chapa se aproximava, passei a receber telefonemas de apoio de criadores de todo o Brasil”, conta ele, que já foi do quadro de árbitros da associação. “Vi que era importante não só avançar, mas preservar as vitórias conquistadas pela gestão da doutora Cristiana, que alcançou 81% de aprovação.” 
 
QUEM É 
  • Eleito em novembro presidente da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM), para o mandato 2026/2029, com 53,31% dos votos 
  • Formado em administração pela Universidade Fumec, com especialização em finanças e gestão. 
  • É presidente do conselho administrativo do Sicoob Credinor, cooperativa de crédito criada na década de 1980, presente em 25 cidades, do centro ao extremo norte de Minas, e oeste e sudoeste da Bahia
  • Um dos proprietários da Fazenda Santa Helena, no município de Francisco Sá, no limite com Montes Claros, no norte de Minas

Atualmente, a ABCCMM conta com mais de 28 mil associados ativos, mais de 50 núcleos e associações regionais de criadores espalhados por todo o Brasil e representações no exterior. São realizados anualmente cerca de 300 eventos oficiais pelo país, além de 350 leilões. Considerado o maior evento privado da capital mineira, a Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga Marchador, realizada tradicionalmente no mês de julho, reúne aproximadamente 1,6 mil animais e recebe em torno de 200 mil visitantes. Entre as propostas para sua gestão estão a valorização dos criadores, com a realização de cursos de capacitação; desenvolvimento contínuo da raça; incentivo a provas e cavalgadas; ampliação de mercados; fortalecimento do Portal da Transparência; e a transformação do Parque da Gameleira em centro de excelência do Marchador. 
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Desde julho de 2025, a ABCCMM assumiu a gestão e operação do Parque de Exposições Bolívar de Andrade, o Parque da Gameleira. Um dos desafios da nova gestão é transformar o espaço de 9 hectares, no coração de Belo Horizonte, “na vitrine do agronegócio mineiro”. “Queremos levar para dentro do parque não apenas eventos, mas uma pesquisa de excelência, com pista multiuso, auditório para preparação de peões e criadores e espaço para equoterapia”, diz Dario. Segundo ele, o mangalarga marchador é uma “pérola” e sua importância tem sido reafirmada em visitas a associações de criadores na Europa, nos Estados Unidos e na América do Sul. “Precisamos pensar hoje como será a raça daqui 20 anos.”

A paixão da família Colares pelo mangalarga marchador não pára na terceira geração de criadores. Os filhos de Dario, Gabriel, de 38 anos, Cyro, de 35, e Anna, de 33, herdaram do pai, do avô e do bisavô a mesma afeição pela raça. “Não há satisfação maior do que chegar na fazenda, escolher um animal e montar”, afirma o novo presidente da ABCCMM. 

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