Revista Encontro

MINEIROS DE 2025 - MEIO AMBIENTE

Júlia Bonitese: a voz da nova geração mineira na luta pelo clima

Aos 13 anos, a ativista representou Minas na COP30 em Belém e fortalece o projeto Pequenos Protetores do Planeta para conscientizar crianças e adolescentes

Neide Magalhães
Júlia Bonitese foi a única jovem mineira a participar oficialmente da COP30, em Belém do Pará - Foto: Paulo Márcio
Aos 8 anos, ela descobriu, em uma aula de ciências, que precisava fazer alguma coisa pela preservação da natureza e a crise climática já rondava a cabeça da menina que ama cachoeiras, árvores, bichos e parques – e faz de sua preocupação uma luta bonita e verdadeira. Agora, aos 13, fala com a autoridade de uma adolescente que sabe tudo o que diz. E também já enfrenta, com a mesma sabedoria, as consequências de ser uma ativista ambiental em um mundo desinformado e misógino como o nosso. Mas, felizmente, também já colhe os frutos de seu trabalho para as futuras gerações de crianças e adolescentes, incluindo, claro, a dela e a da irmã, Mariana, de 7 anos. Júlia Bonitese foi a única mineira a participar oficialmente da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), realizada em novembro, em Belém do Pará. 
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Convidada pela organização alemã Plant for the Planet, da qual é embaixadora da Justiça Climática, fez uma palestra no Diálogo Intergeracional de Alto Nível para Crianças e Clima, ao lado de representantes de nacionalidades diversas e da diretoria da COP30, e participou de outras atividades, em quatro dias. A experiência fez com que ampliasse sua “percepção da mudança climática no mundo todo”. Também fez muitos contatos e voltou ainda mais disposta a levar mais além seu projeto Pequenos Protetores do Planeta (PPP), criado em 2021, no Instagram (@projeto.ppp). “Comecei a chegar mais onde quero: conscientizar crianças e adolescentes e fazer mais palestras em escolas”, diz. Mas, ela afirma, é um caminho longo e difícil. Resiliente, como conta sua mãe, Karina, Júlia não desiste dos obstáculos. E nem se deixa desanimar pela falta de apoio público a seu papel, pouco valorizado, já que foi representante de Minas na COP30. “Minas Gerais é meu berço de ativista”, diz.  
 
QUEM É
  • Estudante de 13 anos é ativista ambiental desde os 8 e foi a única jovem mineira a participar oficialmente da COP30, em Belém do Pará 
  • É embaixadora da Justiça Climática pela organização alemã Plant for the Planet e consultora da suíça Child Rights Connect 
  • Criou o projeto Pequenos Protetores do Planeta (PPP), para difundir informações e ações práticas em prol do meio ambiente por meio de palestras e bate-papos, ao vivo e nas redes sociais
 
 
As propostas da estudante incluem levar informação/conscientização a outras pessoas e incentivar atitudes práticas e simples que ajudam o meio ambiente, como não jogar óleo na pia. “São dicas e ideias. Cada ação conta. Se dentro das comunidades cada um fizer um pouco, já ajuda muito”, diz. Outra preocupação de Júlia é lutar contra o que chama de “racismo ambiental”: “Pessoas com condição financeira mais baixa sofrem mais, porque não têm moradia segura e o esgoto é a céu aberto. Quem sofre mais costuma ter mais consciência, mas não tem recursos para mudar isso”, lembra. Júlia explica que o lema de seu projeto – “É preciso conhecer para desejar proteger” – combate, por isso mesmo, a desinformação e propõe ações do dia a dia. “Não se trata de uma defesa política nem de uma causa vazia”, diz Karina. “É o planeta, a casa de todos, e o ativismo é para o outro”, completa.  
 
Júlia faz de sua missão em defesa da natureza uma atividade diária de sua vida. Ama ir a lugares como o Parque das Mangabeiras e a Serra do Cipó. Sonha em ver criada em BH a Câmara Mirim, “como em São Paulo, para que as crianças participem das decisões” que as envolvem; e ver mais espaços para brincar na cidade – “faltam em BH lugares para as crianças brincarem e terem contato com a natureza” – e “escolas mais verdes”. Os planos futuros desta ecologista são participar de movimentos como a conferência da ONU, interagir com pessoas de outros lugares que lutam pelo clima e conhecer lugares como a Alemanha, sede da Plant for the Planet, e a Suíça, sede da Child Rights Conect, de que é consultora. Enquanto se divide entre os estudos, no Colégio Santa Maria, e seu projeto, ela faz o que mais gosta; ler, desenhar, pintar, andar de bicicleta e ter contato com animais. Quando crescer, talvez seja jornalista, mas ela ainda tem um longo caminho pela frente até decidir sua profissão. Um caminho verde, com água limpa, ao ar livre e a natureza ao alcance de todos.   

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