Os pedidos de socorro foram parcialmente atendidos, com a aceleração do fim dos incentivos aos importados elétricos e com o programa do “automóvel sustentável”, que, no frigir dos ovos, só fez cócegas e muito pouco ajudou no propósito fazer frente aos chineses. O tempo, sempre senhor da razão, mostrou que a estratégia do choro estava equivocada e as montadoras tradicionais, para não perder mais mercado, concluíram que o melhor seria concorrer trazendo os seus próprios chineses, em parcerias e/ou joint ventures, com outras marcas do país oriental.
. O resultado é que hoje, 12 meses depois, as marcas chinesas presentes no mercado brasileiro saltaram de quatro para 15; algumas chegando de forma independente e outras em parceria com os fabricantes tradicionais. Entre as parcerias destacam-se a Leapmotors com a Stellantis; o Spark produzido na China pela SAIC-GM-Wulling (SGMW) com a Chevrolet; e a Geely com a Renault. A justa e compreensível cobrança pela nacionalização desses importados chineses ecoa em Brasília, principalmente pela voz da Anfavea, a associação dos fabricantes. A BYD e GWM inauguraram suas linhas de montagem na Bahia e São Paulo, nas antigas unidades industriais da Ford e Mercedes Benz, respectivamente. A Chevrolet escolheu o galpão industrial que era da Troller/Ford no Ceará, onde, segundo anunciou, já iniciou a montagem do Spark. A Stellantis, por sua vez, anunciou que irá montar os modelos da Leapmotor na fábrica pernambucana da Jeep em Goiana. Agora é acompanhar a evolução e cumprimento desses anúncios e promessas.
. No balanço do ano até o mês de novembro, a Anfavea revela que as previsões do início do ano para o fechamento de 2025 terão de ser revistas, com resultados inferiores ao crescimento previsto inicialmente. “Ainda estamos com uma produção acumulada 4,1% mais alta do que nos primeiros onze meses de 2024, mas esse crescimento está muito abaixo do que havíamos projetados para 2025, o que vem nos colocando em estado de alerta nos últimos meses”, afirmou Igor Calvet, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.
. Dedução no IRPF
O preço dos veículos automotores no Brasil é elevado, principalmente em decorrência dos altos impostos incidentes que, em alguns casos, representam quase 50% do valor final pago pelo consumidor. Em recente reunião com líderes da indústria automotiva no Salão Oval da Casa Branca, com a presença inclusive de Antonio Filosa, da Stellantis, entre outros, que lá estavam em sinal de apoio e agradecimento às medidas adotadas por Donald Trump para alavancar a produção e venda de veículos nos Estados Unidos, o presidente comentou uma criativa medida adotada de incentivo às vendas. A iniciativa permite que os valores dos juros pagos pelos consumidores que compram seus carros com financiamentos sejam deduzidos na declaração do imposto de renda anual dos norte-americanos. É um incentivo que afeta minimamente a política fiscal e pode aliviar de forma representativa no bolso do consumidor. Fica a ideia para o governo brasileiro.
. Principais marcas chinesas presentes no Brasil:
- BYD: líder em vendas de carros elétricos e híbridos, com modelos como Dolphin, Song, Yuan Plus e Seal.
- GWM (Great Wall Motors): com modelos como Haval H6, Ora 03 e Tank, focando em SUVs híbridos e elétricos.
- Caoa Chery: com modelos como Tiggo 5X, Tiggo 7 e Arrizo 6
- JAC Motors: presente no Brasil desde 2011, com modelos como E-JS1 e Hunter
- Geely: retornando ao Brasil em parceria com Renault
- Leapmotor: em parceira com Stellantis, prometendo trazer SUVs elétricos
- Omoda e Jaecoo: marcas do grupo Chery, focando em SUVs e elétricos.
- Neta: com modelos elétricos, mas com futuro incerto no Brasil.
- Zeekr: marca premium do grupo Geely, com elétricos sofisticados.
- GAC: com modelos como GS4 e Aion V, focando em SUVs e elétricos
- Denza: marca premium da BYD com o Z9GT, D5 e D9
BYD entra no segmento premium com a Denza
Os modelos da Denza, marca premium da BYD, que é uma das novas entrantes no mercado brasileiro, se diferenciam pela adoção de materiais nobres, acabamento premium, plataformas inteligentes, suspensões ativas inteligentes e sistemas envolventes de interação com a tecnologia acessível na ponta dos dedos. O primeiro modelo disponível no país é o Denza B5, por R$ 436 mil, um SUV off-road híbrido premium. Com uma motorização combinada de 1.5 turbo a gasolina e dois motores elétricos, o SUV híbrido plug-in entrega até 677 cv e 760 Nm de torque, acelerando de 0 a 100 km/h em cerca de 4,8 segundos. O modelo, que se qualifica como um verdadeiro off-road, é apoiado pela plataforma híbrida DMO e oferece tração integral 4x4, três bloqueios de diferencial e 16 modos de condução diferentes. A marca também anunciou, durante o Salão do Automóvel de São Paulo, os preços de futuros modelos, Denza Z9 GT, por R$ 650 mil e a van executiva de luxo D9, por R$ 800 mil.