Revista Encontro

MINEIROS DE 2025 - JUSTIÇA

Paulo de Tarso propõe um Ministério Público mais próximo do cidadão

Primeiro promotor a chefiar o MPMG, o procurador-geral detalha uma gestão baseada na interiorização, inovação responsável, uso de dados e foco em resultados

Daniela Costa
"Modernizar por modernizar não resolve. É preciso que a inovação chegue à ponta e melhore a vida do cidadão", resume o procurador - Foto: Camila Soares e Eric Bezerra/MPMG/Divulgação
Primeiro promotor de Justiça a chegar à chefia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o procurador-geral Paulo de Tarso Morais Filho traz na própria trajetória a chave para compreender o sentido de sua gestão. Antes de ocupar o cargo máximo da instituição, ele percorreu o interior do Estado, viveu o cotidiano das pequenas comarcas, enfrentou escassez de recursos e aprendeu, na prática, que a Justiça só cumpre seu papel quando consegue alcançar pessoas reais, em territórios reais. Ao relembrar a passagem por cidades como Rio Pardo de Minas, Taiobeiras, Salinas, Itaguara, Abre Campo e Itabira, além do conhecimento administrativo acumulado em longos períodos na Chefia de Gabinete, Paulo de Tarso relata que foi longe dos escritórios centrais, no contato direto com as comunidades, que se formou sua visão institucional. 
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A modernização administrativa, diz ele, não se sustenta sem critérios técnicos, transparência e foco em resultados. “Modernizar por modernizar não resolve. É preciso que a inovação chegue à ponta e melhore a vida do cidadão”, resume. Essa visão orienta os pilares de uma gestão marcada pela interiorização, integração entre atuação finalística e apoio institucional, e a criação de processos que facilitem o trabalho diário de promotores e servidores, inclusive com o uso responsável de novas tecnologias.
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QUEM É 
  • Primeiro promotor de Justiça a assumir o comando da instituição imprime à gestão um olhar inovador, que alia tecnologia, escuta dos territórios 
  • Após seu primeiro ano no cargo, trabalha com o desejo de ser lembrado por um Ministério Público mais próximo do cidadão 
  • Em 2025, lançou o programa MP Inteligente, que incorpora Inteligência Artificial aos fluxos de trabalho, agilizando a elaboração de denúncias, entre outros
 
Entre os avanços concretos, Paulo de Tarso aponta o fortalecimento do enfrentamento ao crime organizado.  Realizada em setembro, a Operação Custos Fidelis tornou-se um marco dessa atuação, simbolizando o compromisso do órgão com o combate direto e estruturado às organizações criminosas. 
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A modernização orientada por dados e tecnologia é outro marco de sua gestão. Com o lançamento recente do programa MP Inteligente, a instituição passou a incorporar Inteligência Artificial aos fluxos de trabalho, agilizando a elaboração de denúncias, representações e arquivamentos, além da transcrição de audiências e da integração de bases de dados. Ainda assim, ele destaca. “Para nós, é inegociável a supervisão humana, a proteção de dados e o respeito absoluto às leis e aos princípios éticos”, afirma.
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Questões centrais da história recente de Minas Gerais foram incorporadas à agenda. Um exemplo é a criação do Núcleo de Acompanhamento de Reparações por Desastres (Nucard), dedicado exclusivamente a coordenar e fiscalizar o cumprimento dos acordos firmados após os rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho. “Não se trata apenas de fiscalizar contratos, mas de garantir que a reparação chegue a quem sofreu o impacto e se traduza em resultados concretos”, destaca.
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A educação infantil também ocupa lugar central na gestão. O projeto Crescer Juntos, voltado à ampliação de vagas em creches, integra uma estratégia de longo prazo. “Prevenir é tão importante quanto reprimir. A exclusão na primeira infância aprofunda desigualdades e produz ambientes de vulnerabilidade que, mais adiante, se refletem inclusive nos desafios da segurança pública”,  afirma o chefe do MPMG. 
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Questões institucionais sensíveis, como a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública e os limites orçamentários impostos ao Ministério Público, também permeiam sua administração. “A persecução penal demanda investimentos contínuos em inteligência, perícia e cooperação. Por isso, regras orçamentárias não podem se tornar obstáculos a investigações complexas”. Ao projetar o fim do biênio, o Procurador - Geral de Justiça revela o desejo de ser lembrado por um Ministério Público mais próximo do cidadão. “Um MP comprometido com as pessoas, sensível às desigualdades, firme na aplicação da lei e resolutivo”, define. 

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