Revista Encontro

Comportamento

Carnaval sem perrengue: dicas para curtir a folia com segurança

De hidratação a planejamento e cuidado com pertences, foliões compartilham estratégias e histórias para aproveitar o Carnaval de BH com conforto e tranquilidade

Lilian Monteiro
Carnaval bom é aquele que rende história: do top arrebentado a um nariz quebrado, foliões narram casos que já passaram na folia e dão as melhores dicas para evitar ciladas e também para apreciar cortesias inesperadas - Foto: Pedro Vilela/Agência I7
Até tudo se acabar na quarta-feira, muita água vai rolar. E muita história vai restar pra contar. Além de encontros, amores e emoções que vão ficar pra sempre na memória do folião, muito perrengue também vai virar anedota. Pois, Carnaval de rua é sinônimo de diversão, mas pode virar uma roubada e ser uma prova de resistência se não for minimamente estratégico ou se não forem tomados alguns cuidados. 
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Para curtir sem sofrer, o mantra é simples: conforto é luxo essencial.
Tênis velho, pochete colada ao corpo ou doleira por baixo da roupa, protetor solar antes do glitter, combinar pontos de encontro com os amigos e uma garrafinha de água sempre por perto fazem milagres. 
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Chegar cedo para pegar o bloco antes da muvuca, saber onde fica o banheiro mais próximo — essa informação vale ouro — e nunca subestimar o poder de um lanchinho no bolso são escolhas sábias.  Assim, você samba, pula, canta e ri até o último batuque, evitando os clássicos perrengues Carnavalescos e garantindo que a única ressaca seja de alegria.
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Carol Guigui, de 44 anos, contadora com MBA em controladoria e finanças, é amante da folia, que tem tudo a ver com sua personalidade festeira e animada. Para levar tudo numa boa e garantir a diversão, Carol se prepara do figurino à alimentação. “Sou baixinha e sempre usei salto alto, mas no Carnaval o tênis é obrigatório para aguentar horas de folia com disposição. Roupas leves, gosto de caprichar, mas que tenha a ver comigo e seja confortável”, afirma.
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“Também costumo me alimentar bem antes de sair de casa e fazer um lanche antes de voltar. É importante repor as calorias perdidas. A hidratação é essencial. Procuro intercalar cerveja com água, o que me ajuda a manter a disposição para aproveitar o dia seguinte. Dou preferência aos carros de aplicativo e o celular fica sempre na cordinha e, quando possível, por dentro da roupa”, alerta.
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Apesar de não ser muito fã da muvuca dos blocos de rua, adora o Bloco da Insanidade, que tem um público de todas as idades e energia especial. “Prefiro os eventos privados, onde tenho mais conforto. Sou micareteira, desde a época do Carnabelô. Hoje, recomendo o Carnaval dos Sonhos, da Trio Produtora. Um evento impecável, da escolha dos artistas à decoração, passando pela comida, bebida e até aquela sensação gostosa de customizar o abadá. Não posso deixar de mencionar o La Baderna, acho que fui a todas as edições, o Baile do Distrital”. 
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Para Carol, depois de inúmeros carnavais, é impossível escolher a melhor edição da folia em BH. “Foram muitos anos incríveis, cheios de folia e alegria, vividos em diferentes fases da vida — solteira, namorando, casada, com filho, com amigos. Nunca deixei de me divertir. Mesmo depois de mais de 30 anos de gandaia, nunca perdi a ansiedade pré-evento. Sempre parece o primeiro”.
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Celebração indígena 
 
O Carnaval é a época favorita do ano para Ana Paula Miguel, jornalista. Para ela, a festa significa energia, alegria e, principalmente, encontro. “Gosto da forma como os blocos conseguem reunir pessoas com histórias de vida, visões políticas, cores e classes sociais distintas, todas dividindo o mesmo espaço com leveza. É um tempo em que as diferenças ficam menores e a convivência se torna mais generosa. Vejo o Carnaval como um período de paz festiva, pulsante, cheia de música e liberdade. É bonito de viver e observar”.
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Ana Paula é do tipo que se joga na folia, muito glitter, fantasia, brilho e disposição. “Começo o dia nos blocos de rua, acompanhando o movimento da cidade desde cedo, e sigo até à noite, nas festas privadas. Digo sempre que o melhor Carnaval de BH é o próximo. A estrutura melhora, os blocos se fortalecem e os foliões se entregam cada vez mais nas fantasias criativas e na ocupação das ruas. É um movimento vivo. E o melhor ponto para curtir é onde estão os amigos e o bloco ou a banda do coração”. O Funducinho do Meu Rei, o Então, Brilha! e o Bloco da Insanidade estão entre os preferidos. Para 2026, ela está curiosa para curtir o Trem dos 11, as voltas do Galera de Belo e do E Saudade.
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Ao montar seu visual, Ana Paula avisa que glitter é regra. “Eu viro o meme do glitter no corpo todo. Escolho looks que tenham a ver comigo e com o clima do dia”. Ela sempre está vestida com acessórios indígenas e explica a razão: “Sou descendente e, além de valorizar meus traços, é uma forma bonita de homenagear minha ancestralidade, um povo que celebra a vida por meio da música, da dança e da festa. Meu primeiro cocar comprei em Olinda, há mais de 10 anos, e de lá para cá fui construindo uma coleção, sempre com peças compradas diretamente de indígenas. Os penachos coloridos combinam com o brilho, com o glitter e com a alegria que o Carnaval carrega”.
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Nariz quebrado na micareta
 
Carol Guigui, contadora especializada em controladoria e finanças - Foto: Arquivo Pessoal “A minha vida de foliona começou cedo, quando eu ainda era criança, nas matinês do Minas Tênis Clube. Já vivi muita história linda, mas também tenho perrengue na lista. O mais hilário foi trombar com um homem em uma micareta e quebrar o nariz. Eu estava tão empolgada (e um tanto quanto tontinha, confesso) que só fui descobrir o estrago no dia seguinte. Me arrependo? De jeito nenhum. O importante é a diversão e ter história para contar. Mas recomendo que tenham cuidado com os excessos. Cuidem-se e se divirtam”. 
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#ficaadica: 
  • Tênis é obrigatório para garantir o conforto
  • Use roupas leves
  • Alimente-se bem antes de sair de casa e evite comer na rua
  • Hidrate-se.
  • Intercale cerveja com água
  • Dê preferência aos carros de aplicativo
  • Celular sempre na cordinha e, quando possível, por dentro da roupa
Senhorzinho do banheiro
 
Os influencers do Casal Mil, a administradora, social media e criadora de conteúdo Luiza do Nascimento, de 31 anos, e Mateus Baranowski, de 41, relações públicas, fotógrafo e videomaker, respondem em coro: “amam o Carnaval”, para eles uma festa “de resistência, de luta, de cor e democrático”. Por dentro de tudo, revelam que os melhores pontos para curtir a folia em BH são o Centro e as regiões próximas, como Barro Preto e Lagoinha, e a Zona Leste, principalmente Floresta, Santa Tereza, Concórdia e Santa Efigênia. E avisam: “Carnaval em BH tem que estar preparado para andar. E com tênis surrado”.
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Luiza e Mateus compartilham um checklist que sempre fazem, itens essenciais que garantem a diversão: snacks, barrinha ou paçoquinha, protetor solar, garrafinha térmica com cordinha, desinstalar app de banco, leva dinheiro físico e só um cartão que exija o uso de senha e andar sempre em duplas ou grupos. 
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Com café e com afeto
 
Casal de influencers Mateus e Lu no Carnaval de rua de BH: em 2026 eles vão maratonar em diversas baterias de blocos - Foto: André de Paiva/Divulgação “Estávamos em um bloco no bairro Concórdia e precisei ir ao banheiro. Não havia estabelecimentos ou banheiros químicos por perto. Avistei um senhorzinho sentado na porta de casa vendo o bloco passar e perguntei, educadamente, se poderia usar o seu banheiro e ele prontamente abriu as portas da casa para mim. Fiquei admirado. Utilizei o banheiro e, na saída, ele ainda me ofereceu um café. Achei incrível. Algo que acredito que só aconteça aqui em Minas Gerais. Ah, aceitei o café de muito bom grado, pois sabemos que é falta de educação recusar comida na casa dos outros”. 
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#ficaadica:  
  • Leve snacks, barrinha ou paçoquinha
  • Protetor solar
  • Garrafinha térmica com cordinha
  • Desinstale apps de banco
  • Leve dinheiro físico e só um cartão que exija o uso de senha
  • Ande sempre em duplas ou grupos
 
ROUBADAS SECRETAS
 
Cada folião tem seu estilo e fases ao longo dos carnavais. A empresária Bele Machado, de 42 anos, dona da Belenia Marketing Esportivo e da página Garota Te Conto Tudo, frequenta bailinhos de Carnaval desde a infância, levada pela mãe, o que a faz carregar um lado afetivo com a folia. Hoje, ela confessa, é uma “foliã light”, seleciona os blocos mais tranquilos, de bairro, além de festas à noite, sempre em paz, cercada pela família ou amigos. “Já tive uma fase intensa. Começava a planejar o Carnaval com um mês de antecedência, pensava em looks para cada dia, mandava fazer fantasias e montava o roteiro completo dos blocos. Vivi tudo isso e foi incrível”. 
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Seja aquela que se acaba na folia ou a que quer curtir numa boa, Bele avisa que tem cuidados que são indispensáveis: “Buchinha de cabelo é essencial; bolsa com alça transversal; sei que muita gente não gosta, mas a pochete é ótima; desabilite a aproximação do cartão de crédito por segurança; hidrate-se o tempo todo, beba água; protetor solar antes de sair de casa e no corpo todo porque, vamos combinar, na folia a gente sempre esquece de reaplicar; e prefira levar ou comprar alimentos feitos na hora ou snacks em embalagens fechadas, como biscoitos”. E para se jogar, Bele alerta que planejamento é tudo. “Saiba a rota do bloco antes de sair de casa, identifique os pontos de apoio como transporte e banheiros; nada de ficar horas andando na rua tentando achar Uber ou táxi. Dê preferência ao táxi e combine o valor antes de embarcar para evitar dor de cabeça”.
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Desta forma, Bele segue curtindo e se encantando com o Carnaval de BH, principalmente pela criatividade. “Tudo é autoral e espontâneo”. E indica folias clássicas que nunca decepcionam: “Carnaval do Mirante pode ir sem medo. O bloco ‘Quem eu Quero Não Me Quer’, no Buritis, e o Baile do Distrital, são boas escolhas”. Quanto às roubadas vividas por ela, garante que foram várias, mas preserva o segredo. “Elas envolvem muitos nomes, então melhor não contar”. O que acontece no Carnaval, fica no Carnaval. 
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Improviso é habilidade 
 
Ana Paula Miguel, jornalista: "nunca perdi a ansiedade pré-evento. Sempre parece o primeiro" - Foto: Arquivo Pessoal “Nossa, passei por alguns sufocos já. Alguns dos mais apertados foram com fantasias. Uma vez, usei uma daquelas máscaras estilo Carnaval de Veneza, comprada em shopping popular, linda… até começar a soltar tinta. Resultado: fiquei com o rosto inteiro rosa, e a tinta simplesmente não saía por nada. Não sabia se ria ou se chorava. Acabei fazendo os dois. Outro clássico são os tops de corrente e miçanga, que sempre parecem resistentes, mas inevitavelmente arrebentam no meio da folia. A dica é simples e salvadora: nunca saia sem um plano B. Tenha sempre um biquíni ou um top básico na pochete. No Carnaval, improviso é habilidade essencial.”
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#ficaadica: 
  • Leve  um kit sobrevivência com um saquinho com lenços umedecidos — que salvam na hora de usar o banheiro —, barrinhas de proteína e chiclete
  • Apague os aplicativos de banco do celular e deixe apenas um, com limite reduzido
  • Nunca se separe do grupo. Se precisar ir ao banheiro, vou sempre acompanhada. 
  • Carnaval é coletivo, cuidar uns dos outros faz parte da festa.
#ficaadica: 
 
Bele Machado, empresária: no Carnaval, planejamento é tudo - Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação 
  • Buchinha de cabelo é essencial
  • Bolsa com alça transversal (muita gente não gosta, mas a pochete é ótima)
  • Desabilite a aproximação do cartão de crédito por segurança
  • Hidrate-se o tempo todo, beba água
  • Protetor solar antes de sair de casa e no corpo todo
  • Levar ou comprar alimentos feitos na hora ou snacks 
  • Saiba a rota do bloco antes de sair de casa
  • Identifique os pontos de apoio como transporte e banheiros
  • Dê preferência ao táxi e combine o valor antes de embarcar para evitar dor de cabeça
Manual Prático de como Curtir a Folia

1 - Use protetor solar, mesmo se tiver chovendo, quando a dica é levar uma capa descartável.
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2 - Hidratação sempre! Tome bastante água.
3 - Leve comidinhas, lanches rápidos e práticos para manter a energia lá no alto. 
4 - Não leve copos e garrafas de vidro
5 - Nada de beber e dirigir: use transporte público ou aplicativo
6 - Mantenha o ambiente limpo, evite jogar lixo e urinar na rua
7 - Atenção com objetos pessoais, celulares, bolsas, documentos. Use doleiras e pochetes
8 - Saiba se divertir, respeite o espaço de cada folião, nada de empurrar ou derramar bebida no outro e cuidado para não pisar em outro folião.
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9 - Não é não: nunca se esqueça. Sem assédio. 
10 - Ande em grupos, perto dos amigos.
11 - Escolha o calçado mais confortável possível, que não seja novo e proteja seus pés. Tênis usado é o ideal.
12 - Cuidado com os locais e/ou ambulantes que escolher consumir comida e bebida
13 - Para quem bebe, seja moderado, invista no esquenta para economizar e toda atenção ao copo, lata ou garrafa para prevenir que coloquem algo em sua bebida. 
14 - Não aceite bebida de estranhos!
15 - Nunca, jamais, se esqueça da camisinha. 

 

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