A médica Natália Chagas Eljaouhari (na foto, com o paciente Carlos Eduardo de Oliveira Agostinho) explica que exames laboratoriais ajudam a mapear a saúde capilar: "Hemograma, função tireoidiana, testosterona, DHT, vitaminas B e D, zinco, ferro e ferritina são fundamentais para entender as causas da perda de cabelo" - Foto: Pádua de CarvalhoQuem disse que é dos carecas que elas (e eles, porque não?) gostam mais? A frase, retirada de uma célebre marchinha de carnaval dos anos 1940, parece ter ficado no passado. Pelo menos para o engenheiro Carlos Eduardo de Oliveira Agostinho, de 53 anos. Há cerca de uma década, ele começou a se sentir desconfortável com o que se passava em sua cabeça (e não no campo das ideias, que fique claro). “Percebi uma perda de densidade nos fios, resultado da alopecia genética. Aos poucos, fui ficando incomodado com minha imagem em fotos, no espelho”, lembra. O mal-estar cresceu até o ponto em que a calvície passou a afetar momentos importantes. “A autoestima caiu, principalmente na vida pessoal.”
O que parecia apenas um incômodo estético acabou se transformando em um divisor de águas. “Já estava insatisfeito com a aparência, e o divórcio foi um fator preponderante para tomar a decisão de realizar o procedimento”, conta Carlos. Após pesquisas e indicações, ele reuniu coragem e, em março deste ano, realizou o transplante capilar na Clínica Capillus New, no Belvedere. Os primeiros resultados começaram a aparecer por volta do quarto mês após a cirurgia. “O cabelo cresceu de forma consistente e com ótima densidade. O resultado superou minhas expectativas”, comemora. Mais do que recuperar os fios, o transplante capilar devolveu ao engenheiro algo ainda mais valioso: a confiança. “Minha autoestima melhorou bastante e estou muito feliz com o resultado”, afirma.
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O dermatologista João Paulo Dinali: "A evolução dos métodos, especialmente com o uso do motor de microextração FUE (Follicular Unit Extraction), fio a fio, revolucionou os resultados, tornando-os cada vez mais naturais e duradouros" - Foto: Pádua de CarvalhoPor muito tempo, a calvície foi encarada como um destino inevitável, um traço hereditário aceito com resignação. Hoje, o avanço das técnicas cirúrgicas e o novo olhar masculino sobre a própria imagem vêm mudando esse cenário. Nesse contexto, Belo Horizonte se destaca como um dos principais polos nacionais em transplante capilar, atraindo pacientes de várias regiões do país. “A capital mineira se tornou uma referência em tratamentos estéticos. Temos excelentes profissionais, uma rede hospitalar completa, boa logística e custos mais acessíveis que centros como São Paulo e Rio de Janeiro ”, diz o médico dermatologista João Paulo Dinali Santos Oliveira, fundador do Instituto Dinali. Experiente, ele afirma que os avanços permitem entregar resultados esteticamente muito mais apresentáveis. “O que se deu principalmente pela demanda dos homens que estão se cuidando mais e buscando solução para uma dor antiga masculina.”
O transplante capilar surgiu a partir de 1939, no Japão, quando o médico japonês Shoji Okuda realizou os primeiros transplantes de pele para tratar pacientes com queimaduras e descobriu que os enxertos continuavam a produzir cabelo. No Ocidente, passou a ser amplamente divulgado a partir da década de 1970. E apesar da maioria dos atendimentos serem voltados ao público masculino, as mulheres que sofrem com rarefação capilar ou desejam redesenhar a linha do cabelo também têm sido beneficiadas. “A evolução dos métodos, especialmente com o uso do motor de microextração FUE (Follicular Unit Extraction), fio a fio, revolucionou os resultados, tornando-os cada vez mais naturais e duradouros”, explica João Paulo.
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Segundo o dermatologista, a alopecia androgenética, conhecida popularmente como calvície, é uma doença genética e hormonal mediada pelo DHT (dihidrotestosterona), derivado da testosterona. “Esse hormônio se liga aos receptores do folículo piloso, afinando o fio até a morte da raiz. Nas áreas onde o folículo já morreu, o tratamento clínico não surte efeito, aí entra a cirurgia”, explica. Contudo, para que o transplante seja indicado, é essencial que a doença esteja controlada. “A primeira regra é ter uma calvície estabilizada. Depois, avaliamos a área doadora e a expectativa do paciente. Não existe idade mínima ou máxima, mas o paciente precisa estar saudável e consciente do processo”, pontua. Atualmente, o procedimento é minimamente invasivo. “Em vez de uma grande incisão, como era feito antigamente, usamos micro bisturis que retiram unidades foliculares de menos de um milímetro. Isso reduz cicatrizes, dores e o tempo de recuperação”, detalha João Paulo.
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O engenheiro Giovanno Araújo Oliveira, de 46 anos, conhece bem a força transformadora de uma decisão: "O procedimento foi tranquilo e a recuperação também. Voltar a pentear o cabelo é uma sensação indescritível"
- Foto: Arquivo pessoalO engenheiro Giovanno Araújo Oliveira, de 46 anos, conhece bem a força transformadora de uma decisão. “Quando era mais novo, usava boné para disfarçar a calvície. Às vezes, evitava fotografias. Tive que aprender a conviver com isso”, conta. O ponto de virada veio quando o irmão passou pelo transplante capilar. “Vi na prática o resultado e decidi buscar uma solução definitiva”, relembra. Giovanno se submeteu ao procedimento em novembro de 2024 e relata que tanto a cirurgia quanto o pós-operatório correram muito bem. O mais impressionante, diz Giovanno, foi não sentir dor alguma. “As pessoas dizem que rejuvenesci e me sinto mais confiante”, relata. Para ele, a decisão foi um importante passo para a reconquista da autoestima. “Voltar a pentear o cabelo é uma sensação indescritível”.
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O papel da tricologia na manutenção dos fios
Em fases iniciais do processo de calvície, onde ainda não ocorreu perda do folículo piloso, o processo pode ser interrompido com o uso de tratamento específico. O transplante ocorre em última instância, por meio da redistribuição de folículos capilares de áreas geneticamente resistentes à queda (como a parte posterior e laterais da cabeça) para áreas que estão com calvície ou pouca densidade. Essa redistribuição é possível porque os folículos doadores mantêm sua característica de não serem afetados por hormônios que causam a calvície, como a di-hidrotestosterona (DHT). O papel do dermatologista especializado em tricologia é essencial. “É ele quem avalia a saúde do couro cabeludo, identifica se realmente se trata de calvície ou outra condição, e define o melhor protocolo de tratamento. Existem alopecias autoimunes que contra indicam o transplante até que estejam controladas”, diz a médica Natália Chagas Eljaouhari, especialista em cirurgia geral e clínica médica, da Capillus New.
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Os exames laboratoriais ajudam a mapear a saúde capilar. “Hemograma, função tireoidiana, testosterona, DHT, vitaminas B e D, zinco, ferro e ferritina são fundamentais para entender as causas da perda de cabelo”, reforça Natália. Segundo ela, as principais causas da calvície ou da rarefação capilar estão relacionadas a fatores genéticos (calvície hereditária), hormonais ou deficiência de nutrientes. Entretanto, existem outras causas como o uso de determinados medicamentos que podem agravar a queda de cabelo, uso de químicas ou procedimentos capilares, estresse físico ou emocional e doenças autoimunes.
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Cuidados antes e depois do transplante capilar
A dermatologista Luiza de Queiroz Ottoni destaca que muitos pacientes que poderiam se beneficiar com tratamentos clínicos não cirúrgicos acabam sendo direcionados para a cirurgia: "Por isso, a importância de buscar bons profissionais" - Foto: DivulgaçãoA médica dermatologista Luiza de Queiroz Ottoni, da Clínica do Cabelo Trikus, destaca que há um movimento de superindicação da técnica, ou seja, pacientes que poderiam se beneficiar com tratamentos clínicos não cirúrgicos acabam sendo direcionados para a cirurgia. “A calvície é uma doença crônica e o transplante não impede a progressão da calvície em outras áreas do couro cabeludo, tendo em vista que o cabelo original pode continuar caindo. Por isso, a manutenção e o acompanhamento médico são fundamentais”, diz Luiza. De acordo com ela, o paciente precisa ser acompanhado com tratamento clínico contínuo que inclui procedimentos como microinfusão de medicamentos na pele (MMP Capilar), terapias regenerativas, exossomos, LEDterapia e laser. Só assim, afirma a médica, o paciente terá a manutenção do seu cabelo volumoso, para que não sofra afinamento com o decorrer do tempo, já que a cirurgia não cura a genética da calvície dos fios não transplantados.
O pós-operatório requer disciplina: "Nos primeiros quatro dias, o cuidado é absoluto. A orientação é não tocar na área receptora, seguir rigorosamente as medicações antiinflamatórias e antibióticas e evitar qualquer impacto", orienta a enfermeira tricologista Natália Fernandes Zazá Fonseca - Foto: Pádua de CarvalhoSegundo a enfermeira tricologista Natália Fernandes Zazá Fonseca, o pré-operatório inclui exames laboratoriais e avaliação de risco cirúrgico. “Na prática, indicamos utilização de shampoo e medicação antifúngica sete dias antes da cirurgia e iniciamos tratamento clínico para calvície o quanto antes”, diz. O pós-operatório, por sua vez, requer disciplina. “Nos primeiros quatro dias, o cuidado é absoluto. A orientação é não tocar na área receptora, seguir rigorosamente as medicações anti-inflamatórias e antibióticas e evitar qualquer impacto. Após uma semana, o paciente já pode retomar boa parte das atividades”, explica. O sucesso do transplante depende tanto da técnica quanto do cuidado do paciente. Se tudo correr bem, a trilha de carnaval pode até mudar: “é quando o vento sacode a cabeleira…”
O roteiro da transformação capilar
Diagnóstico
A queda de cabelo pode ter causas genéticas, hormonais, nutricionais ou emocionais. O primeiro passo é investigar, por meio de exames e avaliação clínica, o tipo de alopecia e se o transplante capilar é indicado.
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Procedimento
Realizado em ambiente cirúrgico, o transplante capilar utiliza técnicas como a FUE (Follicular Unit Extraction), que extrai unidades foliculares individualmente, garantindo resultado natural e cicatrização rápida.
Pós-operatório
As duas primeiras semanas exigem cuidado máximo: não tocar a área receptora, evitar o sol e seguir corretamente as medicações. O resultado começa a aparecer a partir do primeiro mês, evoluindo até os 12 meses.
Impacto emocional
Mais do que estética, o transplante representa autoconfiança. Para muitos homens e mulheres, é o ponto de virada que resgata o bem-estar e a satisfação com a própria imagem.
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