Revista Encontro

Gastronomia

Um rolê por Santê: 7 novos endereços no bairro mais boêmio de BH

Santa Tereza, que foi palco de nascimento do Clube da Esquina, continua carregando a tradição dos botecos clássicos, mas se abre para novos negócios

Carolina Daher
O Andu de Dois fica na rua Gabro, 41 - Foto: Divulgação
No papel, ele é Patrimônio Cultural da cidade. É também patrimônio afetivo para os belo-horizontinos. Poucos bairros no Brasil conseguiram transformar sua geografia como Santa Tereza, na região Leste da capital. Com ruas sinuosas e casas antigas, o bairro carrega muito da história da boêmia mineira em suas esquinas. Diferentemente de outras regiões, que perderam seus quintais com o passar dos anos, Santa Tereza ainda esbanja um charme interiorano. E não estamos falando apenas de arquitetura. A intensa vida comunitária e o conjunto cultural fazem de Santê um lugar a ser explorado com olhos curiosos. 
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Berço do Clube da Esquina, movimento que emergiu na década de 1970 e revolucionou a música popular brasileira, Santa Tereza viu o nascer de Milton Nascimento, Wagner Tiso, Lô e Márcio Borges, Toninho Horta e Beto Guedes. O disco Clube da Esquina (1972) consolidou o grupo mineiro internacionalmente e transformou a bairro em um mito cultural. Antes dessa turma surgir em cena, Santê já era conhecido como território boêmio. Bares, restaurantes, serestas e encontros sempre marcaram suas noites, atraindo artistas, intelectuais e estudantes. É assim até hoje. Rodas de músicas, shows e eventos na praça e blocos de carnaval fazem parte da rotina. “A arquitetura e os sabores de Santa Tereza são o combo ideal para trazer turistas para conhecer a cultura e o lazer na capital mineira”, afirma Maria Clara Fonseca, do Andu de Dois. 
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Nas últimas décadas, o bairro passou por uma revitalização gastronômica. Ao lado de bares tradicionais, surgiram estabelecimentos que apostam em uma comida mais autoral e criativa. “Esses espaços fortalecem ainda mais a vocação boêmia do bairro, trazendo novas experiências e ampliando a diversidade cultural e gastronômica da região”, diz Pablo Maia Barbosa, do Carimbó. Nada capaz de descaracterizar ou fazer com que a região perdesse sua identidade. Muito pelo contrário, a cada nova casa, o velho e bom Santê fica ainda melhor. E mais charmoso. 
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Fizemos uma lista com sete novos endereços no bairro mais boêmio de BH e que você deve conhecer. Ah! E eles ainda deram dicas também dos seus espaços preferidos da Velha Guarda. É só chegar. 
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Andu de Dois
 
O Andu de Dois foi pensado para celebrar e exaltar a cultura geraizeira com seus ingredientes como pequi, andu, maxixe, carne de sol e baru - Foto: DivulgaçãoO nome é uma alusão ao prato Baião de Dois. O andu ganha protagonismo por ser um feijão muito utilizado na região do Norte de Minas. “Também fala sobre nunca estarmos sozinhos”, diz Maria Clara Fonseca, que comanda o Andu de Dois ao lado do também chef Hernane Souto. Eles se conheceram na faculdade de gastronomia e resolveram montar um negócio juntos. Primeiro, atendiam apenas pelo delivery, vendendo marmitas congeladas, ingredientes e produtos vindos do norte do estado. Em junho de 2025, inauguraram o espaço aberto ao público. O restaurante fica localizado em uma casinha abençoada. “Descobrimos que as missas eram realizadas ali enquanto a igreja de Santa Teresinha era construída”, explica a sócia. Formada em arquitetura, Maria Clara fez o projeto e todos os adornos e enfeites foram dados de presente por familiares, amigos e clientes. 
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Nascida em Mirabela, localizada a pouco mais de 60 quilômetros de Montes Claros, a arquiteta-chef sentia muita falta de ver a comida do seu território mineiro ocupar espaço nos cardápios da capital. O restaurante foi pensado para celebrar e exaltar a cultura geraizeira com seus ingredientes como pequi, andu, maxixe, carne de sol e baru. “Costumo dizer que é uma mistura perfeita entre a comida mineira e a baiana”, diz a chef, que não abre mão do coentro nos preparos. O prato mais famoso é justamente o que leva o nome da casa, uma versão de baião preparado com arroz com açafrão, andu verde, carne de sol, farofa de pequi e vinagrete de maxixe. Ainda para atender os “órfãos nortistas de Minas”, o cardápio conta com o Sarapatel galinha, feito com coração e fígado fritinhos na manteiga de garrafa com moela molhuda e brioche na chapa. Outro prato que faz bonito é o arroz com pequi, carne de sol frita, confit de tomate e castanha de pequi. Na parte de sobremesas, o Doce da roça é requeijão brulê, docinho de limão cristalizado e doce de leite com pequi.
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Rua Gabro, 41. 
 
Para conhecer ainda mais o bairro: “Para um bom drinque, indico o Fita Bar (Rua Mármore, 30). Já para comer uma comidinha feita no fogão a lenha, o restaurante Fátima Bahia (Rua Salinas, 1375 A). Já o melhor PF é da Gamela (Rua Salinas, 1495).”  

Cais Lab
 
O cardápio do Cais Lab foi desenhado valorizando pratos emblemáticos da cultura belo-horizontina, como torresmo e broa, reinterpretados à maneira da casa - Foto: Divulgação O Cais nasceu em Trancoso, na Bahia. Na verdade, essa história acontece no verão de 2024, quando Felipe Ferreira e Kyria Rodrigues, ceramistas mineiros radicados por aquelas bandas, receberam em seu ateliê as paulistas Carol do Carmo e Letícia Nascimento. Entre uma aula e outra, os quatro decidiram montar juntos um bar na esquina mais famosa de Minas Gerais. “A parceria nasceu de encontro afetivo e criativo, que uniu gastronomia, arte e produção cultural. A agenda está em constante construção, mas semanalmente acontecem oficinas de cerâmica e discotecagem em vinil mantendo viva a memória musical na esquina”, diz a chef Carol do Carmo. A esquina em questão é da rua Paraisópolis com a Divinópolis. Era ali o ponto de encontro de músicos como Lô Borges e Milton Nascimento que ajudaram a criar o Clube da Esquina, um dos movimentos mais importantes da música popular brasileira. O nome Cais é, inclusive, uma referência à música de Milton. A decoração preserva elementos originais do prédio, como a fachada, as prateleiras, o piso e os azulejos da cozinha da década de 1960. Durante anos, o imóvel abrigou a antiga Mercearia do Seu João, personagem ativo no movimento musical nascido ali. Nas paredes e prateleiras, cerâmicas artesanais dividem espaço com discos de vinil e potes de fermentação, elemento marcante na cozinha de Carol. 
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O cardápio foi desenhado valorizando pratos emblemáticos da cultura belo-horizontina, como torresmo e broa, reinterpretados à maneira da casa. A cozinha e o salão são compactos, o que faz da calçada uma extensão natural do bar. A capacidade é de 40 pessoas sentadas. O torresmo é o mais queridinho da clientela, e vem servido com molho de tomates fermentados, vinagrete de amendoim cozido e farofa de broa. Já o prato-assinatura é o Ciclo do Milho, com espetos de moela bem cozida, molho de coalhada caramelizada, húmus de feijão e abóbora, vinagrete de milho e pão de milho. As bebidas dialogam com a cozinha e incorporam processos fermentados em seus preparos. A carta é assinada por Emily, da Verve Destilaria, localizada em Santo Bento do Sul, na serra catarinense. Segundo Carol, a escolha por Santa Tereza foi natural. “O bairro tem identidade forte, tradição boêmia e uma cena cultural pulsante. Belo Horizonte vive um momento de florescimento, com novos projetos surgindo e casas consolidadas se fortalecendo. A boêmia ganhou novos contornos, misturando tradição e renovação.”
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Rua Divinópolis, 215. 
 
Para conhecer ainda mais o bairro: “Além do tradicional Bar do Orlando (Rua Alvinópolis, 460), referência histórica de Santa Tereza e parte fundamental da sua cultura boêmia, fomos ao Bar da Lili (Rua Quimberlita, 254) e provamos a melhor coxinha de BH. O atendimento é espetacular

Distrito Pizza
 
A Distrito é uma pizzaria autêntica napolitana, com algumas redondas com um toque bem mineiro - Foto: Victor Schwaner/DivulgaçãoA casa abriu as portas para o público em junho de 2025. Antes, funcionava apenas por delivery. A Distrito é uma pizzaria autêntica napolitana, com algumas redondas com um toque bem mineiro. “Nosso espaço foi pensado para que as pessoas se sintam em uma cantina italiana. Ambiente acolhedor para curtir boas companhias, tomar um bom vinho e compartilhar uma mesa cheia de comida boa”, diz Rosi Benini, que divide a sociedade com o marido, Adriano Ferreira, e o chef Gabriel Bueno. A ideia de ter uma pizzaria veio durante a lua-de-mel, em 2018, quando o casal se apaixonou – pelas pizzas italianas. Foram cinco anos de estudos até que eles resolveram trocar suas carreiras na área de tecnologia pela de gastronomia. 
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As massas são fermentadas por, no mínimo, 48 horas, feitas com farinha 00 e assada a aproximadamente 450º C por 90 segundos. “Essa alta temperatura faz com que a água da massa evapore rapidamente, formando a borda alta e aerada típica do estilo. Outra característica marcante são as pintas de leopardo, as manchinhas escuras causadas quando o calor intenso do forno encontra uma massa bem fermentada e maturada”, explica Rosi. Entre as tradicionais, estão Margherita e Pepperoni e outras diferentonas como a Costelinha defumada com abacaxi assado e pimenta biquinho. Há ainda uma sessão dedicada a pizzas veganas, como a de pesto de baru e funghi defumado. “Desde o começo queríamos valorizar a culinária mineira e os pequenos produtores locais. Trabalhamos com ingredientes artesanais mineiros, tanto nos sabores tradicionais quanto nos veganos. Queijos e embutidos são todos produzidos em Minas”, diz Rosi. 
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A pizzaria funciona na casa do avô de Gabriel e guarda muitas das suas memórias de menino. “Santa Tereza está se renovando. Muitos estabelecimentos vêm trazendo uma pegada nostálgica, resgatando os casarões antigos e seus detalhes. Lugares como o Andu de Dois, a Villa Veg, a Casa Umbigo e o Teresa Café reforçam essa atmosfera”, comenta a sócia. Toda quinta, a casa oferece rótulos de vinho a R$ 50 a garrafa, incluindo uruguaios e portugueses. Com capacidade para 40 pessoas, abre de terça a domingo. 
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Rua Gabro, 90. 
 
Para conhecer ainda mais o bairro: “A Mercearia do Hubert (Rua Mármore, 178) faz parte da história do bairro e tem produtos deliciosos, desde os queijos até os assados aos finais de semana.”
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Dona Ninguém
 
O cardápio do Dona Ninguém junta a tradição da comida de boteco com uma pitada especial das raízes libanesas da chef Carolina Mourad - Foto: Pádua de CarvalhoO bar nasceu de um misto de inquietação profissional e desejo profundo de pertencimento. É assim que Carolina Murad, chef e sócia do Dona Ninguém, explica a criação do estabelecimento em setembro de 2024. Junto com Taís Rocha (elas trabalharam juntas em um bar), ela começou a relembrar bares importantes que existiam em Belo Horizonte, espaços de acolhimento principalmente do público LGBTQIA+. “Lugares onde nos sentíamos em casa, não só como visitantes, mas como parte fundamental da cena. Lugares que podíamos ser inteiras, sem medo”, diz Carolina. E é esse espírito de acolhimento e segurança que norteia o Dona Ninguém. 
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O ambiente é intimista, despretensioso e vivo. A casa fomenta cultura por meio da arte, dando visibilidade ao trabalho de outras mulheres. É assim também na escolha dos fornecedores. Uma das paredes tem a imagem de uma mulher assinada pela artista Mag. Também há uma pintura de Anna Brandão. Presentes de clientes e amigos vão preenchendo aos poucos os espaços, tornando a decoração viva e coletiva. “Escolhemos Santa Tereza porque ele traduz exatamente o espírito que queríamos dar ao bar. É um bairro com identidade forte, ligado à arte e à história cultural da cidade”, diz Carolina, que acredita que o bairro está vivendo um novo ciclo boêmio. “Existe um encontro interessante entre tradição e renovação, a memória construída ao longo dos anos dialoga com novos olhares, novas pautas e outras formas de ocupar a cidade. Esse movimento me parece mais diverso e consciente, com maior valorização de iniciativas autorais, independentes e comunitárias”, completa. 
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O bar tem alma mineira. O cardápio junta a tradição da comida de boteco com uma pitada especial das raízes libanesas da chef Carolina Mourad. Ela cuida da cozinha junto com a chef Thalita Salmach. “Também era essencial oferecer boas opções vegetarianas e veganas, não apenas como alternativa, mas como parte central do cardápio”, explica Carolina. Um exemplo disso é a Cestinha de banana-da-terra, molho de tomate confit, cogumelos salteados e cebola crocante. Entre os pratos mais pedidos da casa estão o Pão com linguiça, servido com vinagrete, requeijão de raspa e molho de jabuticaba; e o Rosbife com maionese de batata e bacon. Há também o trio de antepastos. Por R$ 42, o cliente pode escolher entre algumas opções como conservas de jiló, quiabo, azeitona e pasta de pimentão, cogumelos salteados e coalhada. De acompanhamento, pão árabe. Aos domingos, tem almoço com duas opções, sendo uma vegetariana. Há comidinhas confortáveis que lembram encontro de família como lasanha, frango assado com maioneses, galinhada e parmegiana. Graças a uma parceria com o chef Salathiel Meneses, natural do Amapá, vira e mexe aparecem no cardápio receitas como ceviche de manga com cupuaçu e lombo de pirarucu com molho de cupuaçu e cuscuz de farinha d’água. 
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A carta de drinques foi elaborada por Joel Limeira, Amanda Lima e Zadra e conta com clássicos e coquetéis autorais. O Dona Jaque (Joel Limeira) é a combinação de Jack Daniel’s, licor de gengibre, Jägermeister, xarope de mel, limão e cardamomo. Amanda Lima criou o Mi Uva: vodca, uva verde, limão, hortelã e vinho tinto. Já a Marguerita de Zadra é uma releitura com tequila, xarope de maracujá, passata de tomate, limão, sal e pimenta-do-reino, servido com borda de sal e páprica picante e guarnição de queijo. 
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Rua Hemílio Alves, 142. 
 
Para conhecer ainda mais o bairro: “Sem dúvida, o Bar do 1000ton (Rua Mármore, 825). É um clássico, com prexeca (bolinho de carne) de respeito, cerveja barata e jukebox”

Carimbó Frutas Nativas 
 
O restaurante funciona em uma casa de esquina, no encontro das ruas Dores do Indaiá e Bocaiúva, com mesas na calçada e uma bela vista para a Serra do Curral - Foto: Pádua de CarvalhoO nome Carimbó não foi escolhido por acaso. “É uma declaração de identidade”, resume Pablo Maia Barbosa, que comanda o bar com Linda Clara de Oliveira Pontes. O carimbó é um ritmo tradicional da região Norte do Brasil, especialmente do Pará, que carrega uma mistura de influências indígenas e africanas. É uma música de raiz, celebração e encontro. “Ao escolher o nome buscamos o compromisso de valorizar o que é brasileiro, da música aos ingredientes, dos pequenos produtores às tradições regionais”, completa Pablo. 
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O restaurante funciona em uma casa de esquina, no encontro das ruas Dores do Indaiá e Bocaiúva, com mesas na calçada e uma bela vista para a Serra do Curral. O chão é coberto por um piso hidráulico verde e amarelo. Nas paredes rosas, pinturas feitas à mão retratam frutas brasileiras e frases de importantes personalidades, como Darcy Ribeiro, aplicadas em tipografia vernacular. O bar é vibrante. A trilha sonora valoriza ritmos brasileiros - do carimbó à MPB.  É o tipo de lugar ideal para um encontro intimista ou para reunir amigos. No balcão, a equipe apresenta sucos e drinques com frutas nativas, como taperebá, graviola, cupuaçu, cacau. O cardápio segue a mesma linha, exaltando insumos nacionais e sabores que contam a história da nossa terra. No comando na cozinha estão Eduardo Vilela e Ana Carolina Carvalho, que desenharam um menu para ser compartilhável, estimulando uma experiência coletiva. O mais pedido é o Pirarucu frito com creme de vatapá paraense e farofa de granola. Outro que faz sucesso, é o Espaguete de ragu de pato, tomates e casca de laranja confitados. Entre os vegetarianos, bolinho de berinjela com molho de pimentão picante defumado, manjericão e queijo Minas. Na seção de petiscos, torresmo de rolo com chutney de taperebá, pedaços de laranja e raspas de limão; e croquete de cupim com geleia de cacau e pimenta. 
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A marca existe desde 2019, quando abriu a primeira loja no Mercado Novo, no Centro. Chegou em Santê em agosto de 2025. “É um bairro carregado de história e tradição cultural. O clima boêmio, os bares tradicionais, as gerações convivendo nas praças e calçadas criam uma atmosfera viva e afetiva”, diz Pablo. O cardápio não é o mesmo. No Mercado Novo, a casa se restringe em oferecer drinques, sucos e cremes de frutas. Os coquetéis também não fogem da brasilidade, como o Onda Trópica, uma caipirinha cítrica feita de Cachaça de Jambu, taperebá, laranja e limão. 
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Rua Dores do Indaiá, 93.
 
Para conhecer ainda mais o bairro: “Adoramos o Bar do Alemão (Rua Quimberlita, 126). Comer um pastel e tomar uma cerveja na calçada, junto aos moradores da região é uma das experiências mais autênticas para sentir de perto a energia do Santa Tereza.”
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Teresa Café 
 
O nome do Teresa Café é uma homenagem à avó do fundador. É dela que vêm as lembranças de comida boa e mesa farta - Foto: Pádua de CarvalhoO primeiro Teresa Café surgiu em 2020, na Rua Santa Catarina, ao lado do Mercado Central. Com o abre e fecha da pandemia, o negócio não sobreviveu. Apesar de parecer planejado, o Teresa chegou ao bairro por uma mistura de sorte, acaso e destino. “Em 2023, o Teresa Café encontrou o bairro Santa Tereza e foi amor à primeira vista. Abrimos uma portinha na Rua Salinas e a mágica aconteceu. Fomos abraçados pelo bairro e começamos a oferecer pães de qualidade, além das quitandas mineiras. Chegamos a atender 300 pessoas em um sábado tendo apenas seis cadeiras”, diz Rafael da Cruz Alves, que divide a sociedade com Ângelo Andrade e Caruso Santos Rocha, esse o fundador da marca. 
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Depois desse primeiro endereço, que hoje funciona como fábrica de bolos e tortas, o Teresa Café ocupou um espaço maior, onde está até hoje. É um lugar que atende todo tipo de público, com mesinhas espalhadas, chapa funcionando o dia todo e coisas gostosas para levar para casa, como pães, bolos, roscas, vinhos, biscoitos, cachaças e produtos orgânicos. Para comer ali mesmo, o cardápio é extenso. E tem desde pão francês com dois ovos caipiras a sanduíche de frango assado, com queijo Canastra, maionese de cerveja, picles de cebola roxa e alface. 
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No segundo andar fica o “Teresa Lá de Cima”, que serve almoço com saladas, massas e risotos. Por R$ 29, o cliente pode escolher três diferentes tipos de pastas combinadas com sete tipos de molhos. Por R$ 49,90, as opções de risotos são filé com gorgonzola; camarão com moqueca; e tomatinhos com cogumelos. É também onde é servido o brunch, que ali recebe o nome de cafezão reforçado. 
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O nome é uma homenagem à avó do fundador. É dela que vêm as lembranças de comida boa e mesa farta. A casa de dona Teresa, em Papagaios, no interior, era aquela típica casa de avó mineira: cheia de gente, bolo e biscoito na mesa, conversa solta e contação de causos. “Mesmo sabendo que nunca vamos alcançar exatamente aquele sabor e acolhimento, essa é a nossa meta: ter um pouco da casa dela aqui”, diz Rafael.
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Rua Mármore, 391
 
Para conhecer ainda mais o bairro: “É difícil escolher um só — parece que tudo aqui já nasce tradicional. Eu começaria pela esquina do Clube da Esquina (Rua Paraisópolis com a Divinópolis), pegaria essa energia e seguiria para o Orlando (Rua Alvinópolis, 460). Passaria na Mercearia do Hubert (Rua Mármore, 170), comeria um PF na Eskina do Colombo (Rua Mármore, 418) e uma batata recheada no Bar do Nivaldo (Mercadinho Bicalho, Rua Mármore, 556). Para almoço mais cotidiano, o Sheridan (Rua Mármore, 588).”
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Buteco Fiado 
 
Diferentemente da casa original, no Lourdes, o Fiado Santê tem uma pegada mais bar, mais solto e sem burocracias - Foto: DivulgaçãoAos sábados, tem roda de samba. O Fiado, que já existia em Lourdes, acaba de abrir uma segunda unidade em Santa Tereza. “É um bairro forte na arte de botecar, música e cultura. Tem verdade e combina demais com a nossa essência”, diz o chef Djalma Victor, que também é dono do Osso. Diferentemente da casa original, o Fiado Santê tem uma pegada mais bar, mais solto e sem burocracias. “O menu tem mais petiscos, comidas para compartilhar. O clima é mais descontraído e o público vem para ficar, comer sem pressa, conversar e curtir o ambiente”, explica o chef. 
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Os petiscos próprios para serem divididos são os que mais saem, como o Canudinho de carne seca, requeijão de raspa, moranga, couve e limão capeta; e o Filé de sol, com mandioca prensada e manteiga de garrafa. Os tira-gosto fazem uma homenagem aos botecos raiz trazendo releituras como o pastel de carne e queijo e o torresmo. Para fomes maiores, o Galetinho de TV de cachorro assado acompanha arroz biro-biro e farofinha de ovos com bacon. Aos sábados e domingos, a turma se concentra também para almoçar. Entre uma cerveja gelada servida no copo lagoinha e outra, entram as batidinhas que aparecem nos sabores coco com rapadura; amendoim; maracujá com gengibre; e doce de leite. Há também drinques como o Conversa fiada, com limão capeta, cachaça e rapadura. “O bairro está vivendo um movimento muito forte, mais casas chegando, mais gente circulando e valorização da cena de bar e gastronomia sem perder a identidade”, diz Djalma. 
 
Para conhecer ainda mais o bairro: “O Bar do Orlando (Rua Alvinópolis, 460) é o mais antigo de BH. Carrega a história da butecagem e da boêmia da cidade. Imperdível.”

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