Revista Encontro

Cidade

Conjunto JK: entre a utopia moderna, a crise e a reinvenção

Projetado por Niemeyer nos anos 1950, edifício símbolo de BH atravessa décadas de controvérsias, abandono e disputas enquanto busca nova integração com a cidade

Alex de Oliveira
Conjunto Governador Juscelino Kubitschek: nascidos sob o signo da promessa e da controvérsia, edifícios têm histórico de polêmicas e de luta de seus moradores pela preservação correta de um dos marcos simbólicos da cidade - Foto: Pádua de Carvalho
Em 1952, a pedido do então governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek, Oscar Niemeyer (1907-2012) projetou para Belo Horizonte um conjunto habitacional arrojado, em formato de arranha-céu, mas que parecia maior do que a própria cidade comportava à época. O que se anunciava ali, nas bordas da praça Raul Soares, era, entre concreto e vidro, a alegoria de um Brasil que se pretendia moderno e grandioso. Um sonho talvez grande demais para uma jovem capital, que não sofria pressão demográfica nem escassez de terra – o que contribuiu para que a proposta de erguer torres capazes de abrigar milhares de pessoas soasse excessiva, atraindo críticas da imprensa, o estranhamento da população e questionamentos de políticos. Nascia ali o Conjunto Governador Juscelino Kubitschek, simultaneamente sob o signo da promessa e da controvérsia.
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Com uma pegada muito à frente de seu tempo, a dimensão do projeto previa não apenas apartamentos para moradia, mas também estúdios para locação por temporada, que funcionariam nos andares mais baixos da torre A, destinada a funcionar como um hotel, dispondo, inclusive, de elevador exclusivo – sim, nos anos de 1950, o desenho já vislumbrava um tipo de serviço que hoje se tornou popular com plataformas como AirBnb. Projetava-se também a instalação de cinema, teatro, museu, restaurante e esplanadas públicas abertas e integradas à cidade. Em suma, tratava-se de um exercício de futuro, como avalia o arquiteto e urbanista Flávio Carsalade, professor da Escola de Arquitetura da UFMG desde 1982. “O Juscelino Kubitschek sempre foi muito moderno. O que ele pensa para o prédio – assim como quando imaginou o Conjunto Arquitetônico da Pampulha – dizia justamente sobre o futuro”, crava.
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“O que se estava criando ali era quase um bairro vertical, inclusive com comércio e outras facilidades. Mas Belo Horizonte não tinha densidade populacional e nem falta de espaço para que se criasse uma solução como aquela – é até curioso falar ‘solução’, porque não havia um problema a ser solucionado”, situa, lembrando a estranheza que o anúncio daquele empreendimento causou. “Quem seria o morador típico daquele lugar? A quem se destinaria aquilo? São questionamentos que vieram junto daquela coisa da desconfiança do mineiro”, diz Carsalade. 
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O projeto seguiu como um experimento de vanguarda num contexto que ainda não parecia demandá-la. Sensivelmente avançada, soava exagerada. O próprio destino do país contribuiria para esse descompasso. Se o JK simbolizava a ideia de Brasil como promessa grandiloquente – a crença no “país do futuro” –, sua construção arrastada e repleta de impasses antecipava, de algum modo, o refluxo que se instalaria na década seguinte com a ditadura militar.
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Iniciada nos anos 1950, a obra só começou a ser ocupada em meados da década de 1970, quando ainda estava em construção. Nunca houve uma inauguração oficial. O conjunto encalhou por mais de 20 anos, tornando-se ruína inacabada no coração da cidade. E muito do programa original jamais se concretizou: o museu de arte moderna, o teatro, o cinema, o restaurante aberto ao público e as esplanadas concebidas como praças suspensas ficaram no papel ou foram convertidas a outros usos. A promessa de cidade integrada à vida cultural transformou-se, ao longo do tempo, em narrativa de abandono, estigma e resistência.
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Vista aérea da piscina - Foto: ReproduçãoÉ esse percurso sinuoso que ajuda a explicar porque o JK continua a fascinar e a dividir opiniões. Ao longo dos anos, as duas torres não saíram das páginas dos jornais. Acusações de arbitrariedades, relatos de assédio jurídico, deterioração do patrimônio público – o conjunto é tombado pelo município –, além de histórias curiosas e personagens que se tornaram uma espécie de mito – como a síndica Maria Lima das Graças, que, falecida no mês passado, aos 78 anos, havia comandado com mãos de ferro, por nada menos que 40 anos, a administração local – chamaram a atenção do público e da Justiça.
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“Meu primeiro contato com essa história foi com a cobertura do noticiário. A cada vez que saía uma nota sobre o JK, como da moradora que pagou o condomínio com moedas ou da proibição dos cachorros de pisar no chão, eu ficava mais fascinado”, conta o jornalista e podcaster paulista Chico Felitti, que nos últimos tempos vem mergulhando no universo do prédio. “Uns dois anos atrás entrei em contato com um grupo de moradores que estava disposto a falar sobre as suspeitas que recaíam sobre a administração do prédio. E aí começou minha investigação, ali por meados de 2024”, narra. Quando falou com a Encontro, o podcast ainda não tinha título definido, mas já possuía previsão de estreia: “Vai ao ar no fim de março ou começo de abril. Mas só fecha no dia anterior a ir pro ar. Porque histórias reais como essa podem sofrer reviravoltas a qualquer momento”, comenta. 
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Não deu outra. Poucas semanas depois da conversa, dois acontecimentos voltaram a movimentar a história do prédio: em 13 de março, correu pela cidade a notícia da morte da ex-síndica após um período de internação. Dias antes, o atual síndico, Manoel Gonçalves de Freitas Neto, 61 anos – eleito em setembro do ano passado para administrar o conjunto após o afastamento de Maria Lima das Graças, por motivos de saúde –, foi condenado a mais de três anos de prisão em regime aberto por omissão na conservação do prédio tombado e risco ao acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG), que funciona no local. Cabe recurso. 
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Em suma, é causo de sobra e, para o projeto, Felitti contabiliza mais de cem entrevistas e um levantamento de dados inéditos. “O que não falta nessa série é história interessante. Temos de teoria da conspiração a gente fingindo que é um casal para poder morar no JK sem ser importunado”, descreve. Ele faz referência a uma regra do condomínio que obriga que os moradores de um apartamento pertençam à mesma família, sendo parentes de primeiro grau, aceitando no máximo mais um morador que não seja um parente. A ideia é evitar a formação de “repúblicas” – como são chamadas as moradias coabitadas por amigos, conhecidos ou simplesmente roommates por conveniência, como no caso das moradias estudantis. 
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Detalhe que a norma nem sequer está entre as mais polêmicas do prédio, que, por exemplo, já obrigou moradores a carregarem seus pets no colo quando em circulação pelas áreas comuns. A medida foi amplamente criticada e se encaminha até para motivar uma legislação municipal, a Lei Totó, inspirada na luta de um morador pelo direito de sua mãe, uma mulher idosa, circular pelo prédio sem precisar carregar seu pet. A norma, contudo, foi suspensa desde que Maria Lima das Graças deixou oficialmente de ser síndica, em meados de setembro do ano passado.
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Lojas externas, garagem, mercado e rodoviária - Foto: ReproduçãoPara além do enredo quase novelesco, o podcaster enxerga no edifício uma dimensão urbana incontornável. “O JK é gigante não só no seu tamanho, mas também na sua relevância. Está ali, junto com o edifício Chopin (RJ) e o Copan (SP) como um cartão-postal do imaginário do brasileiro”, diz. A menção ao Edifício Copan não é gratuita: o conjunto belo-horizontino dialoga com experiências internacionais de habitação de grande escala e com a própria trajetória de Niemeyer e de Juscelino Kubitschek, cuja carreira política é indissociável do uso estratégico da arquitetura como “efeito demonstração”.
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Um bom pedaço de história

Quem ajuda a contextualizar o JK nesse arco é o arquiteto e urbanista Pedro Morais, doutor em habitação de grande escala e morador do conjunto entre 2004 e 2019. “Do ponto de vista histórico, ele acaba se situando num contexto mundial de proposições modernas de modos de morar e de buscas por tentar resolver a moradia operária no contexto da cidade. O modelo que o Conjunto JK acaba incorporando deriva quase diretamente das propostas de Le Corbusier (idolatrado arquiteto e urbanista franco suíço) para as unidades de habitação na França no segundo pós-guerras”, avalia.
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Morais lembra que, naquele momento, tipologia habitacional e proposta urbanística eram inseparáveis. Concentrar moradias em grandes torres significava liberar o solo para áreas verdes, lazer e circulação. Ao mesmo tempo, o JK já superava, em parte, a rígida setorização de usos da utópica Ville Radieuse corbusiana - plano urbanístico funcional sonhado pelo franco-suíço - ao incorporar comércio e serviços na base e nas galerias. “No próprio JK, no Copan e outros desse tipo, já se incorpora uma ideia do uso misto”, observa. Essa mistura, no entanto, não impediu que a tipologia fosse posteriormente demonizada. “Na medida em que, a partir dos anos 1960, se identificam e são criticados os problemas do urbanismo moderno, essa tipologia edificada acabou sendo banida por muitos anos. Vem daí um pouco desse estigma que persegue esses grandes edifícios, e o JK não é exceção”, avalia.
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As soluções arquitetônicas são marcadamente modernas: pilotis, plantas livres, estrutura independente das paredes internas. “Dentro de um apartamento você consegue demolir todas as paredes e ter uma planta livre, integrada”, ressalta. Mas houve também inflexões. Ao adotar panos de vidro mais próximos do modelo norte-americano, o edifício incorporou desafios climáticos. “Quem mora no JK sabe disso: as fachadas com maior insolação, principalmente as fachadas norte, sofrem com excesso de calor em algumas épocas do ano”. Nos croquis iniciais, lembra ele, havia intenção de criar varandas de proteção solar que acabaram não se concretizando.
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Se no plano formal o prédio sintetiza debates internacionais, no social ele viveu uma trajetória imprevista. Lançado com aura de modernidade e glamour, demorou, como já citado, mais de 20 anos para ser concluído. “Acabou concretizando, meio que sem querer, um complexo gigante de habitação popular, porque se tornou ‘popular’ em vista da desvalorização financeira que sofreu ao longo dessas duas décadas”, situa. 
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A ideia de “cidade dentro da cidade” – com museu de arte moderna, teatro, cinema, quadras e equipamentos coletivos – também foi sendo esvaziada ou redirecionada. “No lugar do museu se colocou uma Secretaria de Segurança Pública, claramente visando o controle social de uma população tão grande e concentrada num edifício só”, contextualiza. O Terminal Turístico, criado nos anos 1980 em articulação com o então nascente Aeroporto de Confins, perdeu o sentido original e se reconfigurou como apoio ao polo de moda do Barro Preto – hoje, funciona também como uma espécie de rodoviária informal, atendendo a empresas que trabalham com viagens em ônibus fretados, como a Buser.
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O estudioso avalia que o tombamento da edificação como patrimônio cultural de Belo Horizonte, em 2022, soube reconhecer essa complexidade. “Seus elementos são muito característicos da arquitetura moderna. Na capital, ele tem importância particular por ser um símbolo urbano marcante”, cita, acrescentando que a autoria de Niemeyer e a inserção do conjunto na trilogia política de Juscelino – Pampulha como prefeito, JK como governador, Brasília como presidente – reforçam a dimensão simbólica. “Sem o Conjunto JK se teria um elo perdido nessa trilogia”, ressalta.
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Mas Morais insiste: um patrimônio não é “bicho empalhado”: “É vivo. É preciso equilibrar as necessidades contemporâneas com a necessidade de preservação”. Isso passa por adequações às normas do Corpo de Bombeiros, atualização de instalações e, sobretudo, por educação patrimonial. “Cartilhas, sinalização, quadros e painéis que expliquem melhor sua importância e despertem maior consciência de todos”, diz. 
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Para ele, a requalificação também envolve reocupar e revalorizar áreas subutilizadas, especialmente na base comercial e na chamada Praça Suspensa. “O JK está localizado num ponto estratégico da cidade. Ele tem potencial de abrigar equipamentos públicos e culturais relevantes”, frisa, indicando que o espaço originalmente destinado ao museu, sob uso da Polícia Civil e atualmente abandonado, poderia ser objeto de negociação e ganhar a destinação para o qual foi vocacionado; o teatro, ocupado pela Igreja Universal, exigiria outra triangulação. “É uma questão de tempo e um processo a ser construído coletivamente”, defende.
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Hall do hotel - Foto: Reprodução 

Mirando o futuro

Essa perspectiva, que mira uma maior aproximação do conjunto com a cidade por meio de equipamentos culturais e espaços de convivência, dialoga com um momento urbano mais amplo, que se pode observar em uma série de iniciativas que tomam a cidade – e sua região central. 
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Desde 2021, por exemplo, o Circuito Urbano de Arte (CURA) realiza intervenções em fachadas de prédios na região da praça Raul Soares – fazendo, do lugar, um mirante de arte de grande escala. O JK, que integra essa paisagem, não passa despercebido por Priscila Amoni, curadora do projeto. “Ele é um ícone da arquitetura moderna brasileira e já nasceu com essa vocação de conversar com a cidade, de ser atravessado pela vida urbana e não ficar isolado dela”, define.
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“Para o CURA, que trabalha justamente ativando o espaço público de forma simbólica e afetiva, o JK sempre foi um sonho. Desde que começamos a atuar na região da Raul Soares, a gente imagina esse edifício mais próximo da nossa programação, porque ele traduz muito essa ideia de cidade viva, misturada, onde moradia, cultura e circulação se encontram. Integrar o JK ao CURA é reforçar essa visão de cidade como espaço de convivência, de arte e de encontro”, completa ela, que atualmente dialoga com a nova administração do prédio a fim de concretizar essa integração. Esta, aliás, não é a primeira tentativa de aproximação. Embora tenha aberto negociações para realizar uma intervenção no prédio na última edição, em 2025, a iniciativa acabou barrada por Maria Lima das Graças, então síndica, que mantinha uma gestão centralizadora e fechada ao diálogo com condôminos ou projetos independentes.
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Padaria - Foto: Reprodução 

E essa sonhada integração não precisa ser apenas pontual, circunscrita ao período de realização do festival. Ao contrário: pode ser perene, seguindo o caminho das novas ocupações do entorno. Casos como o da Galeria São Vicente e de bares e restaurantes que chegam à região, em parte favorecidas pela visibilidade do CURA, reacendem a discussão sobre a utilização das alas públicas do conjunto, como o Terminal Turístico e as esplanadas – por décadas vistas como áreas “abandonadas” ou subutilizadas –, e sobre como reinseri-las de modo mais ativo na vida cotidiana de Belo Horizonte. 
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Passado assombra nova gestão

É nesse contexto – em um misto de expectativa, mas também em meio a turbulências – que o síndico Manoel Freitas assumiu a governança do condomínio, que por mais de 40 anos foi administrado por Maria Lima das Graças. Nesta entrevista à Encontro, a primeira concedida pelo gestor após ocupar o cargo, ele ressalta como sua história pessoal confunde-se com a do prédio. “Não caí de paraquedas no Condomínio JK. Entrei para trabalhar em 4 de outubro de 1988, na função de serviços gerais de faxina e, enquanto trabalhava, fazia cursos profissionalizantes dentro das necessidades do condomínio”, lembra. 
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No conjunto, passou por várias funções enquanto estudou e formou-se em Direito. Com o afastamento da antiga síndica, assumiu interinamente até ser eleito. “Com mais de 30 anos trabalhando no condomínio, me sinto muito à vontade e com capacidade para o desafio que é administrar a cidade do JK”, crava. A metáfora não é hiperbólica: o último censo estimou quase mil moradores no prédio, mas, segundo a administração, considerando visitantes, o número de pessoas circulando ativamente por ali chega a 5.000. “Aqui, qualquer intervenção que para outros condomínios seria considerada ínfima toma uma dimensão monumental”, conta.
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Novo síndico do JK, Manoel Freitas rompe ciclo de silêncio de 40 anos da antiga governança e dá sua primeira entrevista à imprensa: "Não caí de paraquedas no Condomínio JK" - Foto: Pádua de Carvalho 

As polêmicas também estão à altura da mesma comparação: apenas cinco meses após ser eleito síndico em uma assembleia tumultuada, Manoel foi condenado a três anos, um mês e nove dias de detenção por deterioração de bem protegido e por omissão no dever de preservação do patrimônio. A decisão é do juiz Joaquim Morais Júnior, da 1ª Vara Criminal de Belo Horizonte. O magistrado entendeu que, ao longo dos 15 anos em que atuou como gerente do condomínio – portanto, antes de ser empossado como síndico –, o gestor deixou de adotar medidas necessárias para a conservação do conjunto, tombado pelo município, e também da sede do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG), instalada em uma das torres do complexo.
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Na sentença, o juiz apontou como agravante o fato de infiltrações e problemas estruturais terem exposto funcionários e frequentadores do IHGMG a riscos à saúde, devido ao mofo e à umidade persistente, além de colocarem em perigo o acervo histórico da instituição. Apesar da condenação, a pena de prisão foi fixada em regime aberto e substituída por duas penas restritivas de direitos: prestação de serviços à comunidade e pagamento de prestação pecuniária. Além disso, o atual síndico recorre da decisão em liberdade, já que ainda cabe recurso. A sentença também não determinou afastamento automático do cargo – medida pedida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que ingressou com a ação em 2024, sob a acusação de crimes contra o patrimônio cultural, diante do quadro de degradação identificado no edifício.
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O Condomínio JK, como pessoa jurídica, também foi condenado e deverá pagar multa de R$ 300 mil, valor que será destinado a entidade pública ambiental a ser indicada pela Justiça. Procurado, Manoel Gonçalves afirmou considerar a decisão “equivocada” e disse que irá recorrer às instâncias superiores. Paralelamente, o processo envolvendo a ex-síndica do conjunto – que também era ré nesta ação – foi desmembrado e tramita separadamente, em razão de questões de saúde.
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Olhando para frente

Enquanto recorre da decisão, Manoel detalha ações que tem empreendido desde que assumiu a gestão do condomínio. Entre as primeiras medidas, ele cita a modernização dos elevadores, uma demanda antiga dos condôminos. O conjunto possui nada menos que 17. No entanto, apenas nove estão em funcionamento - um avanço em relação ao último ano da antiga gestão, quando eram somente seis. Alguns dos ascensores ainda são da década de 70, período de construção dos prédio.
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Em outras frentes, Manoel cita um novo projeto de paisagismo no hall do bloco A; a impermeabilização da laje do bloco B; a informatização da comunicação com os moradores e a desburocratização das decisões. “Um projeto de reforma, que levava até seis meses para ser liberado, hoje não passa de uma semana”, comenta. A gestão, diz, busca transparência sem onerar os condôminos e maior abertura ao diálogo. “Meu objetivo é que o conjunto alcance o patamar de prestígio que merece. Isso passa diretamente pela alma do prédio, que são os moradores”, promete. 
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O síndico, aliás, se diz obstinado a vencer as desconfianças de críticos da antiga gestão, que o enxergam como espécie de “preposto” da antiga síndica – a quem Freitas evita fazer críticas públicas, mas, ao mesmo tempo, de quem busca afastar sua imagem a partir de decisões que parecem correr na contramão daquelas tomadas por Maria Lima, inclusive no trato com a imprensa. Essa mudança de rumos na gestão do conjunto, avalia Pedro Morais, já produz efeitos internos: “Parece ter assumido com uma mentalidade mais arejada, maior boa vontade para dialogar e escutar os moradores. Já há um clima bem melhor”.
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Entre os projetos em andamento, Freitas destaca a obtenção do AVCB junto ao Corpo de Bombeiros, que atesta que o local é seguro, “um marco histórico para o JK”. Sim, é a primeira vez que o condomínio está totalmente regularizado junto ao Corpo de Bombeiros. Há ainda a ambiciosa impermeabilização das lajes do bloco A, que soma 20 mil metros quadrados, e a recriação das quadras na mesma esplanada. O tombamento, diz ele, acrescenta complexidade ao processo decisório. “É necessário um alinhamento fino com os órgãos de proteção da Prefeitura. Estamos buscando formar uma frente conjunta para preservar e resgatar o prestígio do JK”, reforça.
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Sobre o peso simbólico do cargo, o administrador não se faz de rogado. “Eu vejo o JK como uma das construções mais importantes do Estado e do Brasil, que merece ser tratada à altura”, exalta, indicando ter como horizonte a construção de “um JK vivo, bonito e para todos”. “Um local seguro e aprazível para morar e visitar”, diz. Enquanto isso, o JK continua a provocar fascínio, como atesta Chico Felitti: “Os ouvintes do podcast vão encontrar muita ação, reviravoltas, acontecimentos inacreditáveis – que checamos e são, de fato, reais – e um clima de pequena revolução dentro de um grande prédio”. Revolução talvez seja palavra forte, mas não descabida para um edifício que, desde o traço inicial, nunca foi apenas concreto e vidro.

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