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Como Daniel Ribeiro fez do Grupo Redentor uma referência em BH

À frente de cinco operações na Savassi, empresário aposta em gestão humanizada, expansão contínua e fortalecimento da região

Lilian Moneiro e Neide Magalhães

Daniel Ribeiro, gestor do Grupo Redentor, afirma que meta da empresa é avançar cerca de 20% ao ano; entre os planos, está a inauguração do Braseirito, boutique de carnes que será aberta ao público até o final de 2026, e o projeto de uma casa de parrilla, o Braseiro, ainda sem previsão de abertura - Foto: Paulo Márcio

Esta é a história de quem sabe empreender: ele é o dono do pedaço no encontro das ruas Fernandes Tourinho e Sergipe e praticamente o rei do quarteirão da Fernandes Tourinho com Levindo Lopes, na Savassi, região Centro-Sul de Belo Horizonte. Comanda o burburinho de cinco casas – incluindo dois anexos inaugurados no último ano –, com clientela presente todos os dias da semana: Redentor, Bar da Fila, Moema, Moeminha e Marú fazem parte do Grupo Redentor. São espaços com identidades próprias que têm em comum a assinatura de Daniel Ribeiro, 37 anos, sócio-gestor e principal idealizador dos estabelecimentos mais novos da rede.

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Herdeiro de uma trajetória construída atrás do balcão, o percurso de Daniel é desenhado todo dia, com novidades e ideias que impactam de forma positiva também os seus concorrentes e outros nichos da gastronomia mineira. O movimento que toma conta dos estabelecimentos é constante, reunindo diferentes faixas etárias em torno das mesas. O que começou há mais de 40 anos, hoje se tornou um ecossistema gastronômico que reúne bares, restaurante japonês, marmitaria, estacionamento, novos projetos de varejo e um público que, segundo Daniel, já ultrapassa a marca de 30 mil pessoas por mês. “Tudo começou com o pastel. Desde sempre, foi um negócio relacionado a pessoas, a cuidar delas, a amparar o cliente e acompanhar a evolução do mercado”, diz. O pastel a que ele se refere é um dos petiscos mais pedidos do Redentor, nas versões queijo, carne e camarão.

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Fausto Dias, que está no ramo há mais de 40 anos, conta que o filho revelou vocação para o trabalho ainda na adolescência: "Assumindo o desafio, Daniel se mostrou capaz profissionalmente e muito humano com a equipe. O sucesso das lojas comprova esses resultados". - Foto: Paulo MárcioExtrair a essência do Grupo Redentor é conhecer o trabalho de uma família que tem a veia empreendedora e o gosto pelo servir. Essa jornada começou com o pai, Fausto Dias, e o tio, Antônio Câmera, em 1982, com a pastelaria Pop Pastel (atual Pop Kid), e hoje segue impregnada neste jovem empresário que coloca a “mão na massa”, aliando a técnica administrativa ao lado humano em todos os níveis de comando. Sendo personagem e testemunha de uma caminhada comercial sólida, Daniel cresceu dentro da operação. Aos 14 anos, trabalhou nas férias como garçom (ainda na antiga unidade do Redentor no Shopping Cidade), e aos 16 passou pelo estoque para depois ir para o escritório, até chegar à gestão de salão.  

 

Ele aprendeu fazendo e observando e hoje aplica nos negócios da família uma filosofia que mistura tradição, disciplina operacional e uma atenção quase obsessiva ao cliente: “Sou um gestor que tem a visão da loja, não a de trás do balcão. Minha perspectiva principal é a de quem está atendendo o cliente, de gerente, de lidar com os problemas”, afirma. Essa origem molda sua maneira de administrar. Enquanto muitos empresários enxergam números antes de indivíduos, Daniel faz o caminho inverso: “Numa sexta-feira à noite, a prioridade não é fechar estoque. É resolver o problema do cliente, do funcionário, dar conta do rojão”, diz. 

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Os pastéis do Redentor, que deram início à história do grupo e não podem sair do cardápio: um clássico da cozinha há 23 anos - Foto: Reprodução/InstagramO resultado dessa mentalidade é um grupo que cresceu sem perder a essência. Hoje, são 380 funcionários diretos, chegando a 700 profissionais envolvidos direta ou indiretamente na operação. Um universo que exige gestão, presença e cultura forte. “Temos uma equipe com vontade de cuidar um do outro, com um foco constante em encantar o público sem abrir mão da seriedade no serviço.” No Redentor, por exemplo, o perfil dos frequentadores mudou ao longo dos anos. O estabelecimento, antes conhecido como “bar de cabeça branca e tradicional”, passou a atrair novos públicos depois de mudanças iniciadas em 2011. “Os pais começaram a trazer os filhos. Agora, há pais contando que a filha é cliente do Moema”, conta Daniel. A diversidade também ampliou o alcance das casas. “Conquistamos uma mistura geracional e social muito forte.” 

 

Para Daniel, formado em administração pela Fumec, o cliente quer mais do que comida ou bebida: “É o público que gosta de ser bem atendido, que o garçom chame pelo nome, de ficar à vontade”. Essa cultura também se reflete internamente. O grupo mantém funcionários com 15 ou 20 anos de casa e produz anualmente uma gazeta para contar as crônicas e as novidades da rede (tiragem de 1 mil exemplares), um registro com colaboradores e clientes. Tem ainda investimento nas redes sociais e canal no YouTube, que abarcam o negócio como um todo. 

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Necessidade de crescer 

 

O empresário rejeita a ideia de crescimento por vaidade. Para ele, cada casa nasceu porque a clientela, a operação e a equipe exigiam novos espaços. “O crescimento do Redentor é uma necessidade da corporação, não é uma ambição.” Foi assim com o Moema, que ele criou ‘sozinho’ há três anos. O bar surgiu quando a casa-mãe, que acaba de completar 23 anos, já não conseguia comportar seu público. “As pessoas não conseguiam lugar para se sentar”, lembra. A solução foi ocupar o imóvel ao lado e criar um ambiente diferente, mas conectado à mesma essência: chope bem tirado, atendimento próximo e atmosfera vibrante. “Para sobreviver por anos no mercado, não basta gostar de abrir restaurante, mas sim gostar de tocá-lo. Pegar no chifre do boi e dar consistência ao negócio a longo prazo. E assim fazer a diferença”, diz. 

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Primeira iniciativa individual de Daniel Ribeiro, o Moema é retrato do faro natural do empresário: um bar moderno que não para de inovar e com movimento diário capaz de surpreender até seu próprio criador - Foto: Pádua de CarvalhoO Moema, afirma Daniel, também nasceu para dar novas oportunidades aos colaboradores. “A empresa é formada por pessoas. Elas crescem, o negócio cresce junto. Por isso, a gente nunca vai parar.” O sucesso foi grande e logo veio outra expansão. Mais um ponto comercial ao lado, mais 80 lugares e o nascimento do Moeminha. “Também por necessidade”, diz o empresário. Na sequência vieram novos braços: o Marú, bar japonês que elevou o patamar gastronômico do grupo; o Bar da Fila, criado para resolver o desconforto de quem aguardava vagas na calçada; e a Raiz Marmitas, operação surgida na pandemia e que hoje atende 2.500 clientes por mês. 

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A história da Raiz, aliás, resume bem o espírito do grupo. Durante o período de isolamento social, o delivery do Redentor ganhou força, especialmente com os hambúrgueres. Aproveitando estrutura, equipe e logística, nasceu a ideia. “Foi para otimizar e tentar fechar as contas, literalmente”, revela Daniel. E a iniciativa virou um empreendimento sólido. A produção funciona em um galpão no Prado e há um ponto de venda na rua Grão Mogol (Carmo). Em breve, uma segunda unidade será aberta na Savassi, no quarteirão do Redentor. “Entendemos que era uma boa alternativa para o cliente e para nós. Econômico, prático e saudável.” 

 

Embora evite falar de números, Daniel reconhece que o Grupo Redentor atingiu um patamar raro no mercado brasileiro. “Hoje, somos o maior vendedor de chope Brahma de Minas Gerais e o quarto do país.” Em média, são comercializados mais de 3 mil litros por semana. Até chegar à mesa, a bebida passa por um longo processo. Os barris ficam armazenados na câmara fria do bar, onde descansam por um dia inteiro. Na hora de servir, é usado gás nitrogênio, responsável pela cremosidade nos três dedos de espuma que cobrem os sete tipos de chope disponíveis na casa. 

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O chope acabou virando símbolo da operação, uma espécie de assinatura afetiva do local. “Acredito que somos uma das esquinas mais movimentadas do Brasil e do mundo. É de dar orgulho, falamos de 700 pessoas sendo atendidas ao mesmo tempo. Todo mundo saindo feliz, nenhum copo vazio na mesa, nenhuma confusão, a experiência fluindo.” 

 

Visão contemporânea 

 

Supervisor de gastronomia do Redentor e do Marú, o chef Fabiano Braga afirma que Daniel alia suas raízes à modernidade no dia a dia: "É o estilo da velha guarda, da cobrança, de estar próximo e cuidar do negócio, mas com uma gestão contemporânea, focada em números, tecnologia e humanização. Tem inteligência emocional" - Foto: Paulo MárcioQuem convive com Daniel diariamente costuma destacar justamente essa combinação entre intensidade operacional e visão moderna de mercado. O chef Fabiano Braga, supervisor de gastronomia do Redentor e do Marú, define o gestor como uma mistura de “raiz” e contemporâneo. “A administração dele é a junção desses dois mundos”, diz. “É o estilo da velha guarda, da cobrança, de estar junto e cuidar do ponto, aliado a práticas atuais, com números, tecnologia e humanização. Tem inteligência emocional”, afirma. 

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Fabiano acompanha desde o desenvolvimento de pratos até o controle de Custo das Mercadorias Vendidas (CMV), fornecedores e processos. Também participa das viagens de pesquisa gastronômica ao lado do empresário. No ano passado, foram à Espanha, parte do projeto Moeminha pelo Mundo, e em setembro o destino é o Peru. “Da Espanha ao Rio de Janeiro, viajamos juntos para nos atualizar, buscar fontes novas não só para a culinária, mas para o empreendimento como um todo. Temos uma comunicação transparente, sem filtro e de mão dupla”, diz. 

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Chef executivo do Moema e sócio do Marú e da Raiz, Pedro Mendes ingressou no grupo há seis anos e destaca o cuidado de Daniel com as pessoas: "Ele tem uma estrada de vida inteira no ramo e ama o que faz" - Foto: Paulo MárcioPedro Mendes, chef executivo do Moema e sócio do Marú e da Raiz Marmitas, reforça a dimensão humana da filosofia construída. Há seis anos na corporação, ele conheceu Daniel por amigos em comum e, durante a pandemia, aproximou-se mais, quando prestou consultoria para o Redentor Burguer. “Ele tem uma estrada de vida inteira no ramo e ama o que faz”, afirma. “Criamos a Raiz e me deparei com um ambiente diferente do que normalmente existe no mercado, principalmente na forma de cuidar das pessoas, o que dá vontade de fazer as coisas de maneira correta.” Para o chef, a expansão acelerada só é possível por esse tipo de condução considerada mais humana. “Quem está lá realmente quer ver acontecer, mas tudo é feito de maneira cuidadosa, com estrutura e alinhamento”. 

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Há 10 anos no grupo, o mixologista Tiago Santos não só assina as cartas de drinques das casas como atua na gestão também ao lado de Daniel: "Tudo passa pelo olhar dele, porque se importa de verdade com cada detalhe" - Foto: Paulo MárcioResponsável pelas cartas de coquetéis do Redentor, Moema, Marú e Bar da Fila, Tiago Santos resume o administrador: “Tudo aquilo que a gente faz com amor se torna excelência.” E completa afirmando que a liderança de Daniel Ribeiro é intensa. “Tudo passa pelo crivo dele.” Tiago, que criou cada menu pensado de forma única, ajuda a construir experiências em todas as casas: “Minha trajetória mostra como a coquetelaria pode ser uma extensão da hospitalidade, feita de técnica, identidade, cuidado e memória.” Traços caros para o Grupo Redentor. “O Daniel, como administrador, é a combinação de presença, exigência, tino comercial e amor pelo que faz”, afiança. 

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Com 23 anos de história, o Redentor é uma das choperias mais tradicionais e premiadas de BH: são mais de 3 mil litros da bebida por semana e uma legião de clientes que engloba várias gerações - Foto: Paulo MárcioEm 2016, Tiago entrou no grupo, quando Daniel decidiu investir em coquetelaria para ampliar a experiência do cliente. Desde então, cada operação ganhou identidade própria. Ele explica que no Redentor, “predominam brasilidades e clássicos afetivos”, como a famosa Caipirinha de Três Limões com Rapadura – com cachaça e mix de limões capeta, siciliano e taiti. No Moema, os drinques são mais “cosmopolitas”, como o Madalena (gim Yvy, grapefruit, notas de tangerina, limão e Taijin), o mais pedido da casa. No Marú, “a proposta é sofisticada e sensorial”, como o coquetel refrescante que leva o nome da casa e é feito com gim, uva verde, kiwi, capim-limão, suco de limão, açúcar e alga temperada. Já o Bar da Fila “aposta em uma coquetelaria democrática e descontraída” e as batidas de coco e de pêssego são a cara deste lugar. 

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Novos projetos 

 

O Grupo Redentor segue em expansão. O próximo passo é investir em cortes especiais de carne. Até o fim do ano, será inaugurado o Braseirito, açougue inicialmente voltado para atender às operações da rede nos três primeiros meses. O objetivo é profissionalizar ainda mais o controle do produto, principal custo da cozinha. “Elas representam hoje mais de 60% do nosso gasto com alimentação”, explica Daniel. 

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No Marú, a cozinha asiática ganha força com frutos do mar: bar japonês tem delícias como a Feijoada do Mar e Combinado Maçaricado - Foto: Reprodução/InstagramO projeto prevê açougueiro próprio, embalagem a vácuo e itens diferenciados. “Queremos melhorar a eficiência, a qualidade da mercadoria, controlar o desperdício e facilitar o trabalho da equipe”, diz. Na segunda fase, o Braseirito será aberto ao público com identidade de boutique de carnes e miniempório, onde o cliente poderá consumir chope, vinho e alguns petiscos das casas, como a empadinha do Redentor, o croquete do Moema e frutos do mar do Marú, além de poder saborear um corte grelhado na hora. 

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Já o Braseiro, projeto de parrilla para 180 lugares ao lado do Redentor, segue em desenvolvimento. O imóvel já pertence ao grupo, mas Daniel prefere amadurecer o conceito antes da inauguração. “Queremos nos tornar especialistas em carnes como somos com o chope e no atendimento. E o Braseirito fará esse papel”, diz. 

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Mesmo com tantos planos simultâneos, o empresário fala do amanhã como algo inevitavelmente orgânico. “A empresa precisa continuar evoluindo para não ficar para trás”, afirma. A meta é avançar cerca de 20% ao ano, mas sem comprometer a qualidade ou o controle. “Sem esticar a corda. Não queremos abraçar o mundo e destruir o que já temos.” 

 

O horizonte inclui novos empreendimentos, varejo, aperfeiçoamento gastronômico e até sonhos mais ousados. Um deles envolve produzir os próprios insumos. “Quem sabe daqui a cinco anos vamos querer uma fazenda para fabricar nossos queijos, plantar frutas, criar gado e começar um farm-to-table?”, planeja. 

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Mesmo com a agenda tomada, o atleticano Daniel encontra tempo para o lazer ao lado de amigos e da família. É casado há menos de um ano com a arquiteta Simone Dias, que presta serviços para as casas. Ele se diz um atleta não reconhecido: pratica tênis, futebol, surfe, wakeboard, escalada e é aficionado por trilhas de bicicleta. 

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Enquanto isso, a esquina segue pulsando. “Um dos nossos lemas é: busque a excelência diariamente! Assim vamos estar sempre evoluindo. Buscar a perfeição no serviço não é querer ser melhor que os outros, é buscar o nosso melhor constantemente”, afirma o gestor. 

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Daniel, que revela ter sido sempre um observador do pai, tornou-se extremamente parecido com ele. “Carrego as mesmas preocupações em resolver as coisas, de que o importante é estar todo mundo bem e funcionando, ainda que tenhamos problemas no caminho, e com as mesmas manias”, diz ele, que quando garoto pensou em ser jogador de futebol. “Mas eu sempre soube o que queria fazer e onde queria estar. E meu pai me viu chegar até aqui.” 

 

Orgulhoso, claro, do desempenho maiúsculo do filho, Fausto Dias conta que a vocação de Daniel para os negócios na área já dava sinais desde que ele tinha 13 anos e o acompanhava na rotina da empresa. “Depois, vieram suas próprias escolhas na formação acadêmica, sua vontade genuína de trabalhar conosco e de se tornar o gestor. Com essas habilidades, principalmente nas conexões humanas e no marketing, ele se tornou sócio-diretor. Uma escolha aplaudida pelo nosso maior patrimônio, os colaboradores que operacionalizam as lojas. Assumindo o desafio, Daniel se mostrou, imediatamente, capaz profissionalmente e muito humano com a equipe. Os resultados estão demonstrados pelo sucesso das casas”, diz. 

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Os desafios de uma região de BH

 

Poucos empresários falam da Savassi com o nível de pertencimento de Daniel Ribeiro. Nascido e criado no bairro, ele transformou o zelo com o entorno em parte da estratégia comercial desse polo gastronômico da cidade. “Meu maior concorrente não é o meu vizinho. A maior ameaça é a região começar a ficar deteriorada. O Redentor é resiliente, afinal são 23 anos de história e já teve época em que era só a gente. Mas, hoje, moradores, comerciantes, prefeitura e polícia participam de reuniões em busca de melhorias”, diz. “Com as novas casas, atraímos um público diferente e o movimento aumentou não só para nós, mas para os arredores e para a Savassi como um todo. Muitos frequentadores já não vão mais para o Vila da Serra; o miolo começou a pipocar novamente”, completa. 

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Ao longo dos anos, Daniel investiu em infraestrutura urbana, ajudou na instalação de câmeras de vigilância, financiou a revitalização de espaços abandonados e participa ativamente das discussões sobre segurança e ocupação do território. “O empreendedor deve ir além dos seus negócios. Ao zelar pelo que está fora, protegemos o que está dentro”, diz. 

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Para ele, o fortalecimento do local depende de ação coletiva: “Não adianta um estabelecimento bombar sozinho e ao redor estar tudo largado”. O grupo investiu R$ 40 mil em um Olho Vivo, sistema de videomonitoramento doado à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e à Polícia Militar (PM). Também custeou uma pintura artística em parceria com o Mascate e o Inventura Studio. O mural retrata uma cena com a Serra do Curral, Milton Nascimento, o vira-lata Caramelo, mesa de boteco e uma mãe ensinando o filho a soltar pipa e a sonhar. E, mesmo diante de tantos gargalos urbanos, o empresário acredita na retomada da área: “A Savassi está bem assistida, mas a manutenção leva tempo. Uma árvore não fica grande e bonita rápido.” 

 

Para Helênio Soares, presidente da Associação dos Moradores da Savassi (AmoSavassi), o cenário atual é consequência de um conjunto de fatores: “A região continua sendo um dos principais símbolos de BH, mas é inegável que sofreu, nos últimos anos, um processo de enfraquecimento da atuação do poder público em questões essenciais de zeladoria, limpeza e ordenamento”, afirma. Segundo ele, dois problemas concentram, hoje, as maiores preocupações: “O crescimento da população em situação de rua e a falta de asseio urbano acabam gerando a degradação dos espaços públicos e desconforto para residentes, comerciantes e frequentadores.” 

 

Para o dirigente, porém, as soluções passam necessariamente pelo diálogo entre diferentes setores da sociedade. Ele afirma que, desde novembro de 2025, associações ligadas ao bairro tentam ampliar a interlocução com a administração municipal. A iniciativa reúne a AmoSavassi, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o Sindicato do Comércio Lojista de Belo Horizonte (Sindilojas) e a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH): “Temos propostas concretas para melhorar a limpeza e o ordenamento, mas é fundamental que o poder público esteja disposto a dialogar e construir saídas conjuntas”, diz. 

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Mesmo diante das transformações, Helênio considera que o principal patrimônio do lugar continua sendo sua capacidade histórica de reunir tribos diferentes. “A Savassi nunca foi apenas um ponto comercial ou gastronômico. Ela sempre foi um espaço de convivência, encontros, cultura, vida nas ruas e circulação de público. E continua forte porque oferece algo que a internet não substitui: o contato humano e a experiência presencial da cidade. Revitalizá-la não quer dizer mudar sua essência, mas atualizar sua capacidade de organização, sustentabilidade e convivência urbana. Modernizar a região não significa descaracterizá-la; representa preservar sua alma e, assim, unir tradição, inovação, cultura e qualidade de vida em um mesmo território. 

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Por dentro do Grupo Redentor

 

 

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