Revista Encontro

Artes

Guilherme Pires faz da arte um caminho sem barreiras

Com talento reconhecido por artistas e curadores, o pintor mineiro se destaca pelo uso ousado das cores e por uma produção marcada pela liberdade criativa

Patrícia Cassesse
Guilherme Pires com algumas de suas obras: "O sentimento de liberdade que o invade quando pinta faz com que experimente cores extraordinárias", diz seu pai, Iradir Olli - Foto: Pádua de Carvalho
A primeira palavra que geralmente ocorre às pessoas ao se referirem ao artista plástico Guilherme Pires é gentileza. O que, justificadamente, enche de orgulho os pais, Iradir Olli, diretor de criação da joalheria Diamond Iraws, e Stella Maris Pires, que, à reportagem, acrescentam outras características, como a determinação. Mas, para além do convívio precioso em sua célula familiar e no círculo de amigos, o jovem tem muito mais a mostrar ao mundo: em particular, o talento e a destreza na arte. “Na verdade, meu filho tem duas grandes paixões na vida. Uma é a pintura, onde tem se posicionado como uma forte promessa. A outra é a culinária, que tem como hobby”, conta o pai, acrescentando que, após se diplomar em administração de empresas pela UNA, Guilherme, que é autista, acabou cursando gastronomia na Estácio.
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É no universo da pintura, no entanto, que o mineiro tem dado o que falar. Iradir, que foi quem conversou com a reportagem de Encontro sobre o filho, relembra que com apenas 6 anos Guilherme já dava indícios do adulto ativo, inteligente e curioso que se tornou. Nos trabalhos manuais feitos na infância, cores marcantes pautavam suas obras, que prontamente chamaram a atenção dos professores. A criatividade, destaca o pai, foi levada organicamente para a idade adulta, tendo o talento do mineiro sido reconhecido com forte entusiasmo por nomes do mercado, como o artista e curador Glauco Moraes. Ou, ainda, pelo artista Elton Lúcio, assim como pela artista, curadora e professora Fátima Mirandda. “Como artista plástico, meu filho tem características únicas. Entre elas, o fato de as cores serem realmente uma aventura para os seus olhos, assim como a coragem em utilizá-las”, diz Iradir, acrescentando que o jovem transita com desenvoltura por variados estilos, tais como o expressionismo e o impressionismo.
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A sede de conhecimento é outra característica intrínseca ao artista, hoje com 34 anos. Assim, Guilherme trata de aproveitar as viagens em família para visitar grandes museus mundo afora. Caso do MoMa, de Nova York, onde se extasiou com as obras de Jackson Pollock, para citar um exemplo. Do mesmo modo, percorreu incansável os corredores do Museu Picasso, em Barcelona, assim como os icônicos Metropolitan de Nova York e, como não poderia ser diferente, o Louvre, em Paris. Em meio a todo esse movimento, não hesita em citar Vincent van Gogh como o artista de sua predileção. “A cultura histórica do Guilherme é bem intensa, porque ele, de fato, ama arte e faz com prazer essas visitas. Naturalmente, tudo isso soma à sua criatividade, à liberdade de criação”, acrescenta Iradir. Evidentemente, tanto apreço fez com que obtivesse êxito assim que passou a se enveredar pelo mundo das tintas, telas e pincéis. Vale dizer que, neste universo, gosta de trabalhar com telas grandes, nas quais dá vazão à veia criativa de forma plena e suave.
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Muito raramente Guilherme repete o estilo e as cores, uma vez que cada quadro é fruto de uma espécie de viagem a seu eu interior. Até agora, críticos e apreciadores da arte consideram a tela “Incêndio na Floresta Amazônica” como sua obra mais importante. “Os tons e traços entrelaçados nos levam a realmente adentrar uma floresta densa, viva e vibrante”, analisa Iradir. As cores usadas na tela são divididas em ângulos, acentuando a impressão da grande agressão citada (o incêndio consumindo um território tão importante para o planeta). Guilherme, acredite, pintou o quadro com apenas 15 anos. No YouTube, aliás, é possível encontrar um vídeo no qual ele clama aos governantes por mais atenção quanto ao desmatamento e à ocorrência constante de incêndios neste que é considerado um dos principais pulmões do mundo. “Realmente trata-se de uma obra-prima”, orgulha-se o pai, sobre a pintura

Guitar, acrílica sobre tela: obras são viagem a seu "eu interior" - Foto: Pádua de CarvalhoA trajetória de Guilherme Pires já registra participação em eventos importantes, como em uma exposição na Prefeitura de Belo Horizonte, assim como na Casa do Baile e no Museu Histórico Abílio Barreto. Do mesmo modo, colheu muitos elogios na exposição na Galeria Aut, iniciativa virtual de apoio a jovens artistas com autismo. Mais recentemente, expôs seus trabalhos na mostra “Corpo em Movimento”, na Galeria da Casa dos Contos.
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O movimento já gerou inclusive convites para mostras em outras partes do Brasil e mesmo no exterior. “São saltos muito grandes que precisam ser estudados com calma”, pontua o pai. Enquanto as próximas exposições vão sendo analisadas, Guilherme conta que, no que tange à produção, o ano vem sendo de muito trabalho, com a pintura metódica de uma tela por semana. 
 
“Guilherme não tem barreiras. O sentimento de liberdade que o invade quando pinta faz com que experimente cores extraordinárias. Guilherme é livre e executa suas obras totalmente sem interferência, sem nenhum sentimento de obrigação, de compromisso”, enfatiza o pai. Não por outro motivo, a referência de “pintor do impossível”.

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