A afirmação sintetiza uma identidade construída muito antes da vida pública. Criada em uma família que, segundo ela, prima pela coerência entre o que se vive dentro e fora de casa, Natália atribui à infância os valores que ainda orientam suas escolhas. “Eu tive o privilégio de ter nascido numa família que sempre viveu em paz, com alegria e verdade. O que eu via nos meus pais fora de casa era exatamente o que eles eram dentro de casa.” A relação com a mãe, Adriana Vasconcelos Oliveira, é marcada por profunda admiração e tem a cumplicidade intensificada pelo trabalho. Elas comandam a A. de Arte, empresa especializada em iluminação que nasceu há 38 anos na capital. Do pai, Eloi Oliveira, reconhece em si características herdadas, como a sensibilidade, a reflexão e o gosto por filosofar.
. A igreja e o esporte marcaram sua formação. Quanto à religiosidade, Natália afirma que “a fé é como nosso músculo e precisamos exercitá-la diariamente. Quando passamos por momentos difíceis na vida, temos de ter estoque de fé, mas muitos a buscam na hora que o furacão chega. Quando falo em religiosidade, eu me preocupo em me relacionar com Jesus; não enxergo como uma religião cheia de regras e compromissos. É algo muito além. Trago Deus no meu dia a dia e não o coloco em uma caixa sagrada e distante, que busco quando preciso. Assim, ao orar, pedir, agradecer e ter sinais, vejo o cuidado de Deus com a nossa vida.”
. Ainda adolescente, Naty descobriu na corrida uma paixão que ultrapassaria a prática esportiva. Aos 15 anos, começou a correr na esteira da academia enquanto esperava a mãe buscá-la. Poucos anos depois, disputava sua primeira maratona. Hoje, enxerga a modalidade como um espaço de foco, meditação, contemplação, superação e fortalecimento emocional. “A Naty maratonista é a Naty mais legal que tem. É na corrida, na roupa de ginástica, ao ar livre, na natureza ou na rua, que eu vejo que a alegria é simples.”
. Mais do que condicionamento físico, Natália define o esporte como um ponto de equilíbrio para todas as áreas da vida. “É esse combo de autoestima, conexão com Deus, espiritualidade, superação, foco, contemplação, meditação e mindfulness. É meu combustível para todos os outros papéis. Eu sou muito mais legal porque eu corro.”
. A intensidade aparece também na forma como conduz a família. Casamento, maternidade e carreira não são compartimentos separados, mas dimensões de uma mesma identidade. Em vez da busca por um equilíbrio perfeito, prefere reconhecer prioridades. “As coisas não têm a mesma relevância. Os meus filhos sempre terão um peso maior, meu marido sempre terá um peso maior. Talvez eu não consiga equilibrar tudo no mesmo dia, mas consigo pensar no equilíbrio ao longo das semanas.”
. A maternidade, sonhada desde cedo, é encarada como legado. Ela conta que sua maior dedicação está na formação dos filhos. Antes mesmo das conquistas acadêmicas ou profissionais, para a empresária existe uma prioridade inegociável: “O que mais me preocupa é o caráter. Se isso não for construído na primeira infância, depois é difícil corrigir. Estou sempre atenta.” Além de “transmitir a fé cristã desde a infância”. É também por isso que Natália rejeita um sentimento recorrente entre muitas mães: “Eu não sinto culpa. O que eu sinto é saudade. A culpa vira um fardo que a gente não consegue superar. A saudade, a gente mata”.
. A corredora destaca a mineiridade em suas raízes e a vê como um modo de viver: “As montanhas de Minas, a natureza, esse ar bucólico, essa tradição de reunir a família, a criação simples. Para mim, esse é o ouro que o mineiro tem.” Natália diz preservar tradições que considera essenciais, que representam convivência e constroem vínculos. “Estar à mesa, para mim, de fato, é um valor. Estarmos juntos nas refeições, orar antes. Acredito que, na mesa, se aprende, ensina e escuta. É um espaço de intimidade familiar.”
. A escrita é outra faceta da empresária e surgiu de maneira inesperada. Durante a infância, enfrentou episódios de gagueira — principalmente nas provas orais na escola — e encontrou no escrever uma forma mais confortável de se expressar. Anos depois, essa habilidade ganhou espaço nas redes sociais por meio das #FilosofadasDaNath, série de reflexões sobre comportamento, espiritualidade e propósito. O projeto pode dar origem a um livro em breve.
. Entre as ideias que orientam sua maneira de viver, uma costuma surpreender ao pensar na finitude: “Pensar na morte é a forma mais sábia de saber viver”, destaca, parafraseando o norte-americano e cofundador da Apple Steve Jobs. Para ela, reconhecer a fragilidade humana traz clareza sobre o que realmente importa e urgência para viver com autenticidade e sabedoria. “Quando entendemos nossa fragilidade, tudo muda. A gente fica mais humilde, não perde tempo, não quer prolongar coisas ruins. Tem pressa para viver de uma forma legal e estar em dia com a vida. Tenho esta sede.”
. Essa compreensão tornou-se ainda mais profunda depois de enfrentar um câncer de tireoide, um episódio de surdez súbita e, mais recentemente, o diagnóstico de psoríase. Apesar do otimismo, percebeu que o corpo também expressa aquilo que as emoções silenciam. “Apesar de eu ser uma pessoa extremamente otimista, o nosso corpo sente. Eu absorvo muito para mim. E isso me gera ansiedade e angústia que vou acumulando sem perceber.”
. Em busca de uma rotina mais leve, escolheu trocar o ritmo urbano por uma casa cercada pela natureza, mudança que descreve como um reencontro com a própria espiritualidade. “Como cristã, acredito que Deus criou a gente para morar num jardim. Voltar a morar no jardim, no meio do mato, me conectou ainda mais a Deus e me encheu de paz”, finaliza.
. Os objetos com significados
“A casa da minha avó me marcou muito”
“Bolos de aniversário representam ritos de passagem”
“Presente precioso”
“A tela pintada pela minha avó é uma forma de tê-la comigo”
“Cada medalha representa uma fase da minha vida”
“Meu filho aprendeu as cores olhando este patinho”
“É lindo perceber o nosso ser pelo olhar de quem nos quer bem”
“Vivi uma experiência que considero sobrenatural”
A BH que eu amo
Pedimos para Natália Vasconcelos listar seus cantos e passeios prediletos na cidade. Confira:
- Botânico Shopping: “Adoro. Um mall a céu aberto charmoso, seguro, onde faço e encontro tudo o que eu gosto. O Botânico tem um projeto bacanérrimo assinado pelo arquiteto David Guerra, um paisagismo maravilhoso, vários restaurantes voltados para a família, encontros de amigos e happy hours.”
- Avellan Confeitaria: “Um charme, e tudo ali é lindo e gostoso. Tem mais de 30 anos de mercado e mantém as tradicionais receitas da dona Gilda, avó dos proprietários. É um espaço tanto para um almoço rápido nos dias de semana quanto para lanches e eventos mais sofisticados.”
- Praça da Liberdade: “BH tem praças lindas, mas amo a da Liberdade porque mistura história com os jardins, a cultura e a arquitetura, como a do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). E estou sempre atenta às atividades culturais para levar meus filhos também.”
- Bairro de Lourdes: “Gosto do bairro pelo charme e por ter vários restaurantes tradicionais que adoro, como o D'Artagnan e o Taste-Vin, dois ambientes sofisticados que nos deixam muito à vontade. E o menu é tiro certo: tudo é delicioso.”
- Minas Tênis Clube: “Temos muita história com o clube. Meus pais se conheceram no Minas. Meu pai foi jogador profissional de vôlei e, hoje, é diretor no departamento de vôlei masculino. Vivi minha juventude no clube e foi lá que aprendi a amar a vida esportiva.”
- A capital: “O que mais amo em BH é termos tudo tão pertinho e, ao mesmo tempo, estarmos rodeados pela natureza. Amo nosso mar de montanhas. Poder viver o agito e descansar no mato ao mesmo tempo é um presente. E adoro o jeito belo-horizontino de viver.”