Revista Encontro

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Novos espaços culturais redesenham a cena de Belo Horizonte

Inaugurações, reaberturas e obras ampliam a oferta de arte, cultura e lazer na capital mineira

Alex de Oliveira
A Serraria Souza Pinto recebeu cerca de R$ 12 milhões em investimentos - Foto: Divulgação
Belo Horizonte vive um momento de reconfiguração de sua cena cultural, com a abertura de novos espaços, a retomada de equipamentos históricos e a gestação de projetos que ampliam a circulação de arte e público pela cidade. Entre inaugurações recentes, como A Oficina e o Cine Graciano, reaberturas emblemáticas, como a Serraria Souza Pinto e a Casa de Santa Marinha, e iniciativas em andamento, como o Teatro Jota D’Angelo e o Espaço Multiuso do Parque Municipal, desenha-se um movimento que combina preservação patrimonial, economia criativa e novas formas de ocupação urbana. A Encontro trouxe algumas dessas novidades para o leitor. Confira e desfrute.
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Serraria Souza Pinto

Reaberta em abril após um amplo processo de restauração, a Serraria Souza Pinto retorna ao circuito cultural com uma proposta de uso intensivo e diversificado. O espaço, que preserva sua arquitetura industrial original de 1912, recebeu cerca de R$ 12 milhões em investimentos e passa a operar com estrutura técnica pronta para eventos. O espaço será administrado até 2044 pelo consórcio Nova Serraria, formado pelas empresas Revee e Integritate, vencedor da licitação e responsável pelas intervenções estruturais realizadas no imóvel.  “A gente está apto para receber isso. Então investimos muito para a preparação do espaço”, afirma o CEO da Revee, Leonardo Donato.
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A expectativa é realizar cerca de 100 eventos até o fim do ano, número que já supera as projeções iniciais. “Quando começamos a divulgar a abertura, percebemos que a demanda seria muito maior do que havíamos imaginado”, diz Donato. A nova configuração inclui melhorias como ar-condicionado central, requalificação acústica, novos camarins e áreas gastronômicas, além da possibilidade de uso cotidiano do espaço, ainda em fase de implementação.
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A restauração buscou equilibrar preservação e adaptação. “Fizemos a revitalização mantendo a originalidade”, explica o diretor de engenharia da Revee, Luís Francisco Júnior, destacando a manutenção de elementos históricos, como o calçamento externo. Ao mesmo tempo, o interior foi reconfigurado para atender demandas contemporâneas. Para o poder público, a reabertura tem impacto urbano mais amplo. “Entregar um equipamento dessa monta significa trazer pessoas para o hipercentro”, afirma o secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira.
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Avenida Assis Chateaubriand, 889, Centro

Cine Graciano

Instalado em uma casa antiga, o Cine Graciano funciona com sessões gratuitas e programação voltada ao cinema independente - Foto: Reprodução Instagram/@filmederuaTambém na Lagoinha, o Cine Graciano, inaugurado em novembro do ano passado, retoma a experiência do coletivo Filme de Rua, severamente afetado após a pandemia da Covid-19, e aposta na reativação do cinema de rua como prática coletiva. “A ideia de abrir a sala surgiu como possibilidade de continuidade, de retomada”, explicam Joanna Ladeira e João Perdigão, idealizadores do projeto, ao relembrar que a iniciativa tem origem em discussões iniciadas ainda em 2017 sobre o papel dessas salas na formação de público e no acesso ao audiovisual.
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Instalado em uma casa antiga, o espaço funciona com sessões gratuitas e programação voltada ao cinema independente. “A gente passou a fabular coletivamente a possibilidade de uma espécie de popularização da sala de cinema, um espaço que pudesse ser montado com recursos possíveis, que acolhesse todas as pessoas de modo gratuito e sem discriminação”, relatam. A proposta inclui tanto a exibição de filmes quanto a criação de um ponto de encontro para realizadores e espectadores.
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A adesão tem crescido gradualmente, com cerca de 80 filmes exibidos e um público que já soma aproximadamente mil pessoas. “Muitos vão e voltam ao espaço, cada vez com algum amigo diferente, um sinal de que a proposta é frutífera”, observam. O desafio agora é garantir a continuidade e ampliar parcerias. “Nos interessa consolidar a sala como um local de convergência e encontro do audiovisual”, afirmam, destacando como principal retorno “ver as pessoas expressarem seu amor à sétima arte”.
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Rua Itapecerica, 468, Lagoinha
Entrada gratuita
Mais informações no Instagram @filmederua

A Oficina
 
Programação da Oficina reúne oficinas, exposições e apresentações - Foto: Paulo Proença/DivulgaçãoNovo centro cultural inaugurado em março deste ano, na Lagoinha, A Oficina nasce a partir de uma escuta prolongada do território e de suas contradições. “Fui percebendo duas coisas muito claras: de um lado, uma série de vulnerabilidades sociais bastante evidentes; de outro, um potencial cultural, criativo e histórico extremamente potente, mas pouco estruturado enquanto política ou ação contínua”, afirma Vilmar Souza, diretor da A Oficina e ligado ao Instituto de Estudos do Desenvolvimento Sustentável (IEDS). 
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A proposta, segundo ele, foi criar um espaço que extrapolasse o modelo tradicional de centro cultural, funcionando como um lugar de produção, formação e troca, construído em diálogo com moradores, trabalhadores e artistas da região.  A programação já reúne oficinas, exposições e apresentações, com destaque para iniciativas como o Tapeçaria Criativa e a mostra Elas por Elas.
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O processo de implantação foi marcado por desafios estruturais e conceituais. “Nada foi pensado de forma externa ou impositiva – tudo foi sendo construído em diálogo”, explica Vilmar. A rede de colaboradores inclui professores da UFMG, restauradores, educadores e, sobretudo, moradores da Lagoinha, que participam ativamente da construção do espaço.
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Mais do que números, o impacto é medido pela criação de vínculos. “Já temos um grupo de pessoas que participa de forma recorrente, que se apropria do espaço. Isso, para mim, é mais importante do que qualquer indicador quantitativo.” A sustentabilidade financeira ainda aparece como principal obstáculo, mas o retorno simbólico orienta o projeto: “Eu costumo dizer que A Oficina não é só um espaço – é um processo.”
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Rua Serro, 145, Lagoinha (BH) 
Entrada gratuita
Mais informações no Instagram @aoficinalagoinha

Grande Galpão da Casa do Conde de Santa Marinha

Reforma do Grande Galpão da Casa do Conde de Santa Marinha se insere em um conjunto mais amplo de ações de preservação no estado, que somam cerca de R$ 300 milhões em investimentos - Foto: Pádua de CarvalhoReinaugurado em março, o Grande Galpão da Casa do Conde de Santa Marinha devolve à cidade um marco de sua história ferroviária e cultural. A intervenção, conduzida pelo Iphan com recursos do Novo PAC, contemplou serviços de conservação e manutenção, como reparos na cobertura, pintura e melhorias estruturais, com investimento superior a R$ 700 mil.
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Integrante do conjunto arquitetônico da Praça da Estação, o espaço foi originalmente construído em 1894 e abriga, desde 2005, a superintendência do Iphan em Minas Gerais. A reabertura marca não apenas a recuperação física do imóvel, mas sua reinserção na dinâmica cultural da cidade, com o lançamento de projetos como Memórias da Capoeira em Minas Gerais: A Voz dos Mestres e das Mestras. Desenvolvida em parceria com a UFMG e o Coletivo de Salvaguarda da Capoeira no estado, a iniciativa resultou na produção de 25 registros audiovisuais sobre mestres e mestras de diferentes regiões, com base em metodologias de história oral e abordagem etnográfica. 
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O projeto busca valorizar trajetórias, ampliar a visibilidade da capoeira e fortalecer ações de salvaguarda, considerando a presença expressiva da prática em mais de 400 municípios mineiros. O material foi disponibilizado na plataforma do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC), ampliando o acesso público às narrativas e memórias dos capoeiristas. 
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A reforma do Grande Galpão da Casa do Conde de Santa Marinha se insere em um conjunto mais amplo de ações de preservação no estado, que somam cerca de R$ 300 milhões em investimentos. A própria Casa do Conde deve passar por novas etapas de restauração, ampliando o potencial do complexo como espaço de memória e produção cultural.
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Rua Januária, 130 – Floresta

Teatro Jota Dangelo

Teatro Jota Dangelo será construído na avenida dos Andradas e tem inauguração prevista para outubro deste ano - Foto: Feluma/Divulgação BH ganhará novo teatro com 400 lugares. O Teatro Jota Dangelo será construído na avenida dos Andradas e tem inauguração prevista para outubro deste ano.  Ainda em fase inicial, o equipamento é uma iniciativa da Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma) e da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG) e projeta a ampliação da infraestrutura cultural da cidade. O local homenageia o médico, dramaturgo e diretor mineiro José Geraldo Dangelo. Com curadoria do neurocirurgião, escritor, dramaturgo, diretor teatral e professor da FCM-MG, Jair Raso, o espaço é apresentado como um novo marco para a cena cultural mineira. 
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O projeto arquitetônico é assinado por Guilherme Moretzsohn e prevê uma estrutura apta a receber espetáculos de dança e outras linguagens. A concepção cênica conta com assessoria de Pedro Pederneiras, do Grupo Corpo, enquanto o sistema acústico e de climatização é desenvolvido com participação de especialista da UFMG. A iniciativa articula cultura, educação e ciência em um mesmo espaço.
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Para o presidente da Feluma, Wagner Eduardo Ferreira, a iniciativa é uma ampliação da cultura mineira alinhada às diretrizes de educação, arte e ciência já características da instituição. “O Teatro Jota Dangelo será um local aberto a atores, atrizes e para as diferentes manifestações artísticas, com o incentivo da instituição tanto para artistas de Minas Gerais quanto para produções de outras regiões. Nosso objetivo é estimular cada vez mais a arte e a cultura. Além disso, o espaço também poderá receber seminários e eventos científicos, ampliando as possibilidades de integração com o ensino e oferecendo mais oportunidades para nossos alunos.”
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Avenida dos Andradas, Centro, próximo aos campi II e III da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais
Previsão de inauguração: segundo semestre de 2026

Espaço multiuso do Parque Municipal

O Espaço Cultural Lô Borges está sendo erguido no local que abrigava o histórico Colégio Imaco - Foto: PBH/DivulgaçãoEm obras no Parque Municipal, o Espaço Cultural Lô Borges – nome que presta homenagem ao músico fundamental do Clube da Esquina, falecido no ano passado –  está sendo erguido no local que abrigava o histórico Colégio Imaco. O equipamento inclui concha acústica, auditório para 240 pessoas, salas de oficinas, café e áreas de convivência, além de um terraço com vista para as árvores centenárias do parque. A proposta é integrar atividades culturais, formativas e de lazer em um único complexo. 
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No momento, está sendo montada a cobertura metálica, estrutura que se destaca pelo desenho leve e pela engenharia complexa. “São 58 toneladas de aço sustentadas por apenas cinco colunas”, explica o superintendente da Sudecap, Leonardo Gomes, ressaltando a proposta de criar uma cobertura com efeito visual flutuante. A Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura informa que já foram executadas 41,7% das intervenções previstas. O valor estimado é de cerca de R$ 21 milhões. 
 
Apesar dos avanços recentes, a entrega ainda não tem nova data definida, após adiamento do cronograma inicial. A previsão de início de funcionamento será definida em conjunto com a Fundação Municipal de Cultura (FMC), após a conclusão das obras e a estruturação do modelo de operação do espaço.

Parque Municipal Américo Renné Giannetti - Avenida Afonso Pena, 1.377, Centro
Sem previsão de inauguração 

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