O documento tem foto 3x4, número de identificação e até versão para impressão. Pode ser salvo no celular, compartilhado e, se o tutor quiser, preso à coleira do animal. Os dados, atualizados em 8 de maio e fornecidos pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) à Encontro, indicam que 1.439.146 animais foram registrados, vinculados a 1.141.048 responsáveis, com presença em 98,3% dos municípios do país.
. O cadastro, gratuito e voluntário, consiste em um sistema que reúne informações básicas dos animais e de seus responsáveis, permitindo também o registro de dados como vacinação, castração e microchipagem (implantação subcutânea de um minúsculo dispositivo eletrônico que armazena um código numérico único e inalterável). Além de facilitar a devolução do animal caso ele se perca ou seja roubado, o processo abre caminho para a consolidação de um banco de dados nacional para os pets, com potencial para o planejamento de políticas públicas.
. Mel, Luna, Amora, Nina e Thor têm sido os nomes favoritos entre os tutores de cães, que são maioria no SinPatinhas, com 864.493 registros. Já os gatos somam 574.653, e as opções prediletas são Mia e Lua. Em Minas Gerais, que ocupa a quarta posição no ranking nacional, são 101.997 animais cadastrados e 83.581 tutores. Entre os cães mineiros, há 69.190 registros, sendo mais da metade de fêmeas; entre os felinos, são 32.807. Os dados do MMA também apontam que, embora crescente, a microchipagem ainda não é predominante: no total, 8.404 cães e 5.448 gatos cadastrados no estado possuem o chip.
. A iniciativa vem ganhando adesão e entrando na rotina de quem convive com cães e gatos. Foi assim com Vanilce, citada no início deste texto — ou Vani, para os mais chegados. Microchipada antes mesmo de ganhar um novo lar, Vani já carregava o identificador – faltava apenas conectá-lo a um tutor. E foi essa possibilidade que levou o publicitário Vítor Antônio, 24 anos, a cadastrar a gata. “Fiquei sabendo pela dona do gatil onde peguei a Vani. Assim que ela me explicou, eu já corri para fazer o registro, principalmente para vincular o chip dela ao meu nome. Foi uma questão de segurança mesmo”, narra.
. Persa, de pelagem laranja e apenas seis meses de idade, Vani — nome inspirado na personagem de Fernanda Torres na série global Os Normais — rapidamente virou o xodó e o centro da rotina de Vítor. “Ela é 100% o estereótipo de gato laranja: extremamente carinhosa, sociável, elétrica e adora conversar. E mia olhando para a gente como se estivesse contando uma fofoca”, diverte-se.
. “O tempo que ela ficou sem cadastro foi basicamente o período que eu demorei para vincular tudo ao meu nome”, conta, emendando que esse tipo de registro é importante, mesmo que situações extremas pareçam improváveis. “Apesar de viver em apartamento, que em tese é mais seguro, prefiro me antecipar. Para pets perdidos, o microchip é uma mão na roda. Às vezes, em uma situação de estresse, não dá para contar apenas com o animal reconhecendo o dono ou conseguindo voltar sozinho”, avalia.
. A experiência de cadastro foi rápida. “Muito simples. E confesso que foi até divertido escolher uma foto 3x4 dela e depois ver o documento pronto, que é provavelmente o mais fofo do mundo”, afirma o tutor, ressaltando um detalhe que chamou sua atenção: “O próprio sistema já traz versões para imprimir e colocar na coleira. Achei bem prático”, diz.
. Informações completas e organizadas
Ela também exalta a simplicidade do processo. “Foi uma experiência muito tranquila e fácil de realizar. O que mais me chamou a atenção foi o fato de o sistema funcionar como uma verdadeira identidade do pet, com informações completas e bem organizadas.”
. A familiaridade com o universo veterinário faz com que Jéssica olhe para a iniciativa dentro de um contexto mais amplo. “Como trabalho na área, já tenho conhecimento sobre algumas exigências necessárias para viagens, como exames, vacinas, microchipagem e emissão de atestados sanitários”, cita. Embora ainda não tenha viajado com o cão, ela considera essa possibilidade no futuro – um cenário em que a organização prévia dos dados faz diferença, afinal, para alguns destinos, como a União Europeia, o chip é obrigatório.
. “O principal benefício ainda é a segurança em caso de desaparecimento”, reforça Vítor. “Mas vai além disso. Ajuda em situações de roubo, adoção, comprovação de procedência e na própria organização da vida do pet”, conclui.
Jéssica concorda e complementa: “Um cadastro nacional facilita muito o resgate de animais perdidos, além de centralizar o histórico de saúde e agilizar os trâmites necessários para viagens.”
Para fazer o registro de seu animal no SinPatinhas, basta acessar o site sinpatinhas.mma.gov.br.