Revista Encontro

Bem-estar

Alérgicos são mais propensos a ter conjuntivite

Problema ocular se agrava com o tempo seco

Da redação com assessorias
- Foto: Pixabay

Dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai) dizem que 30% da população brasileira possui algum tipo de alergia e sete em cada 10 alérgicos manifestam a doença nos olhos. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, de Campinas (SP), isso acontece devido ao uso indiscriminado de colírio com corticoide na época mais seca do ano. "O ar seco da Primavera concentra grande quantidade de pólen, ácaros e poluentes. Por isso facilita a manifestação de diversos tipos de alergia que desencadeiam a conjuntivite alérgica", comenta o médico.

Para piorar, relatório recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que no Brasil a ocorrência de asma entre crianças e adolescentes é uma das mais altas do mundo, chegando a 20%. Este índice sobe para 23% na faixa de 18 a 54 anos, mas, deste total, só 12% têm acesso a acompanhamento médico, conforme a OMS.
O oftalmologista alerta que a automedicação é um perigo, especialmente para os alérgicos e lembra que apesar dos corticoides aliviarem rapidamente a coceira, principal sintoma das alergias, inclusive nos olhos, podem gerar danos ao organismo. "O colírio com corticoide pode ser comprado nas farmácias sem receita, mas o uso prolongado causa glaucoma", afirma Queiroz Neto. O pior é que a pessoa não percebe que está perdendo a visão porque o processo é lento e não provoca desconforto nos olhos.

O especialista afirma que um dos principais grupos de risco para desenvolver doenças alérgicas, como a conjuntivite, são as crianças.
Isso porque os pequenos estão possuem o sistema imunológico em desenvolvimento e a alergia é justamente uma resposta exagerada do organismo a uma substância estranha. Quando uma criança precisa tomar antibiótico antes dos seis meses, segundo o médico, há maior predisposição para se tornar um adulto alérgico porque o medicamento desregula a imunidade.

Outros grupos de risco são as mulheres, que frequentemente estão expostas aos cosméticos na área dos olhos, e os idosos, por causa da diminuição da lágrima, que protege a superfície ocular de agressões externas.

Tratamento

Queiroz Neto ressalta que o tratamento da conjuntivite alérgica depende da gravidade. Pode incluir desde colírios estabilizadores, até anti-histamínicos, corticóides e em casos extremos ciclosporina, medicamento imunossupressor que interrompe o funcionamento do sistema imunológico.

O colírio com corticoide, adverte o médico, nunca deve ser usado sem supervisão porque não pode ser interrompido bruscamente para evitar efeito rebote. É muito importante também evitar coçar os olhos, porque a fricção pode desencadear o ceratocone, doença responsável por 70% dos transplantes no Brasil que afina e deforma a córnea. A dica do médico para aliviar a coceira é aplicar sobre os olhos fechados compressas de gaze embebida em água filtrada e fria..