"A artroplastia tem como objetivo substituir a articulação por componentes metálicos e de polietileno de alta resistência. Nos estágios mais avançados, a doença causa destruição da cartilagem e deformidades nos ossos, o que dificulta a colocação precisa dos implantes. A navegação ajuda a identificar como essas alterações podem ser corrigidas com precisão máxima. Com a técnica, os componentes também são posicionados com risco mínimo de erro técnico para que a prótese funcione da melhor maneira e tenha maior durabilidade", explica o cirurgião André Couto Godinho, médico ortopedista assistente do grupo de ombro do Vila da Serra e responsável pelo procedimento.
A técnica de navegação é empregada durante o planejamento cirúrgico e, no caso do procedimento realizado no hospital de Nova Lima envolveu uma equipe dos Estados Unidos, que utilizou um sistema de software para reconstruir a imagem da articulação em três dimensões a partir de exames de tomografia computadorizada.
Segundo o ortopedista, a paciente de 84 anos tinha um quadro importante de omartrose com fortes dores, perda dos movimentos, dificuldade para levantar o braço e fazer movimentos de rotação do ombro. "Ela teve alta hospitalar e segue em reabilitação fisioterápica, mas já apresenta ganho na qualidade de vida, o que torna os resultados animadores. Anteriormente, a paciente fez a cirurgia convencional no outro ombro e a comparação tem mostrado uma recuperação menos dolorosa até o momento. A principal vantagem do procedimento por navegação está na redução das complicações, menor risco de uma nova intervenção para correção de eventuais falhas e maior durabilidade da prótese", declara.
Consagrado nos Estados Unidos, o sistema de navegação cirúrgica tende a se firmar no Brasil, como explica o cirurgião: "Os danos causados pela artrose no ombro são irreparáveis e a cirurgia costuma ser feita em pacientes mais idosos, com artrose avançada e grandes desgastes ósseos. O procedimento traz benefícios já comprovados em publicações científicas quando comparado à técnica convencional, reduzindo as complicações e melhorando a durabilidade da prótese. Por isso, o uso da tecnologia se faz tão necessário, possibilitando ainda prever riscos e situações inesperadas, como a necessidade de reoperações", diz André Couto Godinho.
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