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SAÚDE

Quais as 3 modalidades da atenção domiciliar? Entenda as diferenças!

Conteúdo por Celso Martins
- Foto: Freepik
A atenção domiciliar é um serviço de cuidado ao paciente realizado em seu próprio lar. Essa modalidade de atendimento concentra-se em proporcionar tratamento de saúde de forma mais confortável e personalizada, especialmente para aqueles que têm dificuldade de locomoção ou que se recuperam de procedimentos e tratamentos intensivos. No Brasil, existem três principais categorias de atenção domiciliar, definidas e estruturadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para atender diferentes necessidades de pacientes fora do ambiente hospitalar.

As modalidades são classificadas baseando-se na complexidade dos cuidados necessários e na frequência com que os serviços de saúde devem ser prestados. A modalidade de baixa complexidade, conhecida como AD1, destina-se a pacientes com condições de saúde estáveis, que necessitam de assistência e cuidados menos frequentes, geralmente com visitas de profissionais de saúde em intervalos mais espaçados. Já a modalidade AD2 oferece um cuidado intermediário, com necessidade de visitas mais regulares e gestão de tratamentos que requerem um acompanhamento mais próximo.

Por fim, a modalidade de alta complexidade, ou AD3, equipara-se à internação hospitalar e direcionada a pacientes que necessitam de intensivos cuidados em saúde, com a presença constante de equipamentos e equipes multidisciplinares. Esta categoria é fundamental para assegurar a continuidade dos cuidados médicos em um ambiente familiar, proporcionando um atendimento detalhado e especializado, sem a necessidade do paciente permanecer em um hospital.

Conceitos Fundamentais da Atenção Domiciliar

A Atenção Domiciliar (AD) é uma modalidade de atendimento ao paciente que ocorre no ambiente de sua residência. Ela se volta para indivíduos que apresentam dificuldades de se deslocar até uma unidade de saúde, seja por questões de mobilidade, seja por condições clínicas de complexidade que exigem cuidados mais próximos.

A AD integra o Sistema Único de Saúde (SUS), alinhando-se aos princípios de universalidade e integralidade da assistência. Seu planejamento considera as necessidades específicas de saúde do paciente, bem como o contexto familiar e social em que está inserido.

Modalidades e características de AD

  • Atenção Domiciliar: Ações de promoção à saúde, prevenção, tratamento de doenças e reabilitação.

  • Atendimento Domiciliar: Provisão de cuidados de saúde por profissionais em visitas periódicas ao domicílio do paciente.

  • Internação Domiciliar: Assistência contínua no domicílio para casos de maior complexidade, que requerem recursos hospitalares.

As equipes de atenção domiciliar são multiprofissionais, abrangendo médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, entre outros, assegurando um atendimento holístico e contínuo.
A assistência oferecida varia desde cuidados básicos e suporte à vida diária até procedimentos técnico-clínicos mais complexos, apelidados frequentemente de home care bh.

O sucesso da AD depende de um bom planejamento dos cuidados, comunicação eficaz entre equipe, paciente e familiares, e uma coordenação que garanta a continuidade do tratamento. O objetivo é não apenas tratar de enfermidades, mas também promover qualidade de vida e a autonomia do paciente em seu ambiente familiar.

As Três Modalidades de Atenção Domiciliar

A atenção domiciliar no Brasil é segmentada em três modalidades principais, definidas pela complexidade do cuidado e recursos de saúde necessários. Essas modalidades buscam oferecer ao paciente cuidado contínuo, interdisciplinar e integrado à rede de atenção à saúde.

Modalidade AD1: Na Modalidade AD1, os pacientes recebem cuidados de baixa complexidade. É destinada a indivíduos com problemas de saúde controlados ou compensados que têm dificuldade ou incapacidade de se deslocar até uma unidade de saúde. Geralmente, são cuidados que demandam menos frequência e menor necessidade de recursos de saúde. Os cuidados são coordenados pela Atenção Básica e podem incluir acompanhamento contínuo e recuperação nutricional.

Modalidade AD2: A Modalidade AD2 é voltada para pacientes que necessitam de uma maior frequência de cuidado e mais recursos de saúde. Há um enfoque em ações de reabilitação e cuidados paliativos, além das práticas de prevenção e tratamento de doenças. Os serviços são prestados por equipes multiprofissionais, denominadas EMAD (Equipes Multiprofissionais de Atenção Domiciliar), que podem incluir médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e assistentes sociais. Esta modalidade está disponível em locais com população de 40 mil habitantes ou mais.

Modalidade AD3: Por fim, a Modalidade AD3 aborda situações de alta complexidade e se assemelha a uma internação domiciliar. Os pacientes que se encaixam nesta modalidade geralmente requerem o mesmo nível de cuidados intensivos que seriam disponibilizados em um hospital, mas com o benefício de permanecerem em casa. Equipes de profissionais, como assistente social, fisioterapeuta e cuidador, trabalham em conjunto para atender às necessidades dos pacientes, que podem variar de cuidados paliativos a tratamentos complexos continuados. Esta modalidade é indicada para populações entre 20 mil e 39.999 habitantes e possui suporte dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), com profissionais de diversas áreas.

Impacto da Atenção Domiciliar na Família e no Paciente

A atenção domiciliar tem se apresentado como um serviço de significativa importância para o bem-estar tanto do paciente quanto de sua família. Ela proporciona acompanhamento contínuo ao paciente no conforto do lar, o que reflete diretamente na qualidade de vida e na redução do estresse associado a internações frequentes.

Por meio da atenção domiciliar, é possível que o paciente receba cuidados personalizados, enquanto a família obtém suporte nas atividades de cuidador, muitas vezes, sem a necessária preparação prévia.
Essa modalidade de assistência promove a manutenção da estrutura familiar, sobretudo ao envolver os familiares no processo terapêutico, gerando um ambiente mais acolhedor para o paciente.

Suporte ao Paciente: Cuidados individualizados; Menor risco de infecções associadas a ambientes hospitalares; Conforto emocional por estar no convívio familiar.
 
Vantagens para a Família: Instrução sobre os cuidados com o paciente; Redução da necessidade de deslocamentos para hospitais; Inserção no processo de recuperação e manejo da saúde.

Essencialmente, a atenção domiciliar permite uma abordagem integral, na qual o paciente é visto em sua totalidade – aspectos físicos, psicológicos e sociais – garantindo assim uma assistência alinhada às necessidades singulares de cada indivíduo. Este acompanhamento contínuo e personalizado tende a solidificar o vínculo entre os envolvidos no processo, contribuindo para um ambiente de cuidado mais efetivo e humanizado.

Recursos e Equipamentos Necessários

Na atenção domiciliar, a adequação dos recursos e equipamentos é vital para garantir a qualidade do atendimento. Ela deve ser estruturada de acordo com as necessidades individuais de cada paciente, considerando principalmente aqueles com dificuldade ou impossibilidade física de locomoção.

Equipamentos essenciais podem incluir:

  • Camas hospitalares ajustáveis
  • Cadeiras de rodas e andadores
  • Monitores de sinais vitais
  • Equipamentos para fisioterapia respiratória
  • Oxigenoterapia, quando necessário
  • Materiais diversos são requisitados para procedimentos cotidianos:
  • Curativos
  • Seringas e agulhas
  • Luvas esterilizadas
  • Material para higiene pessoal do paciente

Os recursos humanos envolvem uma equipe multidisciplinar:

  • Médicos
  • Enfermeiros
  • Fisioterapeutas
  • Nutricionistas
  • Psicólogos

Esta equipe deve estar preparada para lidar com uma gama de situações, oferecendo não apenas cuidados médicos, mas também suporte emocional e orientação à família.

A administração de medicamentos é parte integral do tratamento domiciliar e exige controle rigoroso para garantir a dosagem e horários corretos.

Para uma assistência domiciliar eficiente, além do comprometimento da equipe, é fundamental que haja uma boa gestão dos recursos, assegurando que os equipamentos e materiais estejam disponíveis em quantidade e condição adequadas para o atendimento às demandas dos pacientes.

Profissionais Envolvidos na Atenção Domiciliar

Na Atenção Domiciliar, uma gama de profissionais de saúde trabalha de forma interdisciplinar para prover cuidados a pacientes em suas residências. Essas equipes são compostas por:

  • Médicos: Responsáveis por diagnosticar problemas de saúde e prescrever tratamentos.

  • Enfermeiros: Desempenham um papel chave na coordenação do cuidado domiciliar, administram medicamentos e monitoram a saúde do paciente.

  • Fisioterapeutas: Auxiliam na recuperação e manutenção da mobilidade e funcionalidade dos pacientes.

  • Assistentes Sociais: Facilitam o acesso a recursos da comunidade e ajudam nas demandas sociais e emocionais do paciente e de seus familiares.

  • Profissionais Auxiliares ou Técnicos de Enfermagem: Realizam cuidados mais básicos e ajudam os enfermeiros na rotina diária de atendimentos.

  • Médico(s): Diagnóstico e prescrição.

  • Enfermeiro(s): Coordenação dos cuidados e monitoramento do paciente.

  • Fisioterapeuta(s): Recuperação funcional e de mobilidade.

  • Assistente(s) Social(is): Suporte às necessidades sociais e emocionais.

  • Profissionais Auxiliares/Técnicos de Enfermagem: Apoio nos cuidados básicos e assistência aos enfermeiros.

Cada um desses profissionais possui um papel crítico no suporte e na manutenção da saúde e bem-estar dos pacientes em suas casas, permitindo que estes recebam cuidados personalizados e continuados, além de contribuir para a desospitalização e para o conforto no ambiente familiar.

Estruturação e Organização das Equipes de Atenção Domiciliar

As equipes de Atenção Domiciliar são essenciais para o funcionamento dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) e se dividem em duas modalidades: Equipe Multiprofissional de Atenção Domiciliar (EMAD) e Equipe Multiprofissional de Apoio (EMAP).

EMAD é composta por profissionais de saúde de diferentes áreas, responsáveis pelo atendimento direto ao paciente. Eles executam ações como promoção à saúde, prevenção de doenças e reabilitação.

EMAP, por outro lado, oferece suporte especializado às EMADs, proporcionando consultoria, apoio diagnóstico, terapêutico e de gestão.

As equipes são estruturadas da seguinte maneira:

  • Profissionais de Saúde: Incluem médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, assistentes sociais, nutricionistas, entre outros.

  • Suporte: Realizado por meio da EMAP, fornecendo assistência necessária para o tratamento do paciente.

  • Regulação: Procedimentos e acesso aos níveis de atenção são organizados seguindo protocolos para garantir a continuidade e a integralidade do cuidado.

  • Linhas de Cuidado: Estabelecem a trajetória do paciente dentro do sistema, garantindo que todos os níveis de atenção se interconectem de forma eficaz.

A atenção domiciliar proporciona, portanto, uma estrutura organizada de cuidado em saúde, mantendo o paciente integrado ao sistema mesmo em seu próprio lar, o que contribui para a humanização do tratamento e utilização mais eficiente dos recursos do SUS.

Rede de Atenção à Saúde e as Interações com a Atenção Domiciliar

No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a atenção domiciliar surge como um componente essencial da Rede de Atenção à Saúde. Esta modalidade de assistência à saúde é prestada diretamente no lar do paciente, permitindo que este receba cuidados personalizados e contínuos, de forma a promover o bem-estar e a recuperação fora do ambiente hospitalar.

A atenção domiciliar é dividida em três modalidades principais:

  • SAD 1 - Fornecida pela Atenção Básica, para pacientes com problemas de saúde controlados ou compensados e que têm dificuldade de locomoção.

  • SAD 2 - Inclui cuidados intermediários, geralmente providenciados por uma equipe multiprofissional, a Equipe Multiprofissional de Atenção Domiciliar (EMAD).

  • SAD 3 - Destinada a pacientes que necessitam de cuidados mais complexos e intensivos, garantidos pela Equipe Multiprofissional de Apoio (EMAP).

A Rede de Atenção à Saúde e a atenção domiciliar operam de forma integrada para oferecer um continuum de cuidados. A atenção domiciliar funciona como um ponto de referência para os pacientes, muitas vezes atuando em conjunto com serviços de apoio e especializados para assegurar um tratamento abrangente e efetivo.

O apoio contínuo ao paciente é um pilar da atenção domiciliar, e as equipes de saúde trabalham para assegurar a continuidade dos cuidados. Esse modelo assistencial não apenas favorece a humanização do tratamento, como também otimiza recursos ao reduzir a necessidade de internações hospitalares prolongadas.

Políticas e Programas Associados à Atenção Domiciliar

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) implementa a atenção domiciliar como um conjunto de práticas para proporcionar cuidado integral e continuado aos pacientes. Essa modalidade se enquadra em três principais categorias:

  • Atenção Primária à Saúde (APS): Forma basilar da atenção domiciliar, focada na promoção da saúde e na prevenção de doenças.

  • Melhor em Casa: Serviço que oferece suporte de saúde diretamente no lar dos pacientes, especialmente aqueles com necessidade de maior complexidade assistencial.

  • Suporte Ventilatório: Apoio específico para pacientes que necessitam de assistência respiratória contínua.

As atividades realizadas em domicílio são desenvolvidas por equipes multidisciplinares, compostas por profissionais de saúde, visando garantir a qualidade e a adequação do cuidado.

Modalidade: APS
Objetivos: Promoção da saúde e prevenção
Atividades: Acompanhamento regular e educação para a saúde

Modalidade: Melhor em Casa
Objetivos: Cuidado integral e suporte assistencial
Atividades: Procedimentos de maior complexidade e reabilitação

Modalidade: Suporte Ventilatório
Objetivos: Assistência e acompanhamento respiratório
Atividades: Monitoramento e terapia ventilatória

As políticas associadas visam fortalecer o cuidado aos pacientes que não necessitam de hospitalização contínua, mas que requerem um atendimento mais próximo e humanizado. Serviços privados de home health care também se alinham a esses conceitos, expandindo as possibilidades de assistência para além do sistema público.

O programa Melhor em Casa é uma referência em atenção domiciliar e reflete os princípios e diretrizes do SUS, com ênfase na humanização e integralidade do cuidado.
Oferece serviços que vão desde a promoção da saúde até o suporte necessário para convalescença e reabilitação, evidenciando o compromisso com a assistência domiciliar no país.
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