Revista Encontro

Janeiro roxo

Diagnóstico precoce é chave no enfrentamento da hanseníase

Campanha chama atenção para sinais da doença e para a importância do acesso ao tratamento

Da Redação (com informações da UFMG)
Entre os sinais que merecem atenção estão manchas claras ou avermelhadas na pele com alteração ou perda de sensibilidade, dormência em mãos e pés - Foto: Freepik
Apesar de ser uma doença antiga e com tratamento disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a hanseníase ainda figura entre os principais desafios da saúde pública no Brasil. O país ocupa hoje a segunda posição no ranking mundial de casos, atrás apenas da Índia, e concentra mais de 90% dos novos diagnósticos registrados nas Américas, segundo o Ministério da Saúde.
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Em Minas Gerais, o Hospital das Clínicas da UFMG (HC-UFMG) é uma das principais referências no atendimento a pacientes com a doença. Vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), a unidade abriga, desde 1984, um Ambulatório de Hanseníase que já ultrapassou a marca de 56 mil atendimentos e atua de forma integrada no diagnóstico, tratamento e acompanhamento de complicações associadas à enfermidade.
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O cuidado oferecido pelo hospital envolve uma abordagem multidisciplinar, reunindo especialidades como dermatologia, neurologia, terapia ocupacional, ortopedia, oftalmologia e reumatologia. A proposta vai além da prescrição medicamentosa, com foco na prevenção de incapacidades físicas, na reabilitação funcional e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes, incluindo o apoio à reinserção social.
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De acordo com a chefe do Ambulatório de Hanseníase do HC-UFMG, Denise Maria Assunção, o atendimento começa com uma avaliação clínica dermatoneurológica especializada. O processo inclui exames complementares realizados por laboratórios de referência e o acesso integral às medicações, disponibilizadas pela Farmácia Universitária do hospital. Já a prevenção de sequelas é conduzida pela terapia ocupacional, que orienta os pacientes sobre autocuidado e desenvolve órteses, palmilhas e outros dispositivos de apoio.
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Atenção aos sinais

O número elevado de casos de hanseníase no país está relacionado à combinação entre fatores genéticos e condições sociais, como moradias precárias, ambientes pouco ventilados e alta concentração de pessoas em um mesmo espaço. Nesse contexto, o diagnóstico precoce é considerado decisivo para interromper a cadeia de transmissão e evitar o surgimento de incapacidades permanentes.
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Entre os sinais que merecem atenção estão manchas claras ou avermelhadas na pele com alteração ou perda de sensibilidade, dormência em mãos e pés, queda de pelos e aparecimento de caroços pelo corpo. Em estágios mais avançados, a doença pode afetar nervos periféricos, provocar perda de força muscular e causar deformidades.
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Mesmo assim, a busca por atendimento médico nem sempre ocorre no início dos sintomas. Segundo Denise Maria Assunção, o caráter progressivo da doença, a dificuldade de reconhecer os sinais iniciais e o estigma social ainda associado à hanseníase contribuem para o atraso no diagnóstico. “Esses fatores contribuem para o diagnóstico tardio e, consequentemente, para maior risco de desenvolvimento de incapacidades, reforçando a importância de ações de educação em saúde e capacitação profissional”.
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Atendimento 

Para enfrentar esse cenário, o Ambulatório de Hanseníase do HC-UFMG mantém acesso facilitado para pessoas com suspeita ou diagnóstico confirmado da doença. Não há exigência de regulação prévia para o primeiro atendimento, e o contato pode ser feito diretamente com a equipe médica, pelo e-mail dermatologiahcufmg@gmail.com ou pelo telefone (31) 3307-9560.

Todo o atendimento é realizado gratuitamente pelo SUS, reforçando o papel da unidade como referência no cuidado especializado e no enfrentamento de uma doença que, apesar de curável, ainda carrega desafios clínicos e sociais importantes.

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