Em Minas Gerais, o Hospital das Clínicas da UFMG (HC-UFMG) é uma das principais referências no atendimento a pacientes com a doença. Vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), a unidade abriga, desde 1984, um Ambulatório de Hanseníase que já ultrapassou a marca de 56 mil atendimentos e atua de forma integrada no diagnóstico, tratamento e acompanhamento de complicações associadas à enfermidade.
. O cuidado oferecido pelo hospital envolve uma abordagem multidisciplinar, reunindo especialidades como dermatologia, neurologia, terapia ocupacional, ortopedia, oftalmologia e reumatologia. A proposta vai além da prescrição medicamentosa, com foco na prevenção de incapacidades físicas, na reabilitação funcional e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes, incluindo o apoio à reinserção social.
. De acordo com a chefe do Ambulatório de Hanseníase do HC-UFMG, Denise Maria Assunção, o atendimento começa com uma avaliação clínica dermatoneurológica especializada. O processo inclui exames complementares realizados por laboratórios de referência e o acesso integral às medicações, disponibilizadas pela Farmácia Universitária do hospital. Já a prevenção de sequelas é conduzida pela terapia ocupacional, que orienta os pacientes sobre autocuidado e desenvolve órteses, palmilhas e outros dispositivos de apoio.
. Atenção aos sinais
O número elevado de casos de hanseníase no país está relacionado à combinação entre fatores genéticos e condições sociais, como moradias precárias, ambientes pouco ventilados e alta concentração de pessoas em um mesmo espaço. Nesse contexto, o diagnóstico precoce é considerado decisivo para interromper a cadeia de transmissão e evitar o surgimento de incapacidades permanentes.
. Entre os sinais que merecem atenção estão manchas claras ou avermelhadas na pele com alteração ou perda de sensibilidade, dormência em mãos e pés, queda de pelos e aparecimento de caroços pelo corpo. Em estágios mais avançados, a doença pode afetar nervos periféricos, provocar perda de força muscular e causar deformidades.
. Mesmo assim, a busca por atendimento médico nem sempre ocorre no início dos sintomas. Segundo Denise Maria Assunção, o caráter progressivo da doença, a dificuldade de reconhecer os sinais iniciais e o estigma social ainda associado à hanseníase contribuem para o atraso no diagnóstico. “Esses fatores contribuem para o diagnóstico tardio e, consequentemente, para maior risco de desenvolvimento de incapacidades, reforçando a importância de ações de educação em saúde e capacitação profissional”.
. Atendimento
Para enfrentar esse cenário, o Ambulatório de Hanseníase do HC-UFMG mantém acesso facilitado para pessoas com suspeita ou diagnóstico confirmado da doença. Não há exigência de regulação prévia para o primeiro atendimento, e o contato pode ser feito diretamente com a equipe médica, pelo e-mail dermatologiahcufmg@gmail.com ou pelo telefone (31) 3307-9560.
Todo o atendimento é realizado gratuitamente pelo SUS, reforçando o papel da unidade como referência no cuidado especializado e no enfrentamento de uma doença que, apesar de curável, ainda carrega desafios clínicos e sociais importantes.