O câncer do colo do útero ocupa a primeira posição no ranking de óbitos por câncer entre mulheres de até 36 anos e aparece em segundo lugar entre os tipos que mais matam mulheres até os 60 anos.
. Diante desse cenário, a estratégia global da Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece a meta 90-70-90 para eliminar a doença como problema de saúde pública até 2030. O plano prevê a vacinação de 90% das meninas de até 15 anos, a realização de exames de triagem em 70% das mulheres aos 35 e 45 anos e o tratamento de 90% das pacientes diagnosticadas. Para especialistas, o diagnóstico precoce e a prevenção são os caminhos mais eficazes para reduzir a mortalidade.
. Câncer silencioso
O câncer do colo do útero tem desenvolvimento lento e está diretamente relacionado à infecção persistente por tipos específicos do HPV, como os subtipos 16 e 18. Segundo a médica oncologista da Hapvida, Valdênia Guimarães, os sinais costumam aparecer apenas em estágios mais avançados.
. “Quando a doença se manifesta, os sinais mais comuns são sangramentos vaginais fora do período menstrual, após a relação sexual ou na menopausa, além de corrimento com sangue ou odor desagradável e dor durante a relação. Em casos mais avançados, pode haver dor pélvica ou lombar, cansaço, sintomas urinários, problemas renais e inchaço nas pernas”, afirma.
. A infecção persistente pelo HPV (Papilomavírus Humano) está presente em cerca de 99% dos casos, embora nem toda infecção evolua para câncer. Isso torna a doença evitável por meio da vacinação e da realização do exame preventivo, o Papanicolau.
. “Esse exame preventivo tem um papel fundamental na prevenção, pois permite identificar alterações nas células do colo do útero antes mesmo de se transformarem em câncer, podendo ser tratadas antes que a doença se desenvolva”, destaca a especialista.
. A oncologista ressalta que, embora a vacina represente um avanço importante, ela não substitui o exame preventivo. Isso porque os imunizantes protegem contra os principais tipos de HPV associados ao câncer, mas não contra todos. Além disso, muitas mulheres que hoje estão na faixa etária indicada para o rastreamento não foram vacinadas na adolescência, já que a vacinação foi incorporada recentemente ao SUS.
. Para ela, a estratégia mais eficaz é a combinação das duas medidas. “A vacina reduz o risco de infecção pelos tipos mais frequentes do vírus, enquanto o exame preventivo permite detectar precocemente qualquer alteração na região, garantindo diagnóstico e tratamento antes que o câncer se desenvolva”, explica.
. Além do HPV, fatores como tabagismo, início precoce da vida sexual, múltiplos parceiros sexuais, uso de contraceptivos orais e imunossupressão também aumentam o risco para a doença.
Tratamento
O tratamento varia de acordo com o estágio da doença, o tamanho do tumor e o desejo da paciente de preservar a fertilidade. Nos casos iniciais, a cirurgia costuma ser a principal opção. Já em estágios mais avançados, a indicação envolve radioterapia associada à quimioterapia. A definição é feita de forma individualizada por uma equipe de especialistas.
. Conscientização salva vidas
Apesar de ser prevenível, o câncer do colo do útero ainda enfrenta desafios como desinformação, medo e dificuldade de acesso aos serviços de saúde.
A médica reforça que “manter os exames em dia, falar sobre saúde feminina quebrando tabus e incentivando outras mulheres a fazerem o mesmo, são atitudes que ajudam a proteger vidas. Cuidar de si mesma é um ato de força, de consciência e de valorização da própria vida”, conclui.