Segundo a vice-coordenadora do Elsa-Brasil na UFMG e professora da Faculdade de Medicina, Luana Giatti, os dados têm potencial estratégico para subsidiar políticas públicas voltadas à melhoria do ambiente urbano, já que a infraestrutura das cidades influencia diretamente o bem-estar da população.
. Pesquisadores da UFMG destacam a importância do ambiente de moradia para a manutenção de hábitos ativos. Um dos estudos analisados aponta que viver em locais com maior presença de áreas verdes públicas — como praças, parques e ruas arborizadas — contribui para a continuidade da prática de exercícios ao longo do tempo.
. Em Belo Horizonte, um recorte específico indicou que a proximidade com áreas verdes não apenas estimula a atividade física, mas também está associada à redução das chances de obesidade e ao aumento dos níveis de colesterol HDL, considerado benéfico ao sistema cardiovascular.
. O boletim também detalha as formas de mensuração da atividade física, que incluem desde questionários até o uso de acelerômetros, dispositivos semelhantes a smartwatches capazes de registrar movimentos com precisão. Com base em mais de 100 artigos científicos, o estudo aponta benefícios que vão da prevenção de doenças como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares até impactos positivos na saúde mental e na função cognitiva, com ganhos em memória, linguagem e atenção.
. De acordo com o documento, a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada a vigorosa. Esse nível de prática está associado a uma redução de 25% no risco de morte em cinco anos. O levantamento indica ainda que a realização de cerca de 7 mil passos por dia pode reduzir pela metade o risco de mortalidade, enquanto a substituição de 10 minutos de comportamento sedentário por atividade moderada reduz esse risco em 10%.
. O estudo também chama atenção para a queda na prática de exercícios após a aposentadoria. Segundo os dados, a inatividade física aumenta 65% entre homens e 55% entre mulheres nesse período. Além disso, a percepção sobre o ambiente urbano influencia diretamente os hábitos: participantes que avaliam positivamente a vizinhança têm 69% mais probabilidade de praticar atividades físicas no lazer e 19% mais chance de se exercitar durante deslocamentos.
. O Elsa-Brasil é uma investigação multicêntrica que acompanha funcionários de instituições públicas de ensino e pesquisa em seis estados brasileiros. Os voluntários, com idades entre 35 e 74 anos, passam por exames e entrevistas que avaliam aspectos como condições de vida, trabalho, alimentação e fatores sociais.
Considerado estratégico para o desenvolvimento de políticas públicas, o estudo envolve centros de pesquisa na Bahia (UFBA), no Espírito Santo (Ufes), no Rio de Janeiro (Fiocruz), em São Paulo (USP), no Rio Grande do Sul (UFRGS) e em Minas Gerais (UFMG). A universidade mineira reúne o segundo maior número de participantes (3,1 mil pessoas).