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“Não é seguro manipular e utilizar medicamentos que não foram produzidos em um ambiente estéril”, alerta a Agência.
A tirzepatida é um medicamento injetável agonista do receptor de GLP-1, indicado para o tratamento do diabetes tipo 2 e, em condições específicas, para o controle crônico do peso, em conjunto com dieta de baixa caloria e aumento da atividade física.
. No Brasil, a tirzepatida regulamentada pela Anvisa é comercializada em farmácias e também pode ser encontrada em farmácias de manipulação, desde que o paciente tenha indicação e prescrição médica emitida por profissional competente.
. Segundo a Agência, as farmácias de manipulação devem seguir critérios para a importação e a manipulação de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) agonistas do receptor GLP-1. Paralelamente, produtos em pó sem registro são anunciados e vendidos ilegalmente pela internet. O comércio irregular desses medicamentos é alvo de ações policiais com apoio da Anvisa.
. Em 2026, a Agência também avalia medidas para ampliar a proteção e a segurança relacionadas aos medicamentos injetáveis de GLP-1 diante do crescimento irregular da manipulação desses produtos.
. Quais são os perigos dos produtos paralelos?
A Anvisa destaca que os produtos em pó vendidos irregularmente não passaram por avaliação da Agência. Por isso, não é possível comprovar se contêm o princípio ativo anunciado, qual é sua concentração ou se apresentam impurezas e agentes contaminantes.
. “Mesmo que o produto pareça limpo e esteja em uma embalagem lacrada, isso não significa que seja seguro”, ressalta a Agência.
O risco é maior quando a substância é injetada, uma vez que eventuais microrganismos presentes no produto podem ser introduzidos diretamente no organismo. De acordo com a Anvisa, a contaminação pode provocar dor, vermelhidão, inchaço, formação de abscessos e outras infecções no local da aplicação.
. Nos casos mais graves, a infecção pode alcançar a corrente sanguínea e causar sepse, emergência médica que pode resultar em internação, falência de órgãos e morte. Partículas microscópicas presentes no pó também podem provocar inflamações, lesões nos tecidos e outras complicações.
. A Agência chama atenção ainda para os riscos do preparo doméstico. O ar, as superfícies, os recipientes, a água e os próprios materiais utilizados na aplicação podem contaminar a solução durante o processo.
. “Por essas razões, apenas produtos fabricados especificamente para uso injetável, sob rígidos controles de qualidade e esterilidade, devem ser administrados por essa via”, afirma a Anvisa.
Anvisa também alerta para CBL-514
O comunicado também chama atenção para a divulgação do CBL-514, substância apresentada nas redes sociais como capaz de reduzir gordura localizada. Segundo a Anvisa, o peptídeo sintético ainda está na fase 2 de estudos e não possui registro nem autorização para venda.
. Nessa etapa, o produto permanece em ensaios clínicos para a produção de evidências sobre segurança, eficácia e qualidade. Os resultados poderão, posteriormente, subsidiar um pedido de registro sanitário junto a agências reguladoras.
“Enquanto permanece em investigação, o medicamento não é considerado um produto autorizado para uso comercial”, esclarece a Agência.
A Anvisa alerta que o uso de medicamentos sem registro e ainda em fase de testes envolve riscos pela ausência de evidências consolidadas sobre segurança, eficácia e qualidade. “Nessas condições, não há garantias de que os benefícios esperados superem possíveis danos à saúde”, afirma.