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Lotus estreia no Brasil e aposta em nova fase híbrida

Marca britânica chega ao país sob operação da Bamaq e prepara expansão global com novos modelos eletrificados

Fábio Doyle
Chegada da Lotus ao Brasil coincide com o momento em que a marca se recupera de um período de dificuldades - Foto: Divulgação
A icônica marca britânica Lotus chega ao Brasil neste mês, sob o comando do grupo Bamaq, de Clemente Faria Júnior, que hoje carrega bandeiras de carros premium como Mercedes-Benz, Porsche e GWM. Clemente acrescenta agora a Lotus no portfólio da Bamaq, e desta vez como operador da Lotus Car no Brasil. Ele fica à frente da LTS Brasil, que abrange importação, distribuição, rede de concessionários e pós-venda.
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A chegada da Lotus ao mercado brasileiro coincide com o momento em que a marca britânica se recupera de um período de dificuldades financeiras, após quase encerrar atividades. Foi quando a chinesa Geely subiu ao palco para assumir o papel de acionista majoritária da Lotus e dar um novo fôlego. 
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O gigante Geely Holding Group é um dos maiores grupos automotivos da China e controla a Geely Auto, Zeekr, Volvo Cars, Lotus, LEVC (London Electric Vehicle Company – o fabricante dos táxis pretos de Londres), Smart (joint venture 50/50com a Mercedes-Benz), entre outras. A Geely tem participação também na Mercedes-Benz (9,7% das ações), Aston Martin (17% das ações), Renault Korea (34% de participação). No Brasil, a Geely adquiriu 26,4% da Renault do Brasil.
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Revigorada, a Lotus apresentou em 12 de maio último seu projeto Focus 2030, que tem por objetivo a competitividade do mercado e sustentabilidade do negócio.
 
A primeira iniciativa dessa nova fase é o lançamento, em 2028, de um novo supercarro com motor V-8 híbrido, apesar da tendência de deixar meio de lado os veículos elétricos diante das dificuldades de aceitação de carros da marca 100% elétricos.  
 
O novo modelo, com o nome código de Type 135, será o primeiro Lotus com motor de oito cilindros desde 2004, quando a produção do Esprit foi encerrada. Ele chega quando a empresa busca recuperar lucros após os resultados negativos de 2025, que registraram prejuízos de US$ 371 milhões, quando as vendas caíram 46 por cento, para 6.520 unidades.
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A marca pertencente à Geely, que tinha por meta ser “somente elétrica” até 2028, iniciou uma experiência híbrida neste ano com o lançamento de uma versão híbrida plug-in (PHVE) de longo alcance do SUV Eletre, que é comercializado junto com a variante elétrica-pura (BEV).
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O supercarro V8 faz parte do programa Focus 2030, que enfatiza híbridos enquanto a Lotus busca retorno à lucratividade. A meta da empresa de longo prazo é atingir vendas anuais 30 mil unidades, com o ponto de equilíbrio sendo atingido quando atingirem 20 mil unidades, disse o chefe de finanças Daxue Wang durante recente conferência virtual organizada pelo Deutsche Bank.
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O novo modelo trará a Lotus de volta a suas raízes de carros leves, promete a empresa. “A Lotus nasceu a partir do espírito rebelde  de Colin Chapman, fundador da marca, e isso não está esquecido”, disse o CEO Feng Qinfeng.
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O novo supercarro será um híbrido “não plug-in” para redução de peso, informou a empresa.
 
Um imagem teaser da traseira, divulgada pela empresa no dia do lançamento do projeto Focus 20230, mostra semelhança com o supercarro conceito Theory 1 (elétrico puro) de 2024.  
 
A depender do preço final, os supercarros rivais deverão incluir o Aston Martin Valhalla, o Ferrari 296 GTB e o Lamborghini Temerario. Todos os três concorrentes são PHEVs (híbridos) com preços no mercado da Alemanha que variam entre 200 mil e 300 mil euros para o 296 GTB e Temerario,  a perto de 1 milhão de euros para o Valhalla, de produção limitada.
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O novo supercarro, com nome ainda indefinido, usa o mesmo nome código Type 135 do projeto de carro elétrico cancelado que deveria substituir o atual Emira com propulsor a combustão.
 
A produção do supercarro deverá ser na Europa, informou a Lotus, sem ser mais específica. A Lotus constrói carros esportivos em sua base no Reino Unido de Hethle, na Inglaterra, mas poderá optar, no caso desse novo projeto,  pela produção em outro local para um fabricante especializado. 
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Próximos passos
 
Lotus Emeya - Foto: DivulgaçãoCom a linha de híbridos a caminho, a Lotus mira nos PHEVs, que deverá representar 60 por cento das vendas “no curto prazo” com as vendas globais do Eletre X.
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No mês de lançamento, a Lotus recebeu pedidos de 1 mil unidades do PHEV Eletre X para a China, com as entregas já iniciadas em março, disse a companhia. As entregas na Europa começarão no quatro trimestre deste ano, disse a Lotus.
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Vendendo mais híbridos na Europa resultará no melhor equilíbrio das tarifas extras impostas pela União Europeia para carros elétricos importados da China. O Eletre e o Emeya são construídos pela Wuhan Lotus Technology na China. 
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O veículos elétricos (BEVs) da Geely exportados para a Europa devem recolher imposto de 28,8 por cento com o novo regime tarifário  da União Europeia, implementado para resguardar o que chamam de subsídios governamentais injustos que os fabricantes recebem na China.
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O Eletre X traz uma arquitetura elétrica de 900 volts combinada com um motor 2.0 turbo a gasolina fornecido pela unidade Horse Powertrain da Renault-Geely, que irá também prover o V-8 para o supercarro híbrido.
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Os dois motores elétricos do Eletre X garantem uma potência combinada de 939 cv. A autonomia ‘elétrica apenas’ desse SUV é de 350 km a partir da bateria de 70 quilowatts-hora.
 
Após o lançamento do Eletre BEV em 2023 e o derivado Emeya sedã elétrico no mesmo ano, a Lotus deu uma pausa no desenvolvimento de veículos elétricos para ampliar seu portfólio de modelos com motores a combustão e tecnologia híbrida.
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A Lotus informou em 2025 que um previamente anunciado SUV elétrico de porte médio apelidado de Type 134 irá agora se tornar um PHVE (híbrido plug in), mas não entrou em maiores detalhes.
 
Clemente Faria Jr. CEO da LTS - Lotus Brasil - Foto: DivulgaçãoClemente Faria Jr., CEO das operações Lotus no Brasil, informa que o toda a linha de modelos da marca (Emira, Eletre e Emeya) e negociações com a matriz na Inglaterra foram iniciadas para a produção de um Evija, devido a uma demanda local. Os preços para o mercado brasileiro serão divulgados “mais à frente”, no momento do lançamento de cada modelo.
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“A operação Lotus no Brasil começou no início do ano e hoje nossa equipe trabalha em todo planejamento, logística e homologação dos carros”, disse Faria Jr.
 
Nesse primeiro momento a Lotus Brasil terá um showroom apenas na cidade de São Paulo, com data de inauguração e local a serem anunciados em breve, informou. O plano de expansão, que deverá ser implementado a partir do ano que vem, irá contemplar outras cidades no País.
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A Lotus Brasil não divulga o volume de vendas planejado. “O que podemos afirmar é que nossa meta não é em volume, mas sim em garantir excelência em toda jornada do cliente”, explicou Faria Jr.
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Clemente esclareceu que “o primeiro lote encomendado à Lotus é composto de carros para homologação, da nossa frota e de alguns cliente entusiastas que já quiseram configurar seus carros. O nosso modelo de negócio é muito ligado a personalização dos carros, por tanto vamos ter praticamente 70% do volume de vendas através de encomendas.”
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Preços e modelos da Lotus - Foto: Encontro
 
*Dependendo do modelo escolhido e exclui itens opcionais, especificações, taxas, custo de frete. A Lotus se reserva o direito de revisar seus preços no futuro em decorrência de, mas não limitado a, disponibilidade de materiais, custos de frete, inflação e alterações de taxas e impostos locais. Preços em Libras esterlinas. £1 = R$ 6,70 (em 12/05/2026)
BEV = Veículos elétrico a bateria
ICE= Motor de combustão interna
PBHEV = Veículo elétrico híbrido plug-in 
 

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