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Estado de Minas CIêNCIA

Brasileiro quer ser o primeiro médico a transplantar um coração bioartificial no mundo

Gabriel Liguori pesquisa próteses cardiovasculares na Holanda e quer criar o órgão bioartificial até 2030, usando impressão 3D


postado em 30/03/2016 08:34

Com apenas 2 anos de idade, Gabriel Liguori precisou realizar uma cirurgia cardíaca no Instituto do Coração (InCor), em São Paulo, para tratar uma cardiopatia congênita. As idas e vindas ao hospital acabaram sendo um "incentivo" para que ele desejasse cursar Medicina. Seu sonho era se especializar em cirurgia cardíaca pediátrica. Não é que Gabriel conseguiu realizar seu objetivo? Hoje, aos 26 anos, formado pela USP, ele é doutorando na Universidade de Groningen, na Holanda, e está pesquisando a criação de coração bioartificial, por meio de impressão 3D.

Desde 2015, ele se dedica a pesquisar engenharia de tecidos e o desenvolvimento de próteses cardiovasculares. "Traduzindo, meu objetivo é construir tecidos para serem utilizados durante a cirurgia cardíaca, como vasos e válvulas, usando as células-tronco do próprio paciente", diz Gabriel Liguori.

A ideia de criar um coração bioartificial parece futurista, mas ele garante que não é. "Basicamente, a engenharia de tecidos procura organizar polímeros, células e biomoléculas de maneira a construir tecidos vivos para a reposição e regeneração de órgãos ou parte deles", explica o doutorando.

A criação artificial de órgãos é uma frente promissora na Medicina, e pode significar a diminuição drástica do número de pacientes que aguardam por doadores na fila de transplantes. Para se ter uma ideia, em 2014, para zerar a espera por transplantes no Brasil, seriam necessários 62820 órgãos doados, sem contar as demandas por córneas.

De acordo com o cronograma de Gabriel, a segunda fase do doutorado, que envolve os testes das próteses bioartificiais, deve acontecer já no Brasil. "Quero fabricar e transplantar o primeiro coração bioartificial no país e, quem sabe, no mundo", diz o médico.

Ele estima que ainda sejam precisos 15 anos até que seu objetivo esteja completa. Mas, Gabriel está otimista com o avanço da tecnologia. É uma notícia que deve alegrar instituições como a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). Já que, segundo a ABTO, atualmente, existem 32 mil brasileiros aguardando por um órgão compatível – mais de 200 deles à espera de um novo coração.

"Há um século, as pessoas morriam devido a infecções que, agora, são facilmente tratadas com antibióticos. Hoje, o câncer e as doenças cardiovasculares são o grande desafio, mas, daqui a 100 anos, acredito que poderemos ser imortais", completa Gabriel Liguori.

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