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Estado de Minas

Esponja do mar pode ajudar contra o câncer de mama

Pesquisadores da USP descobriram uma molécula que impede a propagação das células cancerosas


postado em 04/07/2016 08:33

O câncer de mama é o tipo de cancro mais comum entre as mulheres no mundo. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), surgem 57,9 mil casos no Brasil a cada ano. O desenvolvimento do tumor se caracteriza pela proliferação anormal, de forma rápida e desordenada, das células do tecido mamário. A doença fica mais agressiva quando essas migram para outras partes do corpo (metástase). Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP descobriram que uma molécula presente numa espécie de esponja do mar pode impedir esse processo.

A pesquisa, coordenada pela professora Glaucia Maria Machado, analisou esses organismos marinhos e descobriu um composto chamado geodemolídeo, que tem função de inibir a metástase. Segundo a pesquisadora, a substância foi submetida a uma série de testes com o intuito de observar sua atuação. Com o tempo, se percebeu que a molécula atacava o citoesqueleto de actina das células cancerosas. Assim, como essa estrutura está relacionada com a mobilidade, acaba impedindo a migração para outras partes do corpo. "Ele é um composto que não vai, preferencialmente, matar a célula tumoral, mas afetar a sua capacidade de metastização", explica a pesquisadora.

O estudo é importante já que existe a possibilidade de detectar esse tipo de câncer na fase inicial. É essencial que as mulheres fiquem atentas a alterações na mama e investiguem se surgir alguma anormalidade. Para Glaucia Machado, é fundamental o diagnóstico precoce para conter o tumor, mas, às vezes, alguns casos já estão muito avançados e as células tumorais acabam se proliferando por todo o corpo. Desta forma, a produção de uma droga que consiga conter o processo de metástase é uma contribuição muito importante.

A professora menciona que os organismos marinhos possuem muitas substâncias bioativas que podem ter um potencial quimioterapêutico. No caso das esponjas, como a Geodia corticostylifera, por não se movimentarem no mar, acabam produzindo toxinas diferentes para viver. Além disso, elas também possuem uma relação de interação com micro-organismos simbiontes. Ou seja, há uma troca e as esponjas proporcionam um ambiente para os organismos sobreviverem e produzirem moléculas que as ajudam a se proteger dos predadores.

O próximo passo do estudo é descobrir se essas toxinas são sintetizadas pelas próprias esponjas ou pelos organismos da simbiose. De acordo com Glaucia, se essas substâncias forem produzidas por esses micro-organismos, há uma grande vantagem, pois os compostos podem ser cultivados em laboratórios. No caso do geodemolídeo, os pesquisadores estão tentando fazer sua síntese in vitro. A professora ressalta que a molécula terá, então, um potencial terapêutico maior.

(com Agência USP)

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