Falta de visibilidade e erro nos instrumentos podem ter levado à queda do avião da LaMia com a equipe da Chapecoense

Segundo especialista, a aeronave, por ser mais antiga, pode ter tido problema ao fazer o voo por instrumentos, devido às péssimas condições climáticas da região de Medelin

por João Paulo Martins 29/11/2016 08:26

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Twitter/Reprodução e Flyingphotos Magazine News
O avião modelo BAe 146 (abaixo) levando 81 pessoas, incluindo a equipe da Chapecoense, caiu nas proximidades da cidade de Medelin, na Colômbia, deixando 76 mortos (foto: Twitter/Reprodução e Flyingphotos Magazine News)
O Brasil acordou nesta terça, dia 29 de novembro, com a chocante notícia da queda do avião que levava a equipe da Chapecoense, de Santa Catarina. A aeronave caiu pouco antes de fazer o pouso no aeroporto internacional de José María Córdova, que fica na cidade de Medelin, na Colômbia. Ao todo, a aeronave modelo BAe 146, da British Aerospace, carregava 81 pessoas, sendo 72 passageiros, sete tripulantes e dois pilotos.

Devido à gravidade do acidente, foram confirmados apenas sete sobreviventes, sendo quatro jogadores do clube catarinese (o zagueiro Neto, o lateral esquerdo Allan Ruschel e os goleiros Danilo e Follmann), os comissãrios Ximena Suarez e Erwin Tumiri e o jornalista Rafael Henzel. Porém, depois de ser levado para o hospital, o goleiro Marcos Danilo Padilha, considerado o heroi da classificação da equipe para a final da Sulamericana, não resistiu e acabou falecendo.

Entre os 75 mortos no acidente estão o presidente da Chapecoense, o vice-presidente da CBF e o comentarista e ex-técnico Mário Sérgio e o repórter Victorino Chermont, ambos do canal Fox Sports.

O clube brasileiro ia jogar contra o Atlético Nacional de Medelin na quarta, dia 30 de novembro, no primeiro jogo da final da Copa Sulamericana – é a primeira vez que uma equipe de Santa Catarina chega à final de um torneio internacional. A Confederação Sulamericana de Futebol já cancelou a partida.

Segundo as informações divulgadas até o momento, o avião fretado pelo clube catarinense, que saiu da cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, caiu numa região montanhosa entre os municípios de La Ceja e La Unión, a poucos quilômetros de Medelin. As autoridades aeronáuticas colombianas revelaram que o tempo estava muito chuvoso e com baixa visibilidade no momento do acidente. Além disso, a assessoria do aeroporto José María Córdova divulgou uma nota à imprensa dizendo que os pilotos enviaram o comunicado de pane elétrica e que teriam liberado o combustível antes da queda.

"Teoricamente, o avião tem de voar mesmo com pane elétrica. Mas, o piloto decide alijar [liberar] o combustível para deixar a aeronave mais leve, para melhorar os comandos e voar com maior tranquilidade. Na verdade, o modelo BAe 146 é como uma pedra, muito pesado. Cheio de combustível, então, fica ainda mais difícil", comenta o professor Rogério Parra, do curso de Engenharia Aeronáutica da Fumec. Ele esclarece que a aeronave, apesar de ser antiga e ter deixado de ser fabricada em 2002, possui quatro motores turbofan, o que a tornaria confiável. "Não é um avião de baixa qualidade. Os quatro motores lhes dão garantia. Porém, é uma aeronave pequena e pesada, com tecnologia ultrapassada. Hoje, a maioria dos aviões possui apenas dois motores, e têm segurança e garantia de conseguir voar com apenas um", completa o especialista.

Questionado sobre o que poderia ter causado o acidente, já que os pilotos teriam liberado o combustível, mas, mesmo assim, acabaram caindo pouco antes de chegarem ao aeroporto, o professor de engenharia aeronáutica explica ainda é cedo para se chegar a uma causa, mas um problema que pode ter contribuído estaria relacionado aos instrumentos. "Se ele estava voando por instrumentos, não devia ter visibilidade. Se os intrumentos apresentaram problema ou os pilotos não confiaram na leitura, podem ter batido no chão. Esse tipo de situação é chamada de Colisão com o Solo em Voo Controlado [CFIT, na sigla em inglês para Controlled Flight into Terrain]. Os pilotos devem ter batido no solo enquanto ainda voavam. Não teriam noção de altitude", diz Rogério Parra.

O especialista lembra que não se sabe qual a condição do aeroporto de Medelin para garantir a realização de voos por instrumentos. "A gente não sabe qual a capacidade do aeroporto para operar por instrumentos. Os pilotos precisam das informações do solo para ajudar no voo", completa.

Empresa pequena

A reportagem da Encontro apurou na internet que a companhia aérea LaMia (Línea Aérea Mérida Internacional de Aviación) foi fundada em 2015 e, como consta no site oficial da empresa, ela ainda aguarda a finalização do processo de cerificação pela autoridade aeronáutica da Venezuela, onde está sediada – a companhia fica na cidade de Mérida.

O avião BAe 146, que deixou de ser fabricado pela British Airspace em 2002, teria capacidade para até 100 pessoas e estaria com 17 anos de uso – o que não é muito para uma aerovane, segundo Rogério Parra.

Levando em conta a situação da empresa venezuelana, que está até procurando sócios, conforme anúncio no site da instituição, o professor da Fumec enumera cinco fatores que podem ter contribuído para a tragédia que abalou o Brasil nesta terça (29):

  • A companhia aérea ainda não estava homologada

  • A empresa não era colombiana nem boliviana

  • Os pilotos não teriam experiência de voo na região do acidente

  • Não se sabe a capacidade de voo por instrumentos do aeroporto colombiano

  • O avião estava com uma pane elétrica

Abaixo, confira um vídeo que mostra como é feita a aterrissagem no aeroporto internaiconal de José María Córdova, em medelin, na Colômbia:

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