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Estado de Minas CIêNCIA

Estudo mostra que vida na Terra pode ter surgido e desaparecido diversas vezes ao longo do tempo

A presença e a ausência de oxigênio na atmosfera seria um fator importante para o surgimento e a extinção dos seres vivos


postado em 18/01/2017 14:52 / atualizado em 18/01/2017 16:32

Segundo artigo científico publicado pela revista Proceedings da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, nesta quarta, dia 18 de janeiro, na história do planeta Terra, já houve períodos em que tínhamos o mesmo nível de oxigênio de hoje e também a ausência total desse elemento. Com isso, acredita-se que tivemos ciclos de surgimento e extinção de seres vivos em nosso planeta.

"A noção de que houve um período na história da Terra em que ela possuía o mesmo volume de oxigênio de hoje, com seres vivos totalmente diferentes ou mesmo inexistentes, pode significar que a descoberta de oxigênio em planetas distantes nem sempre indica presença de vida", afirma o pesquisador Michael Kipp, do Instituto de Astrobiologia da Nasa, em Seattle (EUA), no artigo recém divulgado.

Segundo consideram os cientistas, em um passado remoto, a Terra tinha pouco em comum com o planeta em que vivemos atualmente. Na atmosfera, além da ausência de oxigênio, havia muito metano e amoníaco. Os reservatórios de líquidos da época pareciam uma espécie de sopa grossa e fervente, povoados por bactérias extremófilas, cujos vestígios foram encontrados em locais muitos antigos da Terra, na forma de "colchões fossilizados", repletos de colônias de micro-organismos.

Por enquanto, não se tem uma teoria oficial sobre o momento em que a vida surgiu no planeta. Há provas, contraditórias, sobre a existência de seres vivos na Terra há 3,7 ou 4 bilhões de anos, ou seja, logo após a formação do planeta e da Lua. Nesse período, a Terra também deixou de ser "bombardeada" por grandes asteroides e cometas, que teriam ajudado a "povoar" o nosso planeta.

Michael Kipp sugere a existência de vida na Terra antes mesmo do evento chamado pelos geólogos de a "Grande Catástrofe do Oxigênio". Que teria ocorrido entre 2,4 e 3,32 bilhões de anos atrás, quando a concentração de oxigênio na atmosfera aumentou de modo drástico, ou seja, saiu de 0,0001 para 21%. A causa deste evento, segundo os cientistas, teria sido a capacidade das cianobactérias de "limpar" o ar, transformando o dióxido de carbono em oxigênio.

Nas profundezas

O pesquisador da Nasa lembra que é extremamente importante entender como as primeiras formas de vida, para as quais o oxigênio era considerado um veneno, conseguiram sobreviver à expansão drástica da substância, adaptando-se gradualmente ao novo elemento. Muitos deles habitavam camadas profundas dos oceanos, onde a concentração de oxigênio era baixa.

Para analisar essa questão, os cientistas recolheram 70 amostras de rochas antigas, formadas entre 2,3 e 2,1 bilhões de anos atrás, constituídas pelas sedimentações de xisto que se formaram na Groenlândia, na África do Sul e em outras partes do mundo.

A investigação do material revelou um fato interessante e inesperado: ao invés de um aumento drástico da concentração de oxigênio e sua redução gradual nos 200 milhões de anos seguintes, os cientistas viram que a concentração de oxigênio na atmosfera permaneceu alta ao longo de todo o período. Depois, ela caiu de modo brusco para quase zero, estagnando ao longo do próximo bilhão de anos. As causas disso, até agora, não foram estabelecidas.

Por outro lado, Michael Kipp e seus colegas da Nasa encontraram vestígios de que até no fim da "Grande Catástrofe do Oxigênio", o oceano possuía zonas completamente sem esse gás. Com isso, a vida precisou encontrar formas de "driblar" a condição do ambiente, por meio da adaptação.

Pelo estudo, no prazo de duzentos milhões para o esgotamento do oxigênio na atmosfera, a vida se "esqueceu" como era viver sem ele. Deste modo, no momento em que ele sumiu de vez, os seres vivos podem ter morrido junto com o gás.

Por isso, segundo os pesquisadores, não é correto afirmar que a existência de oxigênio em outros planetas seja uma forma de comprovar a existência de vida. Já que é provável que esses seres extraterrestres tenham morrido há tanto tempo, que, hoje, não há vestígio algum deles.

(com Agência Sputnik)

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