Povos indígenas modificaram a floresta amazônica há milhares de anos

O novo estudo acaba com a crença de que esse bioma era intocado pelo homem

por João Paulo Martins 07/02/2017 09:59

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University of Exeter/Jenny Watling/Divulgação
Pesquisa realizada na Universidade de Exeter, da Inglaterra, encontrou geoglifos em áreas da floresta amazônica no Acre, que foram feitos por povos indígenas há milhares de anos (foto: University of Exeter/Jenny Watling/Divulgação)
Povos indígenas modificaram a floresta amazônica por milhares de anos antes da chegada dos colonizadores europeus em 1492. Isso é o que mostra um estudo publicado na revista científica americana Proceedings of the National Academy of Sciences, na segunda, dia 6 de fevereiro.

O trabalho, realizado pela pesquisadora Jennifer Watling, na Universidade de Exeter, da Inglaterra, decobriu nada menos que 450 "valetas", ou geoglifos, espalhadas por uma área de 13 mil km² no estado do Acre. Os constantes desmatamentos nessa região da floresta amazônica ajudaram a cientista a localizar, por meio de sobrevoos, essas alterações geográficas feitas por povos antigos.

Apesar de não ter uma explicação oficial para a construção dos geoglifos, Jennifer acredita que não servido como abrigo ou um mecanismo defesa. "Os povos antigos alteraram florestas de bambu e criaram clareiras pequenas e temporárias, levando em conta espécies de árvores economicamente valiosas, como palmeiras. Eles criaram, assim, uma espécie de 'supermercado pré-histórico' de produtos florestais mais úteis", diz o artigo que acompanha o estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences.

A pesquisa se baseou em técnicas inovadoras usadas para reconstruir cerca de 6 mil anos de história encontrada na vegetação e no uso do fogo presentes nas redondezas de dois sítios arqueológicos que continham geoglifos. Jennifer Watling esclarece que a descoberta acaba com a ideia de que a floresta amazônica seria intocada pelo homem, mas chama a atenção para o manejo adequado do meio-ambiente.

"Nossa evidência de que as florestas amazônicas foram manejadas por povos indígenas muito antes do contato com os europeus não deveria ser usada como justificativa para as formas destrutivas e insustentáveis de uso do solo praticadas hoje. Deveria, ao contrário, servir para destacar a ingenuidade dos regimes de subsistência no passado que não levam à degradação florestal e a importância dos povos indígenas na descoberta de alternativas mais sustentáveis para o uso do solo", afirma a pesquisadora no artigo científico.

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