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Estado de Minas BEM-ESTAR

Camu-camu e cupuaçu ajudam no controle da glicose e na redução do peso

As frutas típicas da Amazônia possuem propriedades essenciais para a redução do açúcar no sangue e no consumo de gordura


postado em 03/03/2017 17:22

Uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde em 2015 revelou que 52,5% dos brasileiros estavam acima do peso. No mesmo ano, a Sociedade Brasileira de Diabetes estimou que 12 milhões de pessoas no país sofrem com os efeitos do diabetes tipo 2, que começa silenciosamente e é resultado de, entre diversos fatores, hábitos como o sedentarismo e a má alimentação.

Em estudo realizado pela nutricionista Helena Rudge de Moraes Barros, na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, foram analisadas duas frutas nativas da região amazônica com potencial agroeconômico ainda inexplorado e que contêm grande número de compostos fitoquímicos que poderiam atuar sobre o metabolismo corporal: o camu-camu e o cupuaçu.

A pesquisa utilizou o extrato de compostos fenólicos – estruturas químicas presentes em pequenas quantidades em alimentos de origem vegetal, que podem exercer efeitos preventivos em distúrbios fisiológicos no ser humano – como base dos experimentos. "Como eu trabalhei com duas frutas e elas têm composições diferentes, para cada uma eu tive um resultado distinto. Com o camu-camu, tivemos um efeito em relação à perda de peso e à obesidade. Com o cupuaçu, tivemos mais resultados em relação à glicose sanguínea", esclarece Helena Rudge.

Durante 12 semanas, camundongos receberam uma dieta de 40% de gordura saturada e 40% de sacarose. Eles tinham a glicemia medida constantemente. As cobaias, então, consumiam os extratos de camu-camu e cupuaçu em duas diferentes concentrações. "No fim do experimento, avaliávamos o perfil glicêmico e o perfil lipídico, entre outros indicadores", completa a nutricionista.

O estudo comprovou que a suplementação com o extrato de compostos fenólicos do camu-camu reduziu o ganho de peso corporal e diminuiu a intolerância à glicose e à insulina, independente da dose administrada. Ambos os resultados foram associados a um possível efeito de saciedade, com consequente redução da ingestão da dieta, e com um efeito anti-inflamatório.

Já a suplementação com o extrato de cupuaçu, na maior dose testada, melhorou o equilíbrio da glicose no organismo e, principalmente, dos lipídios, protegendo o tecido hepático dos danos causados pela dieta com alto teor de gordura e açúcar. Estes efeitos foram associados à inibição de enzimas digestivas, com consequente menor absorção de lipídios provenientes da dieta, reduzindo assim a resistência à insulina no fígado e a hiperglicemia.

Para Helena Rudge, novos estudos devem contribuir para um melhor entendimento dos mecanismos, bem como quais metabólitos estão de fato associados aos efeitos benéficos que os compostos presentes nessas duas frutas apresentaram.

(com Jornal da USP)

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