Pais precisam diferenciar comportamento inadequado do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade

Criança agitada ou 'sem modos' não é o mesmo que portadora de TDAH

por Encontro Digital 28/03/2017 15:48

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A psicanalista lembra que pais e profissionais devem ter cuidado ao considerar determinado comportamento inadequado da criança como Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (foto: Pixabay)
Muitos pais vivem um dilema quando se trata do comportamento considerado adequado dos filhos. Até que ponto vale a pena chamar a atenção ou coibir determinada atitude? Será que a criança está agindo de forma natural ou possui algum desvio no comportamento?

"Em minha experiência com tratamento de crianças na rede pública, constatei que nos chegavam todas as semanas encaminhamentos das escolas solicitando 'avaliação neurológica'.  Não poucas vezes me perguntei por que a primeira demanda da escola diante de uma dificuldade com as crianças era a de uma avaliação neurológica, ou seja, um pedido de avaliação que supunha um transtorno neurológico diante de um comportamento difícil de uma criança, que, em principio, poderia ser atribuído a causas tão variadas", diz a psicanalista Maria Cecília Pires do site Criar e Crescer.

A especialista lembra que muitos pais chegam nos consultórios esperando que os profissionais diagnostiquem as crianças com determinado "transtorno" ou "déficit". Porém, isso nem sempre condiz com a verdade. "Ou então, nos casos em que não se encontra como resposta esse tipo de diagnóstico, é como se estivéssemos dizendo que a criança ou o adolescente não têm nada, que não há patologia ou sofrimento psíquico a ser tratado. Não cabe a nós criticar nem esperar que isso se dê de outra forma. [...] No entanto, é preciso dizer: o trabalho clínico com as crianças exige de nós um pouco mais", afirma a psicanalista.

Uma criança agitada, que fala muito, que é considerada "inadequada" em sala de aula, normalmente, é considerada portadora do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), segundo Maria Cecília Pires, mas, na verdade, pode exigir cuidados e intervenções diferentes. "Em todos os casos, identificar o que se passa com ela exigirá que os adultos que a cercam nos falem a partir de sua relação com ela, e que ela mesma possa, a seu modo, expressar algo a alguém que permita isso", diz a especialista.

A psicanalista deixa claro que comportamento não é um sintoma, porque, para isso, seria preciso uma análise clínica, feita por alguém que possa traduzir o que está acontecendo com a criança. "Para que uma doença seja tratada, é preciso entrar em contato com ela. É na relação com o outro que surgem nossas dificuldades e as da criança. E é também aí, na relação com um outro, na relação terapêutica, que o diagnóstico e o tratamento devem se dar, quando se fizerem necessários", completa.

Ou seja, existe uma confusão entre o que seria a manifestação "grosseira e superficial" de uma dificuldade – isto é, o comportamento aparente – e o que exige um trabalho mais elaborado por parte de todos os envolvidos (pais, profissionais e criança), resultadando num diagnóstico.

"Muitas vezes, o diagnóstico amparado no comportamento tem sido usado como um álibi para todos, apaziguando nossas angústias e nos dando a falsa sensação de que, finalmente, sabemos o que fazer com a criança. Os efeitos desse tipo de diagnóstico, revestido de seriedade científica, mas, no entanto, extremamente frágil clinicamente, são muito danosos no caso da criança", comenta Maria Cecília Pires.

(com portal Criar e Crescer)

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