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Estado de Minas BEM-ESTAR

Atrasar o corte do cordão umbilical é benéfico para os recém-nascidos

Segundo estudos recentes, quando o obstetra espera até um minuto para cortar o cordão umbilical, o bebê adquire mais ferro, evitando problemas futuros


postado em 10/04/2017 08:15

Em janeiro deste ano, o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas recomendou formalmente que os médicos passem a aguardar um tempo antes de cortar o cordão umbilical. A sugestão é que espere de 30 a 60 segundos para permitir que mais sangue volte para o recém-nascido durante o processo de nascimento. Neste momento, os vasos que levam o sangue até o bebê começam a se contrair e fornecem ferro extra, essencial para o desenvolvimento do cérebro do recém-nascido.

Durante esse período, o bebê pode ser limpo, coberto e descansar no contato pele a pele com o abdômen ou o peito da mãe, orienta o documento americano. Em um nascimento cesariano, o cirurgião ou um assistente podem segurar o bebê durante este tempo. A recomendação anterior do colegiado, publicada em 2012, aconselhava um atraso para bebês prematuros, mas não tinha evidências suficientes para recomendar o mesmo processo aqueles que nasciam na gestação completa. "À medida que mais e mais evidências se acumulam nesse sentido, já é possível dizer que isso parece ser a coisa certa para todos os bebês, a termo [antes de 39 semanas] e prematuros", afirma o pediatra e homeopata Moises Chencinski.

Outras instituições médicas já recomendam o corte tardio do cordão umbilical. A Academia Americana de Pediatria, assim como o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, também sugere que o profissional espere de 30 a 60 segundos antes de cortar o cordão umbilical. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselha pelo menos um minuto e o Colégio Americano de Enfermeiras-Parteiras de dois a cinco minutos.

Antes de meados de 1900, era uma prática comum esperar alguns minutos antes de cortar o cordão. Porém, com o tempo, obstetras começaram a cortá-lo imediatamente após o parto, devido à crença de que isso supostamente reduziria o risco de hemorragia na mãe. Pesquisas recentes ajudaram a mudar essa mentalidade.

Um ensaio sueco de 2011 descobriu que apenas 0,6% dos bebês que nasceram e tiveram o cordão umbilical cortado com atraso de três minutos eram deficientes em ferro aos 4 meses de idade, em comparação com 5,7% dos que eram "desligados" da mãe imediatamente. Aos 4 anos de idade, as crianças com clampeamento tardio do cordão apresentaram maiores habilidades motoras e sociais, uma diferença particularmente evidente entre os meninos, que podem ser mais suscetíveis à deficiência de ferro. Outra pesquisa, uma revisão sistemática de estudos, em 2013, concluiu consistentemente que esperar para cortar o cordão dá aos bebês uma taxa extra desse nutriente.

"A deficiência de ferro afeta de 8 a 14% dos bebês e crianças nos Estados Unidos; a prevalência é muito maior nos países em desenvolvimento. Um relatório de 2015 observou que a prevenção de deficiência de ferro é preferível ao tratamento dessa complicação. Mesmo os bebês que são bem cuidados e têm acesso a atendimento médico confiável, e cuja família tem comida suficiente, ainda podem apresentar deficiência de ferro", explica Moises Chencinski.

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