Desmatamento da Mata Atlântica bate recorde no Brasil

Em um ano, foram desmatados mais de 29 mil campos de futebol

por Encontro Digital 29/05/2017 16:30

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SOS Mata Atlântica/Divulgação
Entre 2015 e 2016, a Mata Atlântica perdeu nada menos que 29.075 hectares no Brasil, o que representa um aumento de quase 58% em relação ao período anterior (foto: SOS Mata Atlântica/Divulgação)
O desmatamento na Mata Atlântica cresceu 57,7% em apenas um ano, entre 2015 e 2016. Nesse período, o bioma perdeu nada menos que 29.075 hectares, o equivalente a mais de 29 mil campos de futebol. O número foi apresentado pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) nesta segunda, dia 29 de maio.

No período anterior (2014-2015), o desmate no bioma havia sido de 18.433 hectares. Segundo Marcia Hirota, diretora executiva da SOS Mata Atlântica, há 10 anos a área, que se espalha por 17 estados, não registrava um desmatamento dessas proporções. "O que mais impressionou foi o enorme aumento no desmatamento no último período. Tivemos um retrocesso muito grande, com índices comparáveis aos de 2005", diz a ativista. No período de 2005 a 2008, a Mata Atlântica perdeu 102.938 hectares de floresta, ou seja, média anual de 34.313 hectares a menos.

Estados

Entre 2015 e 2016, a Bahia foi o estado com maior desmatamento do bioma, com 12.288 hectares desmatados, 207% a mais que no período anterior, quando foram destruídos 3.997 hectares de vegetação nativa. Os municípios baianos de Santa Cruz de Cabrália e Belmonte lideram a lista dos maiores desmatadores com 3.058 hectares e 2.119 hectares, respectivamente. Se somados aos desmatamentos identificados em outras cidades do sul da Bahia, como Porto Seguro e Ilhéus, cerca de 30% da destruição do bioma no período ocorreu nesta região.

"Essa região é a mais rica do Brasil em biodiversidade e tem grande potencial para o turismo. Nós estamos destruindo um patrimônio que poderia gerar desenvolvimento, trabalho e renda para o estado", avalia Marcia Hirota.

Minas Gerais aparece em segundo lugar no ranking, com 7.410 hectares desmatados. Os principais pontos de desflorestamento ocorreram nos municípios de Águas Vermelhas (753 hectares), São João do Paraíso (573 hectares) e Jequitinhonha (450 hectares). Segundo os dados da SOS Mata Atlântica e do Inpe, a região é reconhecida pelos processos de destruição de vegetação nativa para produção de carvão ou pela conversão da floresta por plantios de eucalipto. Minas liderou o desmatamento em sete das últimas nove edições do Atlas da Mata Atlântica.

(com Agência Brasil)

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