Festa junina era, originalmente, uma festa pagã, sabia?

Essa tradicional celebração de junho ganhou força no Brasil

por Encontro Digital 23/06/2017 11:35

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Carlos Augusto dos Santos/PBH/Divulgação
As quadrilhas e os quitutes são as grandes atrações das festas juninas realizadas em todo o Brasil durante o mês de junho (foto: Carlos Augusto dos Santos/PBH/Divulgação)
Comida típica, fogueira, quadrilha e fogos de artifício são alguns dos elementos tradicionais das festas juninas que podem ser encontrados em diversas partes do país. Seja em um grande evento na cidade, uma quermesse no salão da igreja ou um arraiá da família, eles estão comumente presentes nos festejos do mês de junho, que tem raiz histórica nos rituais de celebração das colheitas. A festa milenar, no entanto, foi se transformando ao longo dos anos, mas se manteve como uma manifestação cultural da relação do homem com o campo.

"A festa junina é uma festa enraizada na cultura brasileira, que tem o alimento como um importante elemento de identidade", aponta a historiadora Eliane Morelli Abrahão, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ela destaca que muitas das quermesses, por exemplo, não estão mais associadas aos santos católicos, mas, sim, à comida. "É uma festa muito associada ao alimento, que acaba sendo o signo da memória coletiva. As comidas típicas significam essa memória coletiva do nosso povo", comenta a especialista em entrevista à Agência Brasil.

De acordo com a historiadora, as comemorações juninas remontam ao século XII e têm origem nas festas pagãs. "Esses povos da antiguidade já acreditavam que a celebração à deusa Juno, que era considerada a protetora do casamento, do parto e da mulher, proporcionaria fartas colheitas", esclarece. A Igreja Católica, no entanto, não via com bons olhos essas festas populares e começou um processo de incorporação dos festejos, vinculando-os ao calendário litúrgico. "É o período do solstício de verão na Europa, então está muito ligado com a questão da plantação e das colheitas", acrescenta a especialista.

No Brasil, o festejo junino está novamente associado a um processo de incorporação pela Igreja Católica. "Os colonizadores portugueses e os padres jesuítas quando chegam aqui se deparam com as tradições indígenas de preparação do solo para o plantio que também tinham como intuito essa safra abundante. Os índios também já tinham esse costume de fazer as festas nesse período", explica Eliane Morelli. A festa indígena foi intercambiando com a festa cristã em torno, especialmente, da figura de São João Batista.

(com Agência Brasil)

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