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Estado de Minas COMPORTAMENTO

A lembrança causada pelos alimentos é a mais forte que temos

Estudiosos explicam que a memória gustativa pode deixar marcas profundas


postado em 09/08/2017 10:57

Você já viveu a experiência de comer algum alimento e ser levado de volta a um momento marcante da infância? Pois é, esta situação é bastante comum e recebe o nome de memória gustativa. Segundo especialistas, ela é a mais poderosa sensação de nosso corpo e nos conduz aos momentos de "saudosismo alimentar". Inclusive, o instinto que nos faz evitar alimentos ruins, venenosos e podres também está ligado a essa parte da memória.

Segundo a professora Susan Whitborne, especializada em ciências psicológicas e cerebrais da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, as lembranças provocadas pelos alimentos envolvem os cinco sentidos, por isso, são as mais intensas. Neste caso, o conjunto de sensações também serve para explicar porque o sabor de uma torta ou o aroma de um frango, por exemplo, podem remeter à época em que costumávamos frequentar a casa da avó.

O psicólogo e neurocientista Hadley Bergstrom, professor assistente da faculdade Vassar College, em Nova Iorque (EUA), esclarece que a memória gustativa também pode remeter a lembranças negativas. Segundo ele, quando você tem uma experiência ruim com algum alimento, esta recordação permanecerá ao longo da vida e trará à tona não só o gosto da comida, mas todo o contexto em que envolveu aquele momento. Isso faz com que evitemos, instintivamente, alimentos que não estão aptos para serem consumidos.

"O efeito do mal-estar é tão profundo que, embora você passe mal por algumas horas depois de ter comido o alimento, você ainda terá essas lembranças extremamente fortes sobre o alimento e onde você o comeu", diz Bergstrom em entrevista ao site de notícias HuffPost.

Ainda de acordo com o psicólogo, o ato de recriar uma receita que marcou a infância não provocará o mesmo efeito. Ele dá como exemplo um acontecimento de seu passado. Um padrinho sempre contava sobre um pudim que a avó havia feito quando ainda era criança. Aos 57 anos, ele tentou recriá-lo usando os mesmos ingredientes. Porém, o sucesso não foi o mesmo, pois, segundo Bergstrom, não é possível recriar o contexto emocional que marcou essa passagem da infância. O pudim pode até ficar excelente, mas não carregará consigo a emoção de quando ele foi feito pela avó.

(com portal HuffPost)

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