Especialista diz que eutanásia não é opção em caso de leishmaniose

O médico veterinário ouvido na Assembleia Legislativa de Minas Gerais critica os governos que usam o extermínio de animais doentes

por Encontro Digital 21/08/2017 13:59

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Professor da PUC Minas critica governos que usam a eutanásia como opção para solucionar o problema da leishmaniose em cães e gatos (foto: Pexels)
Atualmente, além de antiético, o extermínio ou abate em massa de animais está longe de ser uma forma eficiente de controle da leishmaniose na população de cães e gatos. Existem políticas públicas voltadas para o investimento em vacinas, medicamentos, inseticidas e campanhas educativas, que podem gerar resultados mais eficientes, com vantagens sobre o controle dos vetores que transmitem a doença que atinge tanto animais quanto humanos.

Quem defende o fim da eutanásia dos animais infectados é médico veterinário Vitor Márcio Ribeiro, professor da PUC Minas. Ele participou de uma audiência pública da Comissão Extraordinária de Proteção dos Animais da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na quinta, dia 17 de agosto. Segundo o especialista, há evidências científicas de que medidas preventivas como o diagnóstico e o tratamento precoce da leishmaniose, assim como o combate ao vetor, estão entre as ações mais eficientes de controle em todo o mundo.

"Os animais não podem ser descartados. Nossa gestão pública, durante muito tempo, lidou com os animais como se fossem descartáveis, mas o que o Brasil fez historicamente é errado. Não é necessário extermínio para controlar a leishmaniose", afirma Vitor Ribeiro.

Para o professor da PUC, é preciso que se utilize um modelo de política de saúde global e única, que passe pelo saneamento básico e o combate à pobreza e trate com dignidade e respeito os animais.

O médico veterinário lembra ainda que existem vários tipos de moléstias causadas pelo protozoário leishmania, mas, a mais grave é a leishmaniose visceral, de grande incidência no Brasil. Segundo ele, o Brasil registra, anualmente, entre três mil e quatro mil casos dessa doença, o que nos deixa equiparados com países como Etiópia, Índia, Quênia, Somália e Sudão.

Ações de combate

Durante a audiência na ALMG, além de defender o investimento em campanhas educativas, saneamento básico e programas de vacinação, Vitor Ribeiro propõe também a isenção de impostos para a comercialização de medicamentos, como forma de reduzir o preço do produto para o consumidor, e aponta algumas medidas que podem ser tomadas pela população:

  • Limpeza do ambiente de convivência do animal, com a retirada de matéria orgânica, para evitar a reprodução dos insetos vetores

  • Utilização, nas residências, de plantas repelentes, como a citronela

  • Uso de inseticidas e de colares repelentes em cães e gatos

  • Evitar passear com os pets no horário noturno ou crepuscular, mais propício à ação dos vetores

(com assessoria de imprensa da ALMG)

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