Estudo da Uerj mostra que desigualdade no país ainda afeta mais as mulheres negras

Pesquisa aponta que as negras ganham muito menos que as trabalhadoras brancas, por exemplo

por Encontro Digital 29/08/2017 15:52

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Segundo o estudo da Uerj, as mulheres negras são as principais vítimas da desigualdade no Brasil, especialmente em tempos de crise econômica (foto: Pixabay)
As desigualdades raciais, de gênero e sociais continuam altas no país. A constatação é do relatório do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp/Uerj), divulgado na segunda-feira, dia 28 de agosto. Os dados indicam que as mulheres negras estão em desvantagem em relação a outros grupos.

Um exemplo é a carioca Carla Lima, primeira de sua família a concluir o ensino superior. Ela, assim como muitas mulheres negras, considera que ainda é preciso trabalhar muito para provar a competência e se manter na profissão que escolheu. "Esse acúmulo de trabalho, essa necessidade de mostrar eficiência, e dizer: 'eu cheguei lá por mérito', isso é muito dolorido. Tem o quanto abandonamos de nossa vida pessoal, social e afetiva", destaca a advogada, sugerindo que nem todas as pessoas têm oportunidades iguais.

O relatório elaborado pelo Grupo de Estudos Disciplinar da Ação Afirmativa (Gemaa), do Iesp, mostra que, apesar do desenvolvimento econômico dos últimos anos, as desigualdades não diminuíram e dificultam a vida dos brasileiros. O documento analisou os números de 2011 a 2015 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo a pesquisa, pessoas pretas e pardas (consideradas negras pelo IBGE), quando somadas, são maioria entre os brasileiros, representando 55% da população. No entanto, em relação aos rendimentos desse grupo, à escolaridade e às classes sociais, estão em desvantagem quando comparadas às pessoas brancas, que permanecem no topo dos indicadores.

As mulheres negras, em geral, estão sempre nos mais baixos patamares. O rendimento delas era o menor da pesquisa (R$ 800), enquanto as mulheres brancas obtinham, por mês, R$ 1.496. Já homens brancos alcançaram quase o dobro do rendimento médio das pretas e pardas (R$ 1.559).

No quesito educação, as desigualdades permanecem, mostrando que o caso da advogada Carla Lima é exceção. O estudo do Gemaa afirma que entre as raças, não há mobilidade social. Ou seja, é muito difícil para uma pessoa negra ascender socialmente e melhorar de vida ou se manter lá.

"Pretos e pardos que nascem, ou melhor, que estão no alto, que têm os melhores empregos, têm mais dificuldade de manter esse status social, tendem a cair mais do que os brancos que nascem nessa condição", explica o cientista político João Feres Júnior, coordenador do Gemaa e do levantamento com base na PNAD. Ele também afirma que os negros que nascem pobres têm mais dificuldade em subir para as classes sociais mais altas ou médias do que os brancos que nascem pobres.

A pesquisa alerta que, em tempos de crise, a tendência é que as desigualdades se aprofundem, como é o caso do desemprego. A falta de trabalho já atinge de maneira mais severa a população preta, depois a parda e, por fim, a branca. "A tendência histórica em sociedades marcadas pela desigualdade, como a nossa, é de as elites perderem menos em tempos de crise e ganharem mais em tempos de bonança", conclui o documento, defendendo a manutenção de políticas públicas específicas para negros.

(com Agência Brasil e TV Brasil)

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