Estudo mostra que áreas com segregação social podem causar hipertensão e diabetes

Segundo a Fiocruz, moradias de baixa renda próximas a áreas ricas aumentam o risco de problemas cardiometabólicos

por Encontro Digital 19/09/2017 10:50

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Jorge Maruta/Jornal da USP/Divulgação
Pesquisa feita pela Fiocruz e outras cinco instituições aponta que a segregação social é um fator de risco para o aparecimento de hipertensão e diabetes (foto: Jorge Maruta/Jornal da USP/Divulgação)
Uma pesquisa inédita realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e mais cinco centros de pesquisa brasileiros revela que indivíduos que moram em vizinhanças mais segregadas economicamente – com maior concentração de domicílios com renda menor do que três salários mínimos –  têm 26% mais chance de apresentarem hipertensão e 50% de desenvolverem diabetes, comparados com aqueles que residem em áreas mais balanceadas. O estudo foi publicado na edição de agosto da revista científica Social Science & Medicine.

Foi analisada uma população de 10.617 indivíduos, participantes do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa-Brasil), investigação feita por pesquisadores de seis instituições públicas, entre elas a Fiocruz, que tem como objetivo investigar a incidência e os fatores de risco para doenças cardiovasculares e o diabetes tipo 2, incluindo determinantes sociais, ambientais, ocupacionais e biológicos.

"Até onde conseguimos identificar, esses são os primeiros resultados de estudo epidemiológico brasileiro de grande porte a demonstrarem a associação entre a segregação residencial e condições relacionadas à saúde. Além disso, incorpora o contexto de moradia à etiologia da hipertensão e diabetes, normalmente relacionada somente a características individuais como idade, obesidade e história familiar", comenta Dóra Chor, pesquisadora da Fiocruz e autora senior do estudo.

Os resultados, segundo Dóra, sugerem que a segregação econômica, presente na vizinhança, está associada a uma maior prevalência de hipertensão e diabetes, independentemente de características individuais como idade, renda e escolaridade. Além disso, comparados aos brancos, participantes pretos e pardos moram mais frequentemente em vizinhanças com maior nível de segregação e apresentam maior prevalência das duas doenças.

Ainda de acordo com o estudo, além da periferização da parcela mais pobre da população das cidades brasileiras, a segregação residencial significa segregação econômica e social. Em numerosas situações, vizinhanças altamente segregadas são completamente excluídas do acesso ao trabalho formal e infraestrutura pública que são indispensáveis à saúde e bem-estar.

Dados de 2012 do Ministério da Saúde mostram que 30% de todas as mortes no Brasil foram atribuídas a doenças cardiovasculares, fazendo dos fatores de risco cardiometabólicos, como hipertensão e diabetes, graves problemas de saúde pública.

(com Agência Fiocruz)

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