Bactéria da boca pode migrar para o coração e causar uma doença grave

A falta de higiene bucal pode levar ao surgimento da endocardite, um problema muito grave

por Da redação com assessorias 03/10/2017 14:48

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A higiene adequada da boca ajuda não apenas a manter a saúde dos dentes e das gengivas, mas protege também contra a endocardite, doença grave que afeta o coração (foto: Pixabay)
A boca humana pode abrigar cerca de 700 tipos de bactérias. Geralmente, elas não causam problemas e as pessoas convivem bem com essa população de micróbios, que são controlados por meio da escovação dos dentes e do uso do fio dental. Mas, quando alguma dessas bactérias – especialmente a Streptococcus gordonii – sai do controle, pode migrar para outros tecidos, usando a corrente sanguínea, e gerar danos inclusive no coração.

Pesquisadores da Universidade de Bristol, na Inglaterra, revelaram que a endocardite é a cardiopatia mais comum causada pela Streptococcus gordonii – a bactéria estimula a formação de coágulos de sangue nas válvulas do coração, levando o paciente a um quadro de insuficiência cardíaca aguda e grave. Quando não diagnosticada e tratada imediatamente, essa doença pode ser fatal.

Como mostra Helenice Biancalana, diretora do departamento de Prevenção da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas, a endocardite é uma doença cardíaca grave e que deve ser diagnosticada precocemente. Neste caso, o cirurgião-dentista tem um papel importante na prevenção das doenças bucais que podem levar a problemas em outras áreas do corpo.

"Apesar da higiene oral contribuir muito na prevenção de doenças sistêmicas, é importante que as pessoas compreendam a gravidade de uma infecção bucal não tratada. Tem gente que passa anos negligenciando uma ferida recorrente nas partes moles da boca, gengiva que sangra, formação de abcessos, próteses mal ajustadas, enfim, são tantos os quadros que poderiam ser rapidamente tratados e curados no consultório odontológico antes de atingir um estado mais grave, que possa comprometer a saúde geral e a vida do paciente", esclarece a especialista.

Dados do Instituto do Coração revelam que um em cada quatro pacientes com endocardite acaba falecendo. As complicações são muitas. Por isso, é importante identificar pessoas que tenham higiene bucal deficitária para que seja corrigido o problema. Além disso, é importante que seja feita uma reeducação no que se refere aos cuidados com a saúde bucal.

Os sintomas mais comuns de endocardite bacteriana são febre baixa, fadiga, perda de peso sem motivo aparente, suor excessivo e dores nas articulações. "Quando um paciente apresenta alguns desses sintomas e vai a uma clínica odontológica fazer um tratamento dentário, o cirurgião-dentista deve encaminhá-lo a um cardiologista. Apesar de não ser atribuição do cirurgião-dentista diagnosticar a endocardite bacteriana, cabe a ele perceber o risco potencial do paciente e sugerir medidas que contribuam para a prevenção da sua saúde", diz Helenice Biancalana.

Ainda de acordo com a dentista, estudos mostram que a endocardite é mais comum em homens, na faixa etária entre 45 e 70 anos, que apresentem indícios de falta de higienize bucal adequada.

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