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Estado de Minas COMPORTAMENTO

Como lidar com a 'crise dos 30 anos'?

Psicóloga comenta essa fase da vida que deixa os jovens adultos como 'adolescentes sem rumo'


postado em 20/10/2017 13:35

Pessoas na faixa dos 30 anos, segundo a Psicologia, estão próximas a um período chamado de "meio da vida", que é caracterizado por muitas mudanças, um momento de reflexão e revisão do que foi feito até ali – isso ajuda nas escolhas que estão por vir. Hoje em dia, porém, com o mundo mais dinâmico e o maior leque de possibilidades na vida, a "crise dos 30" se mostra mais evidente. "A diferença é que hoje temos uma permissão social para falar sobre o desejo de seguir um caminho e trabalhar com algo que faça sentido para nós", comenta a psicóloga Bruna Tokunaga Dias.

Segundo a especialista, as pessoas nessa faixa etária começam a questionar o sentido de se passar 12 ou 15 horas por dia dentro de uma empresa, visto que o corpo e a cabeça começam a dar sinais de insatisfação. "Começam a repensar suas escolhas, possuem mais perguntas do que respostas. Se não estão felizes, o resto da vida parece tempo demais para seguir pelo mesmo caminho", diz a psicóloga.

Bruna Tokunaga constatou que, a partir das questões de carreira, as pessoas mobilizam questionamentos existenciais que geram impactos, além do âmbito profissional.

A geração atual dos brasileiros com 30 anos já mostram atitudes diferentes em relação aos seus pares no passado. Um exemplo disso, são os dados do IBGE, que mostram que os brasileiros estão indo cada vez mais tarde para o altar. E, com a tendência de adiar o casamento e a chegada dos filhos – que deixaram de ser socialmente "obrigatórios" –, o foco de muitos jovens adultos acaba sendo a carreira. "É como se fosse um mantra: primeiro vou resolver minha vida profissional, até porque, atualmente, a carreira ser bem-sucedida é responsabilidade de cada um e não mais da empresa", comenta a especialista.

O ponto crucial é que, em geral, na faixa dos 30 anos, a carreira, para muitas pessoas, acaba se confundindo com a própria identidade. "Retomam questionamentos internos comuns na adolescência e, quando essas questões são colocadas diante de inúmeras possibilidades, as decisões ganham um peso, muitas vezes, difícil de suportar. E a saída, consciente ou inconscientemente escolhida por alguns, é adiar essa decisão o máximo possível. Outros acabam se deixando levar por idealizações sobre o trabalho e não raro fazem escolhas que não se sustentam por muito tempo", aponta Bruna.

O conselho da psicóloga é que os 30 anos devem ser entendidos como a "adolescência" da vida adulta, um convite ao amadurecimento. "É o momento de olhar para trás e entender o que foi construído até ali. É hora, então, de olhar para frente, de ajustar a rota e seguir viagem com a bagagem atualizada. Mas, para que esse caminho seja sólido e iluminado, é preciso, entre a chegada e a partida, olhar para dentro e se perguntar: a quem serve isso que estou fazendo? Em momentos difíceis, busque fazer a escolha o melhor possível. Para isso, faça uma lista de prós e contras e anote as razões pelas quais escolheu por um determinado caminho", esclarece a especialista.

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