É preciso tratar o transtorno de acumulação logo no início

Apoio da família é essencial no tratamento dos acumuladores de objetos ou animais

por Da redação com assessorias 27/10/2017 14:05

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YouTube/Canal A&E Brasil/Reprodução
O programa Acumuladores Compulsivos, do canal A&E, da TV por assinatura, mostra o drama vivido pro pessoas que sofrem com o Transtorno da Acumulação (foto: YouTube/Canal A&E Brasil/Reprodução)
Não é difícil encontrar pessoas que costumam acumular objetos ou animais abandonados em casa. Apesar de parecer uma atitude solidária, no caso dos bichinhos de rua, a pessoa pode sofrer com o chamado Transtorno da Acumulação. A necessidade de coletar intencionalmente objetos ou animais e a dificuldade de se desfazer das posses, juntamente com problemas para organizar o ambiente em que mora, são as principais características do transtorno.

Esse problema psiquiátrico ficou mais conhecido do público em geral graças ao programa Acumuladores Compulsivos, exibido pelo canal de TV por assinatura A&E. Assistir aos episódios pode ser uma experiência chocante, já que o Transtorno da Acumulação leva a pessoa a conviver com lixo, animais mortos, sujeira, odores insuportáveis e uma infinidade de objetos sem utilidade que acabam colocando a vida do acumulador em risco e deixando a casa inabitável – além de ser um problema de saúde também para os vizinhos.

Nem toda intenção de guardar objetos que possuem valor sentimental, ou ainda fazer coleções pode ser considerada doença. "O que diferencia o Transtorno da Acumulação de uma pessoa mais apegada aos bens materiais ou animas, por exemplo, é a gravidade do comportamento que pode levar a problemas com autoridades sanitárias, sofrimento psíquico, incapacidade para trabalhar e isolamento social", explica a psicóloga Carolina Marques, cofundadora da Estar Saúde Mental.

Origem na infância?

Segundo a especialista, algumas pesquisas indicam que a origem do acúmulo pode estar na violência física, doença mental dos pais e privação afetiva na infância, assim como na privação material em algum momento da vida. Mas, a manifestação é mais aparente na meia idade e segue um padrão: costuma afetar pessoas que moram sozinhas, não trabalham e estão acima do peso. Além disso, o transtorno é duas vezes mais frequente nos homens do que nas mulheres.

A psicóloga explica que a acumulação possui diferentes perfis. "Os acumuladores que têm o chamado consumismo compulsivo costumam comprar enormes quantidades de um mesmo item, pegar doações e coletar objetos na rua. O prazer está no acúmulo e não no aproveitamento do objeto", comenta Carolina Marques.

Já os acumuladores de animais são aqueles que coletam animais abandonados de forma compulsiva. "São dúzias ou centenas de animais que acabam tendo um tratamento inadequado e vivem em condições insalubres. Este tipo é mais comum em mulheres de meia idade, solteiras e que vivem sozinhas", diz a especialista.

Por sua vez, o acumulador colecionador é o que menos preocupa. A psicóloga esclarece que a diferença entre o colecionador saudável e o acumulador patológico é que o primeiro escolhe um item especifico (camisetas, carrinhos etc.) e o segundo coleciona qualquer objeto e apresenta dificuldades para organizar o ambiente em que vive.

Desapego = sofrimento

De acordo com Carolina, as pessoas que têm o Transtorno da Acumulação apresentam enorme dificuldade para se livrarem dos objetos ou dos animais. "Eles não reconhecem como um problema, pelo contrário, eles colocam valores afetivos às coisas, possuem uma conexão emocional com os objetos ou animais. Com isso, são desenvolvidas crenças disfuncionais sobre o descarte, assim como pensamentos catastróficos, como, por exemplo, se conseguem viver sem isso, não terei dinheiro para comprar outro etc.", explica a especialista.

Tratamento

Como é possível observar no programa de TV, o tratamento é muito difícil. Os acumuladores são muito resistentes a se livrar do entulho ou dos animais. "Por isso, é importante que, ao notar qualquer sinal que possa indicar a acumulação patológica, a família busque ajuda. Os acumuladores não percebem o problema, não têm motivação para tomar decisões. Por isso, a família é muito importante", reforça Carolina Marques.

A terapia cognitivo-comportamental é a abordagem mais aplicada atualmente para tratar o transtorno, pois ela trabalha para quebrar as crenças disfuncionais sobre o acúmulo, além de ajudar na tomada de decisão e a desenvolver estratégias para diminuir a frequência dos hábitos de coleta. Como os acumuladores têm pensamentos distorcidos ou até mesmo catastróficos para se livrar das coisas, a psicoterapia ajuda a diminuir o sofrimento associado ao descarte.

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