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Estado de Minas CIêNCIA

Estudo comprova benefício dos jogos eletrônicos para os idosos

O videogame consegue recuperar e ampliar a área do cérebro responsável pela memória


postado em 19/12/2017 14:00 / atualizado em 19/12/2017 14:46

Apesar de muita gente torcer o nariz para os jogos eletrônicos, cada vez mais a ciência vem monstrando que determinados tipos de games trazem benefícios para o cérebro. Um novo estudo realizado no Canadá, publicado recentemente na revista especializada Plos One, usou análises neurais para mostrar que a prática diária de videogames resulta, em adultos e idosos, no aumento das atividades do hipocampo, área do cérebro responsável pela memória. O resultado obtido pelos cientistas canadenses poderá ser usado como estratégia de prevenção a problemas neurológicos recorrentes no envelhecimento, como o Mal de Alzheimer e outras formas de demência.

Em 2014, pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá, recrutaram voluntários de 20 anos que foram instruídos a jogar games que envolvessem atividades de resolução de tarefas de lógica e quebra-cabeça. As análises mostraram que, ao longo do experimento, os participantes apresentaram aumento da matéria cinzenta do cérebro. Os achados estimularam a equipe a ampliar o estudo. "Nós mostramos, anteriormente, que os jogos 3D podem aumentar a matéria cinzenta de adultos mais novos. Buscamos, portanto, replicar esse efeito em adultos mais velhos e saber se o mesmo ocorreria, pois seria algo importante", conta Gregory West, professor de psicologia da Universidade de Montreal e principal autor do estudo, em entrevista para o jornal Correio Braziliense.

Para o experimento com idosos, foram selecionadas 33 pessoas, com idade entre 55 e 75 anos, que foram divididas em grupos aleatórios. Parte dos participantes foi instruída a jogar videogames durante 30 minutos por dia, cinco vezes por semana. A outra parcela foi orientada a tomar aulas de piano – pela primeira vez na vida – com a mesma frequência. Um terceiro grupo, que funcionou como controle, não realizou tarefa alguma. O experimento durou seis meses e foi conduzido na casa de cada participante, onde foram instalados os consoles e os pianos.

Os pesquisadores avaliaram os efeitos do experimento antes das práticas, logo que após as atividades e seis meses depois do início do estudo, por meio de duas análises: testes de desempenho cognitivo e ressonância magnética. Os métodos permitiram a observação das atividades do cérebro e de possíveis mudanças em três áreas: o córtex pré-frontal dorsolateral, que controla o planejamento, a tomada de decisões e a inibição; o cerebelo, que desempenha um papel importante no controle e no equilíbrio motor; e o hipocampo, o centro da memória.

De acordo com a ressonância magnética, apenas os participantes do grupo dos jogos eletrônicos apresentaram aumento no volume de matéria cinzenta no hipocampo e no cerebelo, além de melhora na memória de curto prazo. O líder do estudo explica que esse resultado pode ter ocorrido devido a um estímulo neural mais forte promovido pelos games. "O jogador precisa navegar em um ambiente virtual, confiando em um mapa cognitivo interno. Isso significa que a pessoa precisa confiar na própria memória interna do ambiente para navegar, em vez de, digamos, seguir pistas externas, como um sistema de GPS. Quando as pessoas formam um mapa cognitivo, usam o hipocampo. Isso pode explicar por que esse tipo de jogo promove o aumento da matéria cinzenta nessa estrutura", esclarece Gregory West.

Os testes também revelaram melhorias neurais em indivíduos que participaram das aulas de piano. Eles registraram aumento da matéria cinzenta no córtex pré-frontal e no cerebelo dorsolateral, mas em menores proporções, quando comparados aos voluntários que usaram videogame. O grupo controle, que não realizou nenhuma das duas atividades, mostrou sinais de atrofia nas três áreas do cérebro analisadas. "Quando o cérebro não está aprendendo coisas novas, a matéria cinzenta se atrofia à medida que as pessoas envelhecem. A boa notícia é que podemos reverter isso e aumentar o volume aprendendo algo novo, como usando jogos 3D", ressalta o pesquisador canadense.

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