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Estado de Minas SAúDE

Piscar excessivamente pode ser sinal de blefaroespasmo

O problema é considerado raro e afeta principalmente pessoas com mais de 56 anos


postado em 04/12/2017 17:41 / atualizado em 04/12/2017 17:57

Todo mundo sabe que o ato de piscar é natural e essencial para a manutenção da saúde ocular – proporciona, por exemplo, lubrificação para os olhos e proteção contra objetos estranhos. Em média, uma pessoa pisca até 20 vezes por minuto. isso significa que chegamos a ficar com os olhos "fechados" cerca de 10% do tempo em que estamos acordados. Porém, algumas pessoas, especialmente as que têm mais de 56 anos, podem sofrer com uma condição caracterizada por piscar descontroladamente, chamada de blefaroespasmo essencial, um problema raro, com uma incidência entre 16 e 133 casos a cada um milhão de pessoas.

Segundo a oftalmologista Tatiana Nahas, da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, o blefaroespasmo é caracterizado por contrações espasmódicas bilaterais dos músculos ao redor dos olhos, especificamente da musculatura que controla o movimento da pálpebra e dos cílios. "Essas contrações, que são chamadas de espasmos, fazem com que as pálpebras se fechem", comenta a especialista.

O problema, geralmente, começa com um simples piscar continuado, mas pode se arrastar por dias ou até mesmo por semanas, afetando a qualidade de vida da pessoa. "Se não tratado, o blefaroespasmo irá evoluir para a chamada cegueira funcional", afirma a médica.

Até agora, a causa exata dessa condição rara permanece desconhecida. Entretanto, alguns estudos apontam que a genética é importante, já que é comum encontrar membros de uma mesma família que desenvolveram a condição. Além disso, eventos estressantes, como morte de cônjuge, perda de emprego, infidelidade conjugal, problemas financeiros, entre outros, estão ligados ao desencadeamento desse tipo de espasmo.

Sintomas

No início, o paciente poderá relatar aumento da frequência ou duração do ato de piscar, assim como dificuldade de manter os olhos abertos. A maioria dos pacientes pode apresentar uma produção de lágrimas deficiente. Isso leva à irritação dos olhos e, consequentemente, a piora dos espasmos. Estudos mostram que, no início da condição, mais da metade dos pacientes com blefaroespasmo apresentam queixas oftalmológicas de irritação, fotofobia (sensibilidade à luz), olho seco ou sensação de corpo estranho.

"Nota-se que, ao longo de algumas semanas, os espasmos ficam cada vez mais frequentes e, com isso, pode surgir a cegueira funcional que leva a outras situações como isolamento social e incapacidade para o trabalho. O comprometimento das atividades da vida diária, como dirigir, ver TV, ler ou sair de casa sozinho é importante em pessoas com blefaroespasmo", comenta Tatiana Nahas.

Tratamento

Um dos tratamentos mais efetivos para o problema é o uso da toxina botulínica. A substância é injetada nos músculos afetados para enfraquecê-los e bloquear os impulsos nervosos que levam a essa contração ininterrupta. "Geralmente, é preciso repetir o procedimento a cada três ou quatro meses", comenta a médica.

Nem todos os casos respondem ao tratamento com a toxina botulínica. Para estes, é recomendada a cirurgia. "Uma das opções cirúrgicas é remover toda a musculatura da pálpebra superior e parte da pálpebra inferior. Essa técnica é chamada de miectonia limitada. Ela melhora os aspectos funcionais e os estéticos do paciente", afirma a oftalmologista.

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