O que acha de Plutão voltar a ser planeta?

Dois cientistas americanos querem refazer a classificação dos planetas

por João Paulo Martins 08/05/2018 14:51

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Em 2006, Plutão perdeu seu status de planeta do Sistema Solar e passou a ser classificado como planeta-anão, igual a corpos celestes como Ceres e Makemake (foto: Pixabay)
Segundo artigo publicado no jornal americano Washington Post na segunda, dia 7 de maio, o planeta-anão Plutão pode deixar este status, que o coloca junto de corpos celestes como Ceres, Haumea, Makemake e Eris, e voltar a ser um dos vizinhos da Terra, voltando a completar a lista de nove planetas do Sistema Solar – posto que perdeu há 12 anos. Na época, a União Astronômica Internacional (IAU, na sigla em inglês) rebaixou Plutão após a descoberta de Eris, que era quase exatamente do mesmo tamanho que ele. Nosso antigo vizinho tem "apenas" 7.232 km de circunferência.

Desde então, Plutão passou a "amargar" a posição de "segunda classe" no Universo e, oficialmente, os livros de Geografia tiveram de mudar e trazer apenas oito planetas no Sistema Solar.

Mas, alguns cientistas da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) acreditam que a definição da IAU não condiz com a verdade e que planetas são corpos grandes o suficiente para terem ganhado o formato de "bola" devido à sua própria gravidade, o que não acontece com objetos espaciais menores, como meteoros. Com isso, a classificação oficial poderia ser revista, segundo texto divulgado no Washington Post pelo astrônomo David Grinspoon, líder da missão New Horizons, lançada no início de 2006 em direção a Plutão; em conjunto com o astrobiologista Alan Stern, curador do Museu de Ciências Naturais de Denver (EUA).

"Somos cientistas planetários, o que significa que passamos nossas carreiras explorando e estudando objetos que orbitam estrelas. Usamos 'planeta' para descrever mundos com certas qualidades. Quando vemos um como Plutão, com suas características variadas, como montanhas de gelo, geleiras de nitrogênio, um céu azul com camadas de fumaça, nós, e nossos colegas, naturalmente, nos encontramos usando a palavra 'planeta' para descrevê-lo e compará-lo a outros planetas que conhecemos e amamos", afirmam os cientistas no artigo.

David Grinspoon e Alan Stern explicam que, abaixo de um certo tamanho, a força do gelo e da rocha que compõem os corpos celestes são fortes o suficiente para resistir ao arredondamento causado pela gravidade e, assim, os mundos "menores" possuem formatos irregulares. "É assim que, mesmo antes da chegada da New Horizons a Plutão, sabemos que Ultima Thule não é um planeta. Entre os poucos fatos que conseguimos descobrir sobre esse objeto espacial, sabemos que é minúsculo, tem apenas 27 km de diâmetro e é distintamente não-esférico. Isso nos dá um critério natural e físico para separar os planetas de todos os pequenos corpos orbitando no espaço, como pedregulhos, cometas gelados ou asteroides rochosos e metálicos, todos pequenos e irregulares porque a gravidade é muito fraca para o auto-arredondamento", esclarecem os cientistas.

O problema dessa "nova" teoria, de acordo com o astrofísico Ethan Siegel, professor da Faculdade Lewis & Clark, em Portland, nos Estados Unidos, é que, se levarmos em conta a classificação planetária proposta pelos colegas, teríamos que dar a condição de planeta a várias luas e corpos celestes grandes e redondos. "Há alguns por aí que estão desesperados para salvar o status planetário de Plutão, e estariam dispostos a abrir as comportas e outorgar a chancela de planeta a cada lua, asteroide e bola de gelo lá fora, que é enorme o suficiente para ser redondo", comenta o cientista em entrevista para o site da revista Forbes. Ele lembra que a Ciência precisa usar diferentes variáveis para chegar à classificação planetária, e não apenas uma afirmação tão simplória quanto "se é redondo, é planeta". "Se você quer ignorar tudo isso e proclamar que 'redondo significa planeta', então, mais poder você terá. Porém, no caso dos planetas, como na maioria das coisas, a bagagem científica que carregam é muito mais interessante", completa Siegel.

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