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Estado de Minas ASTRONOMIA

Pesquisadores afirmam que Vênus devia ser habitável no passado

O estudo mostra ainda que, no futuro, a Terra deve perder as condições de sustentar a vida


postado em 03/05/2018 11:50 / atualizado em 03/05/2018 16:18

Um estudo realizado pela Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) em cooperação com outras universidades americanas revelou que o planeta Vênus já teve condições de abrigar vida, mas, com o tempo, acabou se tornando um lugar inóspito. Este seria o mesmo destino da Terra.

Segundo os pesquisadores, Vênus possui a superfície mais quente de todo o Sistema Solar devido ao efeito estufa, fenômeno que também ocorre em nosso planeta, mas em proporção bem menor. Giada Arney, da Nasa, e Stephen Kane, da Universidade da Califórnia, explicam que, apesar da superfície de Vênus ser, hoje, uma paisagem "infernal", com temperaturas acima de 400º C, ele poderia ter sido habitável, com oceanos iguais aos da Terra.

A pesquisa, publicada no site da Universidade de Cornell (EUA), mostra que, com o decorrer dos anos e o aumento do brilho do Sol, o segundo planeta do Sistema Solar perdeu seu clima temperado. Portanto, ele serve de "espelho" para o futuro da Terra, devido ao efeito estufa provocado pelo aquecimento de nossa estrela. Vale lembrar que Vênus é muito similar ao nosso planeta em termos de tamanho, massa, volume e composição.

De acordo com Arney e Kane, o estudo das condições de Vênus, cuja atmosfera é composta, principalmente, por dióxido de carbono, e 90 vezes mais densa do que a nossa, pode nos ajudar a entender quão fina é a linha que separa os mundos com condição de abrigar vida dos que são totalmente inabitáveis.

O estudo liderado pela Nasa cita ainda a teoria criada pelo químico sueco Svanthe Arrhenius, ganhador do Prêmio Nobel, de que, em algum momento, Vênus poderia ter abrigado muitos rios, lagos e pântanos, e até uma vegetação exuberante, cujos restos mortais acabaram se tornando carvão, que alimentou o efeito estufa e exterminou a vida no planeta. O próprio Arrhenius enfatizou que a habitabilidade de um planeta não é um estado, mas um processo. Ele concluiu que a vida emergiu na Terra depois de terem sido criadas condições muito específicas.

"Embora Vênus fosse habitável em algum momento […] não poderia escapar de seu destino inevitável. Todas as principais estrelas se tornam mais luminosas com o tempo, fazendo com que os limites da zona habitável sejam cada vez mais distantes", afirmam os autores da pesquisa no artigo publicado no início deste ano.

Atualmente, a zona habitável de nosso Sistema Solar, também chamada de zona de Goldilocks, se inicia em pouco mais de 118 milhões de km de distância do Sol e encerra em 220,4 milhões de km. O cálculo dessa área é feito por meio de algumas variáveis, incluindo temperatura e luminosidade da estrela. Portanto, a Terra se encontra exatamente na região perfeita para o surgimento da vida – Marte, por exemplo, fica fora dela por "apenas" sete milhões de km.

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