Espécie rara de cacto vive no Parque da Serra do Curral

Vegetal sobrevive apenas em ambientes com minério de ferro, como nessa área de preservação de Belo Horizonte

por Encontro Digital 09/08/2018 10:53

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Flickr/PBH/Suziane Fonseca/Reprodução
O cacto da espécie Arthrocereus glaziovii vive apenas em regiões ricas em minério de ferro e pode ser encontrado no Parque da Serra do Curral, em Belo Horizonte (foto: Flickr/PBH/Suziane Fonseca/Reprodução)
Além da bela paisagem proporcionada pelo Parque da Serra do Curral, na reigão centro-sul de Belo Horizonte, um dos destaques da área de preservação ambiental é a biodiversidade. São várias espécies de animais e vegetais, incluindo um cacto ameaçado de extinção: o Arthrocereus glaziovii (Cactaceae). Ele foi descoberto há cerca de três anos no parque e vem ganhando a atenção de pesquisadores do Jardim Botânico da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB) da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).

O cacto Arthrocereus glaziovii cresce sobre rochas ricas em minério de ferro, o que faz com que a distribuição da espécie seja muito restrita. Endêmica dos campos ferruginosos do Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais, a espécie ocorre somente em alguns locais: Itabirito (na Estação Ecológica de Arêdes); na Serra da Moeda; no parque estadual da Serra do Rola Moça; na Serra da Piedade; em Nova Lima (na APA Sul); em Itatiaiuçu; e na Serra do Curral.

A preocupação com a conservação da espécie tem fundamento: o habitat do Arthrocereus é muito próximo das áreas urbanas e, por isso, sofre com a ação humana. Além disso, ele é alvo dos efeitos da mineração por crescer nas regiões ricas em minério. Esses são dois dos principais motivos para a espécie estar em risco de extinção. O cacto consta na Lista da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) na categoria "em perigo" e, por essa condição, conforme a PBH, a FPMZB vem buscando elaborar e apoiar ações de manejo que garantam a conservação da espécie presente no Parque da Serra do Curral.
Flickr/PBH/Suziane Fonseca/Reprodução
(foto: Flickr/PBH/Suziane Fonseca/Reprodução)

Um aspecto essencial para a conservação do cacto está em seu cultivo ou, mais especificamente, no tipo de substrato onde ele é plantado. Isto faz parte de uma pesquisa realizada pela estudante de Biologia Anna Guimarães, sob coordenação e orientação da bióloga Juliana Ordones, da Seção de Botânica Aplicada do jardim botânico da FPMZB.

Nesse estudo, estão sendo feitos testes de substrato com os cactos germinados no banco de sementes do jardim botânico. Misturas de areia e matéria orgânica (esterco) estão sendo testadas em diferentes proporções, para ver qual das formulações promove a maior sobrevivência e o melhor desenvolvimento das plantas. O objetivo é testar métodos de cultivo para essa espécie, visando sua conservação ex situ (fora do habitat). Os resultados poderão ser muito importantes para o desenvolvimento de melhores metodologias de cultivo e conservação ex situ não só do Arthrocereus glaziovii, como de outros cactos nativos.

Para Juliana Ordones, a complexidade de se manter as espécies em coleção é um fator que vem exigindo bastante dos pesquisadores. "O cultivo de espécies endêmicas e ameaçadas é um grande desafio. Algumas plantas têm uma especificidade de ambiente, às vezes o nicho ecológico onde se encontra é bem restrito: ela precisa daquele tipo de solo, com aquela temperatura e umidade propiciadas pela altitude, e tem ainda a questão dos polinizadores, ou seja, necessitam de visitantes florais para se reproduzirem", explica a especialista em entrevista para o portald a PBH.

A bióloga esclarece ainda que o Arthrocereus, por exemplo, não ocorre em toda a Serra do Espinhaço. De acordo com ela, o cacto é encontrado em substratos extremamente específicos, em campos rupestres ferruginosos, conhecidos como canga, localizados em topos de montanha do Quadrilátero Ferrífero. "Ele tem certa restrição também em termos de altitude, pois ocorre entre 1,3 mil e 1.750 m. Então, conservar essas plantas no jardim botânico é um desafio. É uma tarefa muito difícil porque você tem que proporcionar uma temperatura e uma umidade próximas daquilo que ocorre na natureza. Temos que tentar suprir todas essas necessidades, que são muito peculiares de uma espécie endêmica e ameaçada. Ela é rara não é por acaso", diz Fernanda.

(com portal da PBH)

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