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Estado de Minas CIêNCIA

Maconha possui várias substâncias ativas, sabia?

Apenas o canabidiol tem efeito terapêutico comprovado


postado em 17/08/2018 14:49 / atualizado em 17/08/2018 15:03

(foto: Pixabay)
(foto: Pixabay)
O uso medicinal do canabidiol, substância extraída da Cannabis sativa, popularmente conhecida por maconha, que é muito usado no tratamento de problemas neurológicos, como epilepsia, ainda enfrenta muita oposição no Brasil. Além disso, segundo o pesquisador Rafael Guimarães dos Santos, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, ainda é preciso padronizar o tipo do extrato usado como remédio.

Rafael é biólogo e trabalha com pesquisas na área de substâncias psicoativas, com ênfase no estudo das alucinógenas. Ele explica que a Cannabis é uma planta como várias outras que produzem substâncias químicas. O canabidiol (CBD) é apenas uma entre as mais de 400 substâncias que a maconha pode produzir. Além do canabidiol, existe o tetra-hidrocanabinol (THC), substância usada para recreação, com efeitos psicoativos na memória, gerando ainda falta de coordenação, olhos vermelhos, entre outros sintomas. "O CBD não produz efeitos alucinógenos e estudos em humanos já revelaram que reduz ansiedade, por exemplo. Resumindo, a maconha é a planta e o THC e o canabidiol são substâncias da planta", esclarece o pesquisador da USP.

O especialista lembra que a polêmica sobre canabidiol no país se dá em função da precariedade na padronização dos extratos, que não têm controle de qualidade. Ele alerta que as pessoas acabam tendo a ideia equivocada de que o produto que vem do exterior é sempre bom, mas pode não ser verdade. "Tanto na USP em Ribeirão Preto, como em outros centros de pesquisas, que já avaliaram alguns desses extratos, não foram encontrados nem 5% de CBD como anunciado. Por outro lado, apresentam alto teor de THC, que pode intoxicar as crianças", afirma Rafael Santos.

Ele enfatiza que o THC também possui efeito terapêutico, entretanto, pode produzir reação psicoativa da maconha e não se sabe quais serão os efeitos a longo prazo, diferente do canabidiol, cuja atuação no organismo é mais segura. "Nossa preocupação é que as pessoas tenham acesso a produtos padronizados". O pesquisador lembra ainda que não são todas as crianças que respondem de forma adequada ao tratamento com canabidiol, que é apenas um coadjuvante e que os pais não devem interromper o uso de outros medicamentos prescritos pelos médicos.

Rafael, assim como seus colegas da USP em Ribeirão Preto, está estudando os efeitos do canabidiol para alguns sintomas do Parkinson, considerada uma doença neurológica bastante complicada. "Estudos já revelaram que o canabidiol tem efeito terapêutico, com melhora na qualidade de vida e redução do preconceito com o comportamento do portador de Parkinson", afirma o biólogo.

(com Rádio USP)

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